quarta-feira, março 10, 2010

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que bom...agora que veio (algum) sol, dói-me a garganta e só apetece sofá.
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segunda-feira, março 08, 2010

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humor e condição feminina : mais vale sorrir...
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sexta-feira, março 05, 2010

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o filme não era belo, a fotografia do filme, sim.
Kierkgaard ficou à espera que eu tenha mais tempo para estar por casa sossegada.

com mais dois filmes enchi os últimos dias de bom cinema. o último (Welcome) inquietante, poderoso, sem floreados, história de emigração e amor, a cereja no topo do bolo.

as últimas 15 páginas do Hemisfério Pessoal (o tal de que não me lembrava) aguardam que o sono não me vença quando me deito. fiquei com uma enorme vontade de conhecer a Turquia, o Afeganistão (o mais desolador dos desolados, o mais arcaico, assustador e tribal..), a Nova Zelândia. Numa viagem só. 3 meses chegavam-me. (risos).

e esta chuva que já me anda a mexer com os nervos e a boa disposição começou aos poucos a dar lugar a uma irritabilidade silenciosa...definitivamente, prova da minha incapacidade de viver em países cinzentos.

eric rohmer na Harmonia, terá público? os fins de semana de turno para ela que me deixam desesperada, já não tenho vontade ou grande prazer, dramatizo, e penitencio-me mas...que fazer quando o amor acaba? preciso dela mas já não quero viver com ela, para quando o divórcio?

voz off [o bom humor é dádiva que a intervenção humana dificulta. resta-nos a capacidade de preservação, e aprender o jogo de cintura que nos afasta da angústia].

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quarta-feira, fevereiro 24, 2010

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agora ando a ler - também e a par de e por concluir há muito a biografia de Paul Bowles; há menos tempo, a Anatomia da Errância do Bruce Chatwin e ainda, e porque depois de sonhar com ele com cara de MEC lhe comprei um livro, falo do Gonçalo Cadilhe e não me lembro do nome do livro que já são muitos os editados por aí - Kierkeegard, e chama-se O Desespero Humano, com uma brilhante Introdução do Eduardo Lourenço, pelo que me sinto muito bem a redescobrir as teorias deste Filósofo espantoso, que praticou o que teorizou - não foi bem assim que isto de pôr em palavras simples aquilo que um homem destes escreveu sobre algo tão complexo não é para o fazer aqui e agora em coisa de 5 minutos - e deixou frases como quando o eu mergulha, através da sua própria transparência, até ao poder que o criou está a referir-se à fé como algo que se conquista, ele que foi crente sem igreja. Eu, não posso deixar de estar deliciada, a ler pouquinho de cada vez e a voltar atrás para reler e reler até encaixar, que a prática deste exercício deixou de ser regular há muito, desde os tempos do secundário e universidade...vou fazer uma pausa, tenho de ir ver um filme que deve ser muito belo.
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sexta-feira, fevereiro 12, 2010

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Ok.
Eu, eu vou mascarar-me de SOL.
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segunda-feira, fevereiro 08, 2010

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ser artista em Portugal é...dureza



exposição pequena, mas com elevado interesse, sobretudo quando conhecemos a ideia por detrás dos trabalhos...a série "arranjo camarário" é uma brincadeira muito bem conseguida: crítica ao establishment das autarquias, numa paisagem de fundo de uma Câmara que se esfuma a cada desenho, enquanto a "artista" em grande plano e a cores, se vai arranjando, se vai compondo...bem apanhado. e eu contente por ser da minha Taninha.
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sexta-feira, janeiro 29, 2010

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dá-me poesia no quarto branco com flores
de perfumes silvestres
quero a poesia que me deste
porque ela é minha por força
do que se deseja assim
dá-me flores meu amor
rôxas, brancas e amarelas de planície
dá-me a poesia toda dos dias que eu quero
verdadeira e vital e única
eu
no teu desejo de mim

dá-me o perfume de espaços também
não sou esquisita de gostos
quase amo toda a poesia
antes fosse ela escrita só para mim
dá-me tudo como se fosse acabar o mundo
daqui a um segundo apenas, meu amor
não te irá pesar de mo teres oferecido assim
se eu sou igual a ti e tu não sabes
dá-me o teu hálito perto da minha face
o teu olhar a olhar perene o meu olhar
deixa-me em silêncio contemplar (te)
quero que me tragas e trazendo-te até mim
dir-te-ei tudo o que não posso ainda dizer-te, não.
irás perder-te no meu toque no meu afagar
e
colar-te-ei se eu te quebrar
ne eternidade das coisas que ainda não são
presente ou futuro, quem nos dirá?
seremos juntos o mar e as ondas da manhã.

JAN 2010
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terça-feira, janeiro 19, 2010

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já tinha saudades dos disparates a fazerem parte da minha vida e a encherem-na de novo de sabor a algo. sabe-me tão bem rir-me sozinha em casa, de parvoíces que faço ou penso...melhor me sabe perder a vergonha, o embaraço. já tinha saudades de me rir assim, até das coisas sérias. e vou esperar viver para sempre com esta certeza, de que os disparates nunca vão partir, eles apenas se escondem de vez em quando. e até podia escrever aqui um grande palavrão, de pura alegria. mas não é preciso. chega-me pensar nele.
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quarta-feira, janeiro 13, 2010

j-a-s-u-s
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quarta-feira, dezembro 30, 2009

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natal na neve. a minha primeira neve "a sério". natal feliz.



