sexta-feira, agosto 27, 2010

...um dia bom

após 8 dias de regresso ao trabalho, tive um dia bom. e porquê? porque fui fazer aquilo de que gosto mais, visitar instituições. desta vez, alentejo profundo, a cereja no topo do meu bolo de concelhos a visitar. e ao 8.º dia passaram-me as febres e o mal-estar, a corzinha amarelada, a cabeça azoada. penso que a síndrome se foi. importa realçar que daqui a uma semana, precisamente, estarei novamente de férias. não quero sequer pensar no regresso. mas trarei novo remédio para a apatia, de certeza, ouvi dizer que observar baleias pode ajudar. bom, ontem, a meio da coisa, aparece-me a Maria Rosa à frente: olhar tímido e choroso, olhou-me com a cabeça inclinida para o chão e sorriu muito no meio das lágrimas que limpava à pressa. não percebi nada, no imediato aquilo pareceu-me uma cena surreal: "empurraram" a Rosinha para dentro da sala, para falar comigo, para eu lhe dizer que o Isidro lhe mandara beijos e bilhetes para a tourada! what?! quando a Rosinha circundou a secretária e se aproximou muito de mim, percebi. levei 3 abraços enormes e fofitos, pá, festinhas nas mãos e um piropo "tem uns olhos muito bonitos.." (não tenho) e olhou-me muito com um sorriso aberto e lindo, ó diacho, fiquei derretida. deixei-a abraçar-me num aperto suave e meigo e agarrei-lhe nas mãos para lhe elogiar o verniz. e depois os olhos, os dela sim, lindos. é que a Rosinha estava vestida como as funcionárias porque gosta de ajudar lá no Lar, e eu baralhei-me com o primeiro abraço. a Rosinha é esquizofrénica e vive ali há 10 anos. tem 46. foi maltratada a vida toda até ir para ali. tem um namorado imaginário, o Isidro e adora touradas! eu vim trazer bilhetes para a tourada. ela chorava porque não sabia quem eu era e teve medo quando passara por mim no páteo. tiveram de a mandar vir falar comigo para eu a acalmar. e acalmei. e ela a mim. obrigada Rosinha. penso que recuperei da síndrome.

segunda-feira, agosto 23, 2010

é só mais um dia mau...?

ok. a porcaria da síndrome não me passa.
na sexta-feira agarrei na trouxinha - 3 mudas de roupa apenas - e lá fui eu rumo a Serpa. o que havia em Serpa? nada de mais, apenas uma feira medieval a animar a cidade durante 3 dias. mas eu gosto destas animações de sorriso amarelo e...até foi divertido.
fui sozinha, cheguei tarde, encontrei o último quarto para alugar na residencial Virgínia e fui passear pela cidade. dizem que sozinhos estamos mais expostos, mais vulneráveis, mais disponíveis, mais simpáticos, mais atraentes ao olhar e atenção dos outros. dizem que sim e eu acredito. conheci o Dryss, que me ofereceu tagine. recusei por educação mas combinei voltar no dia seguinte para um chá de menta. voltei no dia seguinte e bebemos chá, comprei-lhe uma carteira com 3 euros de desconto e conheci os outros marroquinos, o peruano, o tunisino, o minhoto...e valeu a pena a minha viagem. nessa noite já tive companhia de uma amiga, mas sei que ficaria bem sozinha com os meus amigos muçulmanos, em fase de ramadão. foi bem porreiro falar com eles, sobretudo com o belo, com o surfista e mais tarde com o peruano. sim, havia um belo, e um surfista e um peruano sabido e cheio de humor (grande análise sobre as mulheres portuguesas, espanholas e italianas) mas do que gostei mesmo foi do que me contaram, da forma como o surfista me descreveu o jejum, os desportos que praticava, as ondas, as praias de Agadyr e o surf, a sua descrição dos efeitos do jejum, a sua pose séria com o prato de tagine à frente e nunca lhe tocou enquanto ali estivemos sentados à porta da sua "tenda" até às 3 e tal da manhã. tinham tapetes lindos e caros para o meu bolso, baratos para o que representam. mas nunca nos impingiram nada, perceberam logo que não tinhamos dinheiro e foram simpáticos, cordiais e conversadores. o belo descreveu-me a sua visão dos europeus sem altivez, mas com a noção clara de que nós não somos os "desenvolvidos". e eu fiquei com a noção clara de que nós não somos, efectivamente, os desenvolvidos. falou-se das poses dos povos. gostam dos portugueses. falou-se do deserto e da sua beleza, do impacto sobre nós. dos berberes. o belo era berbere. os berberes são belos. falou-se da imaginação e criatividade de quem tem tão pouco. do artesanato. tão pouco temos nós, ao pé deles. senti-me parte de uma parte de uma Europa pretensiosa e idiota. senti-me parte de uma parte cheia de ideias pré-concebidas como as que tinha. lembrei-me da experiência da minha amiga há uns dias em Agadir e da família que a acolheu e acarinhou. nunca fui a Marrocos mas tenho a certeza que irei. agora sei. e também sei que há quem ache aquilo perigoso, e pode ser, como a nossa A25 em dia de nevoeiro. e sei bem que nem tudo é belo, mas a palavra e a honra da palavra, a forma como os jovens vivem o ramadão - quem dos meus amigos passava um mês sem comer e beber até ao pôr do sol, sentindo na pele a necessidade e carência dos que pouco têm, sentindo como é viver com quase nada, limpando corpo e espírito de todas as impurezas que deus também deixou aos homens? no fundo, a minha foi uma viagem de contemplação e admiração, de respeito pelo diferente, e sobretudo, de carinho e tolerância. ninguém se atirou a mim, os elogios fazem parte da coisa e de forma respeitosa, estivemos ali a conversar e a trocar umas ideias sobre factos da vida, do mundo e da humanidade, não como amigos que não somos, mas como gente civilizada e educada que partilha o mesmo céu e o mesmo mar. e chega.
depois deste fim de semana é claro que a minha síndrome se agravou quando confrontada com os ofícios e actividades do serviço público que sirvo. estes cada vez mais me mostram que não fui feita para estar atrás de uma secretária a chamar a atenção de instituições para cumprirem as suas obrigações para com quem lhes paga - todos nós - ainda que isso seja necessário e tenha de ser feito, porque é assim que a minha sociedade se organiza e quem sou eu para agora discorrer sobre a validade deste funcionamento...o que eu sei é que devia estar em Agadir, debaixo do céu que nos protege, o tempo suficiente para conhecer o que me seria necessário conhecer e partir de novo para um outro lugar. porque eu só estou bem aonde não estou.
que "isto" me passe e eu volte de novo a entrar na engrenagem, de preferência sem pensar muito sobre a mesma. OXALÁ.

sexta-feira, agosto 20, 2010

síndrome pós-férias

há mais ou menos uma semana que me encontro doente.
faltando-me a medicação adequada, o tratamento certo, resta-me aguardar que isto passe.
saber que somos milhões ( é impossível não sermos milhões) a padecer do mesmo mal, dá-me algum consolo e impede o aumento da minha comiseração.
bem, vou ver se trabalho.

quarta-feira, agosto 18, 2010

é preciso fé

.
para te amar


para te um dia ter





para cuidar de ti


de mim


até o nosso encontro acontecer


até olhares atento


e reparares na forma como eu levo o dedo à boca


e roo o seu canto como se roesse a unha


e esse movimento se torne sensual e te apaixones por fim.


és esta platónica sensação que permanece


omnipresença leve em brando lume (me) aquece


por vezes quase esquecida


porque meu amor, tu


ainda não olhaste e

não viste


o meu dedo a aproximar-se da minha boca e o improvável


no movimento inócuo e banal será


o dia que te apaixones assim.


é preciso fé para te amar.


não anseio paixões de homens bons ou assim-assim


se minha for esta verdade eterna


a de aprender a aguardar-te


ainda que nunca teus olhos reparem em mim.


segunda-feira, agosto 16, 2010

domingo, agosto 15, 2010

os que sonham
os que verdadeiramente sonham
para os quais o sonho é presente
os que sonham demasiado e intensamente
aqueles que sabem não conhecer outra forma
e vivem colados ao sonho ou com o sonho colado a eles
que têm clarões de lucidez fugazes mas certeiros, inevitáveis e cruéis que
lhes dizem que sonhar é viver à espera de ser feliz e desejar mais do que tudo
o que até medo têm de desejar os que sonham
onde, quando, alguma vez
terão lugar seu na realidade das coisas que estão?
os que sonham sonhos perfeitos azuis
e (não) sabem onde  encontrar outro lugar
algum dia esses
esses algum dia, deixarão de sonhar?

.

o rescaldo

de volta a casa.

vasos partidos, plantas perdidas, gatos ariscos visitaram o meu pátio. tristeza. invasão de formigas pela casa fora.
hoje é domingo e amanhã regresso ao trabalho. claro que estou de ressaca. quinze dias fora e sempre on the road: Sines, S. Pedro do Sul, Oliveira de Azeméis, Porto, Lisboa, Sagres e Barreiro.

Notas de Viagem por ordem de passagem:

Sines: para começar com boa música e bom ambiente. talvez cheio de mais, mas aguentei bem disposta.

S. Pedro do Sul: Andanças de 3 dias, com pouca dança, muita preguiça, muitas compras de pulseirinhas e afins, descobrir praia fluvial no último dia sem 300 pessoas à volta.

Oliveira de Azeméis: pai, tios, mano e boa comida. Pouco tempo, mas o suficiente para matar saudades e arranjar umas coisinhas no carro, que está ainda na garantia.

Porto: uma só noite na casa do mano para me deitar às 9:30h da manhã! o Porto mete Lx debaixo de um braço assim sem grande esforço: esplanadas e bares, gente animando as ruas bonitas do centro, fiquei parva! la mobida chegou e espero que para ficar. o mano diz que o Porto é noite e pouco mais. talvez....já Évora nem noite nem pouco mais.
pormenor: jantar numa casa de pasto explorada por malta nova com bom gosto e boa cozinheira, acabar a noite com amigo da casa e malta que explora o espaço, acolhedores e simpáticos. o amigo da casa, bem....diz que está apaixonado e quer vir a Évora. surpresa das férias. ah...conheci a praia de Leça e Matosinhos antes de me levarem a casa de manhã.

Lisboa: não conta porque foi de passagem para casa da mãe que nem vive em Lx.

Sagres: ora bem...3 dias de praia com água quente (!!!!!!!!) e sem vento. ao 4.º dia uma nortada dos diabos que me impediu de dar último mergulho naquele mar maravilhoso. para desforrar, no regresso, parei na praia do Amado (alguém conhece?) e fiquei......sem palavras. praia do Amado (Carrapateira), 10:30h da manhã, indescritível - há tantos anos a ir para Sagres e nunca lá tinha ído. tenho a certeza que sei onde vai ser a minha próxima escapadela de Outono. e cada vez mais cheia de vontade de me inscrever numa escola de surf. começa a ser mais do que uma ideia daquelas que rapidamente se arrumam num cantinho qualquer da casa onde moram os pensamentos. resta saber como ficarei num fato de surfista, pois claro.

Barreiro: matar saudades da Ana. e sem esperar, café com a minha primeira grande paixão platónica, a dos meus quinze aninhos, o Alexandre. os 3 em 3 horas de conversa animada. temática: as relações humanas. what else?

back to Évora, formigas, plantinhas lindas que morreram, telefonemas do Porto madrugada dentro que me trazem de novo inquietação. não sei se me quero apaixonar. não sei mesmo.

ps - agora já só penso no dia 3 de Setembro e na minha soul trip pelas ilhas mais belas do Atlântico.

domingo, agosto 01, 2010

FMM 2010

staff benda bilili
sines 2010
sem comentários
só indo..

quinta-feira, julho 29, 2010

quase de férias

eu no meu sofá e uma amiga em Londres a cozinhar em directo através do skype.
eu navego e procuro coisas para me distrair e encontrei esta bela capa.
aparece um housemate italiano que conversa com ela enquanto eu apareço de cuecas no sofá. lá virei a câmara. ele de qualquer modo só disse olá.
continuamos no skype e já não falamos muito, as duas. ela pode ver-me enquanto me distraio. eu posso vê-la enquanto ela cozinha. ela vai jantar com a amiga e eu oiço-as e vejo-as comer. fuckin' weird. era suposto eu estar a trabalhar que amanhã last day before freedom. férias. em vez disso, estou aqui na companhia virtual/real/sensorial/tecno-funcional das minhas amigas. fuckin' weird. era um bocado isto que eu se calhar andava a adiar há anos, até que não resisti a por net cá em casa. por causa dos amigos longe, cada vez mais longe de mim, espalhados pelo mundo. fuckin' weird...sou antiquada.
e depois até gosto de as ouvir e ver como se estivessem aqui ao pé de mim. e depois não sei se gosto assim tanto.
bem, vou rir-me da capa do disco mais um cadinho.
e amanhã.....dia de trabalhar que nem um cão e depois.....AHHHHHHH....ahhhhhhh!!!!ahhhhh!!!yeah. right..cool.



Country Church Pictures, Images and Photos

domingo, julho 25, 2010

sexta-feira, julho 23, 2010

terça-feira, julho 20, 2010

brilhante




How to feed the world ? from Denis van Waerebeke on Vimeo.

se eu pudesse

declarava-te o meu amor platónico.
se eu pudesse dizia-te que ele é sereno
mas não posso.
nem quero.
e se quero, não posso.
se eu quisesse mostrava-te como poderiamos dar as mãos
mas não posso.
vou dormir.
talvez sonhe contigo.
se eu pudesse
quisera eu.

o que é nacional

é bom. também.

quando era miúda, lia bastante. porque não era rica e não tinha muitos brinquedos, talvez.
lia sobretudo autores anglo-saxónicos, livros que os meus pais lá tinham em casa, e cujo número aumentava consoante as trocas que o meu pai fazia com outros vendedores. ele era vendedor de livros. esteve em algumas editoras, e acontecia por hábito os vendedores das diferentes editoras, trocarem as novidades entre si. por isso havia tantos livros lá em casa. ora, a leitura foi condicionada pelas trocas, mas também aquisições do(s) meu(s) pai(s). passei pela escola, entenda-se secundário, a não ler os autores obrigatórios no programa de português. nunca me apetecia ler esses livros, chegava a casa e queria era ler os que lá tinha. Camões e Eça ficaram na gaveta. li as Viagens na minha Terra, talvez o único inteiro, de princípio ao fim, e pode bem ter sido porque me senti na obrigação de o fazer, vá lá, pelo menos um - ou porque se não o lesse, não conseguiria passar na disciplina? lembro-me do Eurico, o Presbitero e de como esse apelativo título me deixava paralisada das mãos. e dos olhos.
pois bem, eu ler lia, mas não lia autores portugueses. passei anos sem o fazer. depois do secundário, vieram os tempos de universitária e perdi-me em noitadas de borga e convívio, chegada à cama eu queria era dormir, e comecei a deixar de ler. lia cada vez menos. lia mesmo muito pouco. ao ponto de perder o hábito de pequenina, de ler sempre todos os dias. era como comer. era mesmo. mas deixou de ser.
com isso, os portugueses, os autores, ficaram ainda mais esquecidos. ou melhor, eu esquecer nunca esqueci, na verdade sempre pensei que iria ter tempo e vontade de pegar no Saramago, no Torga, na Sophia...no Eça.
mas os cinco anos de universidade deixaram-me inerte. até que um dia, chegaram os dias de melhor vontade, e comecei a ler autores portugueses, os nosso escritores...Lobo Antunes (não consegui), Sophia (quem não consegue?), Al Berto (umas coisitas), Herberto Helder (não estou ao nível e sou preguiçosa, os passos em volta que me ofereceram desapareceram da minha estante, não sei quem mos levou..), José Luís Peixoto, Nuno Júdice, Florbela Espanca, David Mourão-Ferreira (o amor feliz, tão bom), Mia Couto (nunca acabei nenhum), Gonçalo M. Tavares (li um tão pequenino, foi para me iniciar, e nem lembro o nome), Eça de Queiroz (li os Maias em 2009!!!), um cheirinho de Miguel Torga...basicamente, e tirando mais um brasileiro de que gosto bastante, Bernardo Carvalho e o Mia Couto e o Agualusa que espreitei, não li nada de jeito na minha própria língua. claro, ainda vou a tempo, se conseguir passar menos tempo na net ao serão. e reconhecer que só se vive uma vez com estes olhinhos que a Terra há-de absorver, e o melhor é fazer-me à estrada que se faz tarde. tudo isto para dizer que, obviamente, perdi muito por não ter lido autores portugueses quando ainda lia todos os dias e que agora que me sinto mais próxima da redenção, tenho a noção da enorme qualidade dos nossos autores e de como, obviamente, o que é nacional é tão bom quanto o estrangeiro.

passo já para a música, porque é aquilo que me trás aqui hoje: a nossa música. essa sempre ouvi, e gostei, mas de muito pouco, muito pouco. as minhas influências e gostos foram claramente marcados pela cultura literária e musical anglo-saxónica. eu era mais a pop britânica e norte-americana, o rock também. ainda hoje...mas hoje, sei bem o que se faz por cá e sei bem que a qualidade dos nossos músicos é boa, é muito boa.

Bernardo Sassetti e Aldina Duarte. e tenho dito. ou melhor, vou repetir: Bernardo Sassetti e Aldina Duarte. o primeiