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disponível para amar
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A primeira vez que li o nome deste filme, na minha língua, fiquei fascinada. Achei-o belíssimo. Achei que teria de dar crédito aos tradutores de títulos de filmes, pessoas por quem não nutro particular admiração tendo em conta o panorama geral em Portugal. Mas este, bem, este fez-me acreditar. I believe..
É certo que provavelmente a tradução não seria difícil, em inglês por exemplo, o título é in the mood for love mas, o que me interessa mesmo, e aquilo que me despertou a atenção foi o que o título transporta, a sua sonoridade, a sugestão, a poesia, a intenção...está lá tudo. Disponível para amar.
Costumo brincar em trocadilhos com este título, usando-o em conversas: "disponível para amar (sabes?, ainda não estou...)" ou "estaremos disponiveis para amar, nós?" ou ainda "estás disponível para amar" ou simplesmente "disponível para amar, que será isso?".
A outros até pode sugerir algo menos melancólico, menos lírico: "Disponível para amar, com Barbara Hot Galore, o soft porno como nunca o viu!"
Mas eu não...eu é mais bolos.
E depois, ontem, sim ontem à noite, fui ver o filme. Ando há anos para o fazer. Nem sei bem porque nunca o fiz, não me recordo bem. Terá sido por recear que o filme não correspondesse à sensação gerada pelo título? Terá sido por falta de disponibilidade? Terá sido desleixo? Terá sido porque pensei que ia adormecer a meio? Pode nem ter sido nenhuma destas, ou podem ter sido todas.
Mas fui, e ainda bem que fui ontem, amanhã nunca se sabe onde podemos estar.
É um filme dos 'meus', está lá algo daquilo que eu poria lá também se me propusesse a realizar filmes, sim, está.
O par, dizem em todo o lado, vive um amor fantasma. Ok, e eu concordo. E acrescento apenas isto: há várias formas de amar, há várias disponibilidades para o amor, há inúmeras possibilidades da sua concretização, tal como inúmeras impossibilidades ainda que se ame, há a felicidade, também, sim, na impossibilidade, nas escolhas aparentemente paradoxais de cada ser humano (ou só de alguns seres humanos? etéreos fantasmas de si? etéreos fantasmas dos outros?), mas eu acredito nela, e acredito que este é um filme "feliz" ainda que nunca o par se tenha beijado, ainda que nunca tenham feito o amor, ainda que se toquem ao de leve apenas, ainda que se afastem.... isto foi o que Hong Kar-Wai me deu de perfeito, está na forma como me ofereceu este belíssimo filme: a sugestão. E o que é a vida, o amor, senão a sugestão da vida e do amor?
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