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sexta-feira, dezembro 04, 2009

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Lua Cheia

Em noite de lua cheia,

quando as ondas do mar são mansas
e nelas me enrolo,
sonho com sereias estranhas,
muito belas e sensuais.
Em noite de lua cheia
as árvores, servilmente curvadas,
abraçam-me, e insolentes, sussuram-me palavras obscenas.
Em noite de lua cheia,
os homens correm aflitos,
em busca de agripinas insaciáveis.
Na minha noite de lua cheia,
adormeço tranquilo,
nos braços de ninguém.


Luís Ramalho, Set/2009
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segunda-feira, novembro 16, 2009

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BEIRA-MAR-MEIO-DIA
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na duração do dia o corpo desfaz-se à entrada do mar

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in "Quando escreve descalça-se", Miguel-Manso, Trama Livraria, Março 2009

sexta-feira, novembro 13, 2009

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hunger


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alchemy.

terça-feira, novembro 10, 2009

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ESTÚDIO de Nuno Ramalho & Renato Ferrão

INAUGURAÇÃO 10 de Novembro '09 às 18h30

VISITA GUIADA 11 de Dezembro '09 às 18h30
com Nuno Ramalho, Renato Ferrão e Bruno Marchand (autor do texto do catálogo)

Exposição patente até 22 de Janeiro '10 de Quarta a Sábado das 15h00 às 20h00


Edifício Soeiro Pereira Gomes (antigo Edifício da Bolsa Nova de Lisboa)

Rua Soeiro Pereira Gomes, Lte 1- 6.º A / C / D
Bairro do Rego / Bairro Santos
1600-196 Lisboa - Portugal
T - 217803003 / 04 F – 217958189 E –
geral@fundacaocarmona.org.pt
Metro: Jardim Zoológico, Praça de Espanha, Cidade Universitária
www.fundacaocarmonaecosta.pt

segunda-feira, novembro 09, 2009

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daniel auster
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quarta-feira, novembro 04, 2009

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Paris, 03 Nov (Lusa) - O antropólogo francês Claude Lévi-Strauss, considerado um dos intelectuais mais relevantes do século XX, destacado antropólogo e "pai" da corrente estruturalista das ciências sociais, morreu sábado aos 100 anos, informou hoje a editora Plon.

Lévi-Strauss influenciou de forma decisiva a filosofia, a sociologia, a história e a teoria da literatura.
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domingo, novembro 01, 2009

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chegou a hora do lobo...:(
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quarta-feira, outubro 28, 2009


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belo
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(and for the ladies...take a look on the other side)

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estará de volta? http://ohomemqueanda.blogspot.com/


eu gostava, e muitos gostavam, mas o gajo é esquisito...

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terça-feira, outubro 20, 2009

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she's back..


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segunda-feira, outubro 19, 2009

este post, foi copiado do blogue http://fontedeletras.blogspot.com/ e achei que devia colá-lo aqui no meu, cá fica:


"sábado, 17 de outubro de 2009

Os editores que matam as livrarias tal como Caim matou Abel.
Dia 19 de Outubro é o dia em que o novo livro de José Saramago, Caim (Editorial Caminho - Grupo Leya), é posto à venda nas livrarias - assim foi comunicado aos livreiros e assim é divulgado no blog da revista Ler http://ler.blogs.sapo.pt/517769.html. No entanto, parece que não há nenhuma livraria no Alentejo que já tenha recebido o livro para ser posto à venda na 2ª feira. Mas, a Fonte de Letras presta aqui um serviço extra aos seus clientes, dizendo que hoje, dia 17, o livro já está à venda no Pingo Doce de Montemor, e provavelmente em muitos outros supermercados. Às vezes os desígnios dos criadores são difíceis de entender! "
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revisito o EP acima, porque gosto de revisitar, reviver, lembrar, escutar over and over again..e quanto mais o re-escuto, mais gosto dele. uma espécie de vontade de contrariar as novidades que todos os dias aparecem por aí. canções lindas. continua a ser a banda que melhor me enche as medidas. as letras, a voz, a melancolia, a música, são eles a tocarem bem. About Today, do mais tristinho, mas tão bela que até dói. e o mais estranho é que...não.
em breve irei "abrir outro ficheiro na net", com outro nome, outra cara, e mais escritas. em breve enviarei um mail aos amigos. se bem que...os meus em breves são por vezes lentos. in the mean time....
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domingo, agosto 30, 2009

anseio ter essa certeza.tenho a certeza que é muito mais do que o coração alcança, a mente prescruta, as minhas mãos procuram no escuro.anseio ter essa certeza.

......

acabei de saber que alguém que conheci dos tempos da universidade, esses tempos da universidade...morreu. baque. bum. o quê..?!....a minha idade, mais coisa menos coisa...e por ser quem foi, a grande paixão da minha doce Sónia....imagens, imagens em flash, telefonei para longe contei a uma amiga, o que dizer senão em exclamação, parece que foi há tão pouco tempo que o encontrei, estava bem. Estar bem é condição para deixar de se estar bem e morrer de cancro quando menos se espera. Amanhã vou escrever-te.

......

fruta passajada em especiarias aquecidas com sumo de laranja e mel. para adoçar a alma em noite morna de dia quente
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domingo, julho 26, 2009

domingo, julho 12, 2009

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Sr. Zé
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“Menina Sílvia, menina Sílvia…” chama o homem de negro sentado na mesa do café arrastando o Síííl, devagarinho e docemente, para a mulher atrás do balcão, ela escuta-o e desvia o olhar na sua direcção. “Está boa menina Sílvia, como está?” e o tom dele quase de súplica, olhar que clama por dois segundos de atenção, menina Sílvia, como os miúdos meigos quando anseiam que reparem neles. “Olá Sr. Zé” respondeu ela num sorriso, secando as mãos com um pano húmido, igual ao seu cabelo, suado e sem forma, levantando a cabeça para conseguir vê-lo melhor por detrás do balcão, “ Como é que está Sr Zé, está bom?” pergunta-lhe com simpatia e atenção feminina.

O Sr. Zé terá os seus setenta ou mais anos, está sozinho no café comendo um bolo e deve ser cliente habitual, a julgar pela forma como ele e a empregada se cumprimentam, o trato familiar e amigo dela, o jeito contumaz de a chamar, dele. Lembrei-me de algumas situações, não muitas é certo, que me aconteceram nos lares que visito, quando um idoso se aproxima de mim com desejo que nele repare, que lhe dê atenção, falando atabalhoadamente com receio que eu desapareça depressa, sorrindo-me muito com um olhar que me transporta para a imagem de alguém que assimilou muito pouco o uso da contemplação, um olhar muito pequenino e venturoso, risonho, de quem não levou a vida demasiado a sério ou cogitado muito sobre ela sequer, um olhar de quem está cá para o que der e vier, e ali está comigo e mal sabe quem sou, mas sorri porque sou visita, porque sabe que fui vê-los e onde vivem e eu num instante célere a olhar de volta para ele, olho no olho, sorrindo também e divisando como bom seria acabar assim os meus dias, de olhar miudinho e feliz em vida solta, subtraída de reflexões excessivas e pressupostos redundantes, de sonhos que voaram alto e se perderam na eternidade.

O Sr. Zé faz-me lembrar os velhotes que se sentam o dia todo na sua cadeira — possivelmente cada um tem a sua cadeira e não há muita coisa que possa ser apenas sua lá dentro — contemplando os repetitivos gestos do quotidiano das auxiliares que lhes dão de comer, os lavam, os deitam ao lado uns dos outros nos entardeceres transformados em noites. Ali, encostados na parede branca junto da grande e sonora televisão que eles nunca miram, querem lá eles saber da televisão, o olhar perde-se longe no vazio, na sombra da memória, na linha do chão, na espera. Em alguns é imensa a vacuidade, transborda indisfarçada no seu olhar triste, deixa-me inquieta, comovo-me e tento não pensar, preciso afastar dali a mente e a minha comoção, tento representar o meu papel, sou simpática, não sei que lhes dizer mais para além das frases feitas do costume, fico embaraçada enquanto sorrio e tento disfarçar o que sinto, porque me sinto falsa e eles querem lá saber das minhas perguntas “Gosta da comida, Sr. Manuel?” ou “Foi bom o almoço D. Joana?”, que eu sei que eles vivem para comer, é uma hora importante do dia a hora das refeições, é o seu ponto alto de manhãs e tardes quase sempre iguais, quase sempre na mesma cadeira em frente ou ao lado da grande televisão ignorada, quem dera gente na vez da televisão, as vozes estrepitosas dos filhos ou dos netos…visitas são bem poucas as dos meus amigos conformados e tristes, alguns, que outros há alegres, e de namoro novo, adoro esta parte da coisa, quando me contam que a D. Joaquina e o Sr. Francisco começaram a namoriscar lá no Lar e dão-se muito bem, passaram a viuvez de outro modo, que a maioria deixa de viver quando o companheiro morre porque parece-lhes mal que se divirtam as viúvas, são de antiga muito antiga geração, uma omnipresente e pesada lei costumeira impede-os de deixarem o preto do luto para voltarem a ir nas excursões, a colaborar nos preparativos das festas, a dançar no bailarico dos santos.

O Sr. Zé, no café, já choramingou enquanto eu escrevo, quando uma senhora dele se aproximou e ali ficou um pouco a conversar acerca da recente morte da sua esposa e sobre as suas noites passadas sozinho, mas deixe lá Sr. Zé não pense nisso, e fique em sua casa fique em sua casa enquanto puder, não deixe a casa Sr. Zé, está lá melhor ainda que sozinho, não lhe parece? Não pense muito nisso. Que o melhor é não pensar muito nisso, Sr. Zé.


sábado, julho 11, 2009

A Barca

quinta-feira, abril 09, 2009

I'm your man



A sala estava muito pouco povoada, espectadores novos lado a lado com espectadores menos novos, como me confirmou ter sido assim no concerto de 2008, uma colega a quem enviei o mail: hoje passa um documentário de Leonard Cohen no cineclube vou ao fim da tarde/ vais?/ sim, vou/ encontramo-nos lá então/obrigada por me avisares.

Recebo um beijo forte e demorado na bochecha, depois da sessão, estava grata por lhe ter enviado o mail. Deixou o filho com o marido e pisgou-se para ver “I’m Your Man”, onde cantarolou entusiasmada algumas das canções que encheram o ecrã, sentada na sala renovada, e asséptica do auditório.

Comovi-me quando Antony interpretou uma das eternas canções de Cohen, e com deleite acompanhei o olhar e singularidades do cantor, poeta, monge, filmado sobriamente, depois também me inebriei no fim, com Hallellujah, que me trás sempre à memória Jeff Buckley, a sua morte prematura e estúpida, a saudade do que é belo. As canções de Cohen são de facto belas, de fundo negro, mas iluminadas para nós. E vim para casa com vontade de comprar a discografia toda do homem, de ouvir Antony, mas, acabei por deixar “ a passar” Tudo Bons Rapazes, na rádio.

Sorri do tom desprendido e esgar irónico, quando Cohen desvaloriza a fama de ser “a lady’s man” por não encontrar eco nas dez mil noites passadas sozinho.

Ficou uma imagem de humildade do cantor, e um olhar de sábio sem pressas de viver. Mas aquilo que verdadeiramente me continua a emocionar, é escutá-lo, aquela voz que não é humana de tão intensa e funda, não me desencanta que não “saiba” cantar, delicia-me ouvir aquele tom arrastado, triste, contínuo, as palavras e a poesia, a escrita feita canção, e a voz, por deuses, a voz…

É isto que fica, não é?/ sabes?, só me lembrava da sala da minha amiga onde ouvíamos os vinis (do Cohen) do pai dela, dos encontros e conversas filosóficas, dos problemas de adolescente [sorrisos]/ os nossos olhares cruzam-se, transluzem e felizes estamos na despedida . Sim, é.

sábado, março 07, 2009

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"welcome to mali"


Amadou & Mariam, último álbum, algumas músicas produzidas e co-escritas por Damon Albarn que também toca alguns instrumentos. Precious..

segunda-feira, março 02, 2009

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JAPÃO

QUERO CEREJAS DE NEVE EM MINHAS
MÃOS PARA SENTIR
AS TUAS FOLHAS DE AMARELO
A TRANSBORDAR
QUERO UMA ÁRVORE
DE OUTONO MEL PARA SORRIR
QUANDO TU PASSAS
NO ECRÃ MAIS DEVAGAR
QUERO O TEU CHEIRO A TUA COR ALI
EM NOBRE TELA DE SILÊNCIO NU
COM TEU FINDAR


19/01/2009

da Suécia com amor

quinta-feira, fevereiro 12, 2009

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Good Fellas




Onde estão os nossos princípios? Onde reside a nossa virtude? O que é essencial para um homem ser mais que um homem, quando se torna absolutamente necessário?

Stauffenberg foi um oficial nazi descontente com o rumo que o seu país tomara nas mãos de Hitler, tornando-se adverso à ideologia dominante, comprometido por uma guerra que desejava não ver continuar e preocupado em limpar a imagem da sua pátria corrompida por valores que não eram mais os seus, amorais, imorais, embaraçosos. Teve a coragem de assumir uma posição contrária, juntamente com outros que com ele urdiram um plano para pôr termo à vida do Führer.

Escolher por boicotar e derrubar um regime como o nazi, foi concerteza uma opção difícil, complexa, corajosa. Um regime visceralmente hierarquizado e controlado, de homens submissos e desconfiados, silenciosos
, alguns genuinamente leais, outros habilmente persuadidos, outros ainda, inquietantemente fingidores. Encontrou determinação para, colocando a sua vida em risco, intentar contra a vida de Hitler e seus camaradas, e assim repor a dignidade de uma pátria enxovalhada aos olhos do mundo aliado.

Isto responde à questão inicial, se pensarmos que os princípios deste oficial, permaneceram quando deles necessitou para ser um homem, e não um rato.

Os valores de uma pátria conservadora mas guiada por elevados padrões de moral, de ética, sobretudo, terão condicionado a sua opção. Ser leal a estes princípios foi uma certeza num determinado momento da sua vida, da vida dos seus colegas de conluio, culminando na derradeira tentativa de matar Hitler, tomar o poder, aniquilar as SS, repor uma nova/velha ordem social e moral. Mostrar aos Aliados que nem toda a Alemanha pensava e agia do mesmo modo, foi acto de grande coragem, sem no entanto podermos afastar a hipótese de, na iminência de Normandia e estando cientes dela, também esse acto conter em si mesmo, o temor de represálias e sobretudo, da vergonha.

Aqueles aristocratas e oficiais, políticos e funcionários, foram concerteza mais homens que muitos homens que ainda hoje vamos vendo por aí…a fazer de homens, pois desconhecem a sua verdadeira identidade: sendo ratos.

terça-feira, dezembro 16, 2008

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quinta-feira, dezembro 11, 2008

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..amo-te banda sonora
#2


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Na berma

Apaixonou-se quando o sangue se esvaía do seu corpo, amparada nos braços dele.
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segunda-feira, dezembro 08, 2008

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fins de semana de 3 dias era para sempre

the dodos no music box ****
madagascar sem dobragem II ***1/2
h&m ***
chiado a qualquer hora ****
magusto caseiro com tripeiros *****
sofazar ****

domingo, novembro 30, 2008

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..amo-te banda sonora
#1
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sexta-feira, novembro 28, 2008

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o ocidental mundo entediado
com mil imagens vai brincando inebriado

no ocidental mundo desinteressado
mais um brinquedo novo é inventado

do ocidental mundo equivocado
tiram-se imagens de mil ângulos "estudados"

onde encontras as legendas que se perderam
deste ocidental mundo fotografado?

há um ocidental mundo transformado
só em palavras livros mãos razão amor.

há um negativo eternamente revelado
do ocidental mundo
não-sonhado
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quarta-feira, novembro 19, 2008

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“Entre les murs” é um daqueles filmes com um ritmo cativante, fixei o olhar na tela, presa aos diálogos incessantes entre o professor de francês e os putos na sala de aula, as reacções deles, a agressividade doce, a esperteza, a luta do gato e do rato, a distracção final do professor.

A determinada altura, senti-me cansada, foi quando me coloquei do lado do professor, a sua constante tentativa de impor disciplina e chamar a atenção sobre as matérias, as respostas provocatórias recebidas, o barulho e movimentos ininterruptos naquelas cadeiras…

Houve momentos em que me senti do lado deles (as), sentada na cadeira a olhar o professor enquanto punha os pés na cadeira do colega da frente, a mão na cara, tombada para o lado, a reparar nos olhos bonitos dele e a rir-me da piadola vinda do colega corajoso lá de trás…

A graça do filme vi-a na forma como somos transportados lá para dentro, dentro deles todos. E como é tão mais fácil entender quando entramos pelos outros adentro. Isto, se quisermos entender.

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terça-feira, novembro 18, 2008

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entre les murs


no dia da estreia, aqui em Évora, estavamos 8 pessoas.
escrevi um texto, ficou guardado e esquecido, depois deixo-o aqui. hoje fica a imagem.
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beach house

surpresa..tinha apenas escutado, e sem muita atenção, por duas vezes um álbum de beach house. vi-os ao vivo no passado dia 16, gostei muito do concerto, das músicas, e fiquei curiosa, o Natal está a chegar, pode ser que...

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domingo, novembro 02, 2008

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the mae shi . run to your grave


terça-feira, outubro 28, 2008

vem o frio que trás a clausura
voltas ao passado
quando o corpo te empurra

o retorno ao ecrã
em branda cadência
de escritas leves e leitura vã

sabes que não volta
o tempo que te leva
não vai voltar

há estranhos sonhos
a tocar ao de leve
no real

e suavemente sob os pássaros, sob o sol vermelho
o corpo tomba em morte idílica
suavemente sobre o mar
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quarta-feira, agosto 20, 2008

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summer play list
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segunda-feira, junho 16, 2008

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reencontros
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“Na Primavera, regressámos a Fez e ficámos no Belvedere. Eu estava a terminar The Sheltering Sky e a Jane estava imersa na sua novela Camp Cataract. Ao raiar do dia, tomávamos o pequeno-almoço na cama no seu quarto. Depois, eu ia para o meu quarto, deixando a porta aberta para que pudéssemos comunicar, se assim o quiséssemos. Numa dada altura, ela estava em dificuldades com uma ponte que tentava construir sobre um desfiladeiro. “Bupple! O que é um cantilever, ao certo?” ou “Pode-se dizer que as pontes têm contrafortes?” Imerso na escrita dos meus capítulos finais, respondia-lhe o que me ocorresse, sem sair do meu estado voluntário de obsessão. Ela ficava calada durante um bocado, e depois voltava a chamar-me. A torrente do rio, mesmo por baixo das nossas janelas, deixava apenas ouvir os sons mais penetrantes; as comunicações tinham de ser bastante importantes, para que valesse a pena gritar. Após três ou quatro manhãs, apercebi-me de que algo estava errado; ela ainda estava na ponte. Levantei-me e entrei no seu quarto. Falámos sobre o problema durante um bocado, e confessei-me intrigado. “Porque é que tens de construir o diacho da coisa?”, perguntei-lhe. “Porque não dizes apenas que estava ali, e pronto?” Ela abanou a cabeça. “Se não souber como foi construída, não consigo vê-la.”Achei isto incrível. Nunca me ocorrera que tais considerações pudessem estar implicadas no acto de escrever. Talvez pela primeira vez vislumbrasse o que a Jane queria dizer quando afirmava, como muitas vezes o fazia, que escrever era “tão difícil”.”
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Memórias de Um Nómada
Paul Bowles
Colecção: Testemunhos
Assírio & Alvim - 2007
Tradução: José Gabriel Flores
Formato: Edição Brochada ISBN: 978-972-37-1202-5 Preço de Capa: 22€ Preço assirio.com: 19.8€

segunda-feira, maio 12, 2008

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the national na aula magna



Após longa pausa de escrita no meu blogue, ficar sossegada depois de assistir ontem, ao concerto dos National, seria tolice.
Acometida pela síndrome pré-concerto de banda favorita (uma mistura de adolescente irrequieta com trintona contida), lá fui eu de mansinho para os ver e ouvir, e que bem que aquilo me soube.
Os tipos são bons - e simpáticos e simples -, as letras poemas urbanos, o Matt é belo e tímido, as guitarras do melhor e aquela bateria é um mimo espásmico. Pena o som nas primeiras músicas, mas depois melhorou.





O 'momento alto' surge quando o vocalista se lança pelas doutorais acima - e adentro - e deixa os fãs-do-bilhetinho-dos-35-euros deliciados. Também eu fiquei, embora cá atrás: teve bastante piada observar até que ponto o senhor se aguentava sem se espalhar, depois da garrafita de branco emborcada. Eu no fundo estava era preocupada: "e se cais, pá?". A imagem deu-me o riso que me devolveu a bela fusão entre nós e eles.

O meu momento alto foram duas*, não sendo as mais 'badaladas' da banda, deixaram-me encantada. Ok, o Mr November, o Fake Empire e outras souberam mais que bem, mas estas duas levaram-me a fixar os olhos neles e entrei por ali adentro, pelo palco fora. Corri-os a todos, caramba, grande baterista (e não, não é nestas duas que se percebe bem o que quero dizer)! Os gémeos são bons, bem bons nas guitarradas e o Matt andou por ali meio deslocado, aposto que o lugar favorito do homem é o sofá. De caderno e garrafa munido.... used to be carried in the arms of cheer leaders.

A ironia assenta-lhe bem.
E a poesia também.
*green gloves; about today



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autógrafos antes do concerto...a Regi esteve pertinho:)

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segunda-feira, fevereiro 18, 2008

welcome walkman

http://andahomem.blogspot.com/

terça-feira, janeiro 29, 2008

quinta-feira, janeiro 10, 2008

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Há uma estrada que leva a nenhum lugar
Onde se encontra o que ninguém procura
Feita de névoa onde deambulam corações
Buscando brilho onde a noite é a mais escura.

Há uma roleta onde se trocam emoções
Outrora mesa de um jogo sem risco
Calha na sorte um medo sem norte
Uma palavra, uma frase. Tontura.

Se branco ou negro o devir que é lançado
Se mais Força que fraquezas, mistério vão
Quando se solta na mesa o mágico dado
Dão-te milagres que ofuscam a Razão.


. 28.12.2007

quarta-feira, janeiro 09, 2008

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..música para os meus olhos
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quinta-feira, dezembro 06, 2007

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Passover
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This is the crises I knew had to come
Destroying the balance I'd kept
Doubting and settling and turning around
Wondering what will come next

Is this the role that you wanted to live
I was foolish to ask for so much
Without the protection and infancy's guard
It all falls apart at the first touch

Watching the reel as it comes to a close
Brutally taking its time
People who change for no reason at all
It's happening all of the time

Can I go on with this train of defense
Disturbing and purging my mind
I count up my duties, when all's said and done
I know that I'll lose every time

Moving along in our God given ways
Safety is sat by the fire
Sanctuary from these feverish smiles
Left with a mark on the door

Is this the gift that I wanted to give
Forgive and forget's what they teach
I'll pass through the deserts and wastelands once more
And watch as they drop by the beach

This is a crises I knew had to come
Destroying the balance I'd kept
Turning around to the next set of lies
Wondering what will come next

JD
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terça-feira, dezembro 04, 2007

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hoje é o primeiro dia do resto da tua vida


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quinta-feira, novembro 29, 2007

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out - of - control



desespero
Ian Curtis retratado em película com preto e com branco e com brilhante representação - para mim, o melhor do produto final - do actor Sam Riley (hum, hum..).
angústia
Joy Division e arrepiozinho na pele, ou pele de galinha. Não sei porquê. A voz? O tom da voz? (de novo, as vozes..).
escuridão
sim. Porque não? Ela está lá. Não há luzes ao fundo do túnel.
tristeza
de triste ser a noite onde não adormecem os nossos fantasmas.
loucura
sem controlo.
vida
também.

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sexta-feira, novembro 16, 2007

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Estava pensativo, de olhar posto na cor da noite, lá fora, onde os carros e as luzes se cruzavam com o som dos pássaros que fugiam para longe dali, escurecia rapidamente.
"- Nem tu sabes...é um bocado barra pesada lá dentro, passas por eles e sentes-te intimidado, o ambiente é pesado, um desconforto crescente, como se a qualquer momento qualquer coisa de incontrolável fosse acontecer, não aconteceu...fiquei pouco à vontade, ali...".
Ele pensou uma imagem clara dos rostos e dos olhares, do ambiente nas ruas, depois a Sul, o deserto, infinito, polvilhado de roulotes, pré-fabricados aqui e ali com pic-ups caras estacionadas cá fora, os grandes cactos estendo-se até ao céu de pôr-do-sol de filme...ficou com dúvidas, no entanto.
"- Vês aquela droga toda a circular, sente-la nos olhos deles pousados em ti, é estranho, é tanta e deprime-te, encostam-se pelas ruas, onde calha, reina uma calma aparente, não trabalham, nota-se bem isso, a maioria, os subsídios vão chegando, alguns têm quintas, claro, muito poucos, mais a sul nas terras inóspitas, os grandes terrenos que lhes 'deram' para ali se instalarem, provavelmente não chove há meses, parece que nada ali irá crescer, é estranho".
A noite acomodou-se e ele de olhar absorto num ponto mais sujo do vidro da janela, um satélite, um planeta, um bocado de estrela, um buraco negro ali pousado, divagou até ao Norte, até ao Sul, imaginou um feroz silêncio de subsídios compensado, gente atenta mas distante, ancorados num tempo que não era já o seu, demasiado sufocados para sonhar um destino. Apodreciam na sombra, sujavam o chão, apenas, já não eram um estorvo.
E até onde uma realidade mais plausível que o real descrito, poderia ser o exagero dela?
Ele não sabia.
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segunda-feira, novembro 05, 2007

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o regresso mui aguardado.
.... inequívocamente BOM, será.



[e desta vez estarei lá bem me bastou o que já perdi este ano e bem me bastou ficar triste quando estive à beira de dizer "sim, bora lá, perdemos a cabeça que o dinheiro serve é para isto mesmo" ao apetitoso convite para ir a Barcelona mas disse não e já não vou ver a minha última e explosiva paixão os 'outros' os 'tais' os não menos bons bons? ha ha ha.. The National desta vez o Coliseu vai ser pequeno para o tamanho da minha alegria e nervosinho doce instigado por sonzinho do melhor oh yeah...:)]

quinta-feira, outubro 04, 2007

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Cantaremos

"Cantaremos Adriano" é um disco de homenagem a Adriano Correia de Oliveira, e catorze são as vozes que reinterpretam canções suas. “(…) “Manuel Alegre, um dos seus colaboradores mais próximos em poesia e cumplicidade – são da pena de Alegre “As trovas do vento que passa” e todos os poemas de “O canto e as armas”(1969) – destaca no dvd que integrará também “Adriano Aqui e Agora” que “foi ele o primeiro a cantar os versos proibidos. Foi o mais corajoso. O primeiro a pôr-se em causa perante o regime”. O homem que fez frente à ditadura e que se entregou de corpo e alma à revolução depois do 25 de Abril é o Adriano que melhor se conhece. (…) Como aponta Henrique Amaro (o radialista director artístico do projecto), ancorando no poema que Manuel Alegre dedicou ao amigo, onde se lê “ Era a tristeza dentro da alegria / era um fundo de festa na amargura”, em Adriano Correia de Oliveira “tudo é feito em dualidade, nada é fixo”. (…) “O Adriano foi o grande amigo do Zeca Afonso. Criaram um estilo novo, que foi o pontapé de saída de uma nova música portuguesa”, destaca Arnaldo Trindade [fundador do Orfeu, a editora onde Adriano gravou toda a sua obra]. “Foi cantor, compositor e letrista e, além disso, trouxe novos valores à editora” (Francisco Fanhais, José Niza, Sérgio Godinho, Fausto). (…) É este Adriano Correia de Oliveira que urge conhecer. O de que Arnaldo Trindade fala nestes termos: “Jacques Brel e Juliette Gréco são ícones que transformaram a música dos seus países, o Adriano e o José Afonso fizeram o mesmo em Portugal”.
(…) Vinte e cinco anos após a sua morte, em Avintes, nos braços da mãe, vítima de hemorragia esofágica (aos 40 anos), os que não o acompanharam no seu tempo vêem dele pouco mais que sombras esbatidas. “ Adriano Aqui e Agora - O Tributo” pretende que as sombras se desvaneçam para que o retrato real se revele. Para que Henrique Amaro não tenha que perguntar a si mesmo: “Num país tão precário de sonho e ambição, como é que se mantém esquecida a obra de Adriano?”.
(…) Não são necessárias comemorações ou homenagens públicas. Basta ouvi-lo. Basta ouvir-lhe a voz e a poesia que canta. Não somos nós que o dizemos, foi o que constataram ou confirmaram aqueles* que participaram em “Adriano Aqui e Agora - O Tributo”. Catorze vozes, às voltas com a música de Adriano Correia de Oliveira, a descobrir para hoje o que hoje esquecemos”.

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[isto são alguns excertos do artigo de Mário Lopes, Público, 28.09.2007]
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*Tim, Cindy Kat, Valete, Miguel Guedes, Vicente Palma, Ana Deus & Dead Combo, Raquel Tavares, Celina da Piedade, Micro Audio Waves, Mazgani, Margarida Pinto, Nuno Prata, Sebastião Antunes e Pedro Laginha.


terça-feira, setembro 18, 2007

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Dormi na beira do rio junto aos sons
De pássaros mil desatentos que brincavam
Sonhei os espantos escondidos das serras
Fervilhantes águas transparentes a cantar
(vi os teus olhos cobertos de cores eternas)

Trouxe de longe uma semente pura, luz
Para plantar um amor respigante e doce
Na sombra o anseio vil de que me afasto
Há trigais juras - eternas - em teu regaço

Vi terra húmida e verde e forte
Rios correndo num pranto doce
Até ao mar que emprenham quente
Deixando bermas de acaso e sorte

Foi desencanto já não é maior
Nem cresceria com tal esplendor
São rios, serras, amor e sorte
São vidas escritas em dor com cor

E o vento calmo que me acordou
Veio na aurora de fugaz durar
O tom perfeito da tua voz, soprou
Por entre os vales até me achar

Évora, 12 - 18 Setembro 2007

sexta-feira, agosto 17, 2007

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José Cid e o sentido da Vida

[Essa felicidade é contagiante, A. Só tu para me fazeres rir desta maneira e me deixares lamechas ao ponto de escrever isto num blog.
Canta, continua a cantar desafinadamente e a rir do outro lado da linha, é isso e apenas isso que importa e nada, mas nada absolutamente mais, amiga. Quais criancinhas a morrer de fome em África?!( não me 'livro' desta ironia irritante, pá..)
Hoje morreu alguém próximo. Lembrei-me da Sónia e a tristeza veio. Mas a tua canção, e esses pés em cima da secretária - que imagino descalços, certo? - afastam a sombra, a nebulosidade do trágico. Tenho a certeza que ela se riu bastante nesse ponto. Se essa tua beatice pegasse, não me importava de ser contaminada. Mulher, que leveza!, e não te vejo há muito. Olha, quando eu morrer, lembra-te deste dia e da tua voz a desafinar no fim, lembra-te do brilho dos meus olhos do lado de lá da linha e da distância que (nunca) nos separa, lembra-te da cor da felicidade nos segundos que durou a tua imitação fraquita de um qualquer cançonetista ligeiro da nossa praça! Pode ser? E descobrir entretanto que a felicidade se pega através das ondas invisíveis de telemóveis de segunda geração, já me fez ganhar o dia.
Ah...e também descobri entretanto, que os The National são patéticos e sublimes, porque li isso algures, e se calhar é verdade. E passo a citar, porque não resisto, e porque eles são (não são nada, mas enfim!) o meu José Cid:" Estamos cheios de merda o tempo todo. Mas isso também é honesto, ser absurdo e ser estúpido. Se uma canção for demasiado séria e auto-obssessiva, paramos logo com ela e dizemos: 'Isto não tem suficiente estupidez, isto não tem suficientes patetice e tontice honestas"'. Pôrra, pá! Sinto-me em sintonia perfeita com estes tipos!! Sublime e patético.
E para acabar, deixa-me que te diga: vai ligando, miúda! :)]

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quinta-feira, agosto 16, 2007

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Náufrago: em tua

Náufrago: em tua
vida oculta
se anuncia a luz.

Desenterrada
da sombra
uma nova alegria.

No silencioso ar
gritam os mortos
é aqui a terra.

Mas teu rosto
quebra o tédio imutável
o obscuro dialecto.

Despertas-me, escuto
o mar, o vento,
transparente como a noite.

Na semente dispersa
brota a memória
de uma dócil casa
conhecedora já
dos dramas do universo.

AMG, Canções com palavras, Gótica, 2002
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terça-feira, agosto 07, 2007

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Um torpedo chamado National

Têm no máximo um vigésimo dos adeptos dos Arcade Fire, mas é como nos anos 60, entre Dylan e Cohen: qualquer um gritava "Dylan é Deus", mas os seguidores de Cohen não precisavam de berrar o nome do mestre: reconheciam-se entre si pelo cheiro, pelo instinto. Gente da estirpe de Cohen, de frase afiada, amarga, irónica e sem lições sobre a vida (que nos Arcade Fire, por trás da fachada de proximidade com "os miúdos", está sempre presente) a pender de uma melodia frágil, aparece muito de vez em quando: no caso dos National, com esta fundura, antes apenas houve os Tindersticks, e antes destes Cave e antes dele Cohen. E é por isso que em vez de energia ou felicidade nos corpos das gentes que enchiam a tenda do palco secundário do sudoeste havia tensão: porque os pedaços de porcelana que são as canções do quinteto nova-iorquino, por mais belos que sejam, cortam quando demasiado apertados. Entraram como se estivessem na sala de estar dos amigos, Matt Berninger entre o estático e o cambaleante, com uma fortíssima Mistaken for strangers transformada em combustível para guitarras galopantes, atiraram a explosiva Secret Meeting (de Alligator, o álbum anterior ao mais recente Boxer) para o meio do mato - e antes que alguém apagasse o incêndio e recolhesse as canas, entremearam a granada de Lit Up com a falsa serenidade de Brainy. E à quarta ou quinta canção o altar de devoção aos National estava erguido, os rapazes canonizados e a data marcada nas calendas da santidade: a hora nocturna (entraram às duas da matina) ajudava à sensação de intimidade, o povo não estava sereno, Matt Berninger atirava as goelas contra o microfone. Os deuses sabem - e os putos também - que o rock precisa de espinhos e só esmagando espinhos à força de ruído de guitarras poderá o rock encenar a sua função redentora. Uma hora de concerto, sempre entre Alligator e Boxer, e mesmo as canções que em disco devem mais à orquestração foram, em palco, transmutadas em furiosos petardos de força: como se aquilo tivesse de sair ali e naquele instante. Canções que vivem do desconforto, do sentimento de desadequação em que cada personagem de cada canção é colocada, canções que vivem na vizinhança do decadentismo, trepavam a escada de Job a pulso para explodirem no pico, como em "Abel", com o verso (bastante representativo do que rumina no fundo destas canções) "My mind"s gone loose inside its shell" cantado por toda a santa alma presente naquela tenda. Chamar-lhes indie-rock é quase pecado: em disco podem ser orquestrados, épicos, melancólicos, patéticos, ruidosos ou sussurrantes. São demasiado literatos para virem a ser grandes, mas ontem, para os sobreviventes naquela pequena tenda, foram nitidamente a melhor coisa que lhes aconteceu na vida. Já houve outras coisas assim e outras haverá, mas por vezes dá vontade de mandar a racionalidade às urtigas e dizer: melhor banda indie ao cimo da terra. Mas sem gritar, claro.

João Bonifácio, Público, 07.08.2007
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B-Side
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"Fiquei triste com o concerto dos National no Sudoeste. As músicas sucediam-se e eu - isto é roto mas eu sou menina - sentia uma bola fria a crescer no estômago. A confirmação de que, pelo menos para mim, estava a ser uma desilusão. Já tinha imaginado que pudesse não ser tão magnífico ou memorável como o concerto que pude ver deles em Maio, em Berlim, durante o qual me emocionei verdadeiramente. Músicas como o Fake Empire, Soho Riots ou About Today tiveram uma leveza e, ao mesmo tempo, uma consistência que não sou capaz de explicar em palavras. Mas sei que foi muito diferente das versões atabalhoadas que vimos no Sudoeste. Adoro a banda como há muito tempo não adorava uma banda ou artista, mas sou incapaz de escrever ou pensar coisas como «não se ouvia a voz, ele esqueceu-se das letras mas foi muito bom». Não foi - pelo menos para mim. A banda (os outros rapazes) estiveram geralmente bem, mas o nosso amiguito (que entrevistei horas antes do concerto, numa conversa em que o homem não podia ter sido mais simpático, empático ou disponível) estava noutro sítio qualquer. Não se trata apenas de cambalear, isto ou aquilo. Não se ouvia a voz (culpa do som daquele palco, naquela noite, também), não intervinha entre as canções (o guitarrista tentou substituir-se-lhe mas o microfone nem parecia ligado), «fugiu» na última música, arruinou a «About Today», que é tudo menos música para risadinhas. Safaram-se as mais eufóricas e extrovertidas porque, enfim, vivem mais da adesão e do delírio populares do que da performance do vocalista. E esse foi o único aspecto perfeito da noite: o pessoal que estava lá para vê-los, cantá-los, senti-los. Eles, os fãs, deram tudo; os National, ou em particular o Matt Berninger, não. E não deve haver ninguém a quem custe mais escrever isto do que a mim. Até derramei duas ou três (pronto, quatro) lágrimas com a decepção que senti. Estou a falar o mais a sério que posso. Se calhar o concerto não foi desastroso, mas para aquilo que gosto da banda, e para aquilo que já tinha visto deles, ficou muito aquém das minhas expectativas (que nem eram assim tão altas, como tentava explicar ao moonshiner antes do espectáculo). Espero que cá voltem e que o menino beba menos. Sim, ele é conhecido por dar-lhe na pinga, mas tende paciência. O gajo em Berlim bebeu, em palco, uma garrafa de vinho e no final do concerto ainda se lembrava do nome. Preferia ter apenas falado com eles e ter-me conservado naquele estado de histeria de fã / deslumbramento / euforia por estar ali rodeada de gente que adora aquelas canções. Não guardo boas memórias do concerto em si, mas de tudo o que se lhe antecedeu. Adorava ter visto o concerto que o João Bonifácio relata hoje no Público. Aliás, vi mesmo – mas em Berlim, não no Sudoeste. No entanto, fico contente por pessoas por quem muitíssima estima tenho, como o senhor Cristiano, Dona Leonor ou Mestre Moonshiner, terem gostado. É que prefiro pensar que sou eu a esquisita, do que acreditar que o concerto foi assim, como foi. (...).
PS - Caso não tenha ficado claro, continuo a adorar a música deles. E os concertos, quando são bons. E a oportunidade de falar meia-hora com um gajo cujas letras me encantam."
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Lia (jornalista), Fórum Sons, 07.08.2007
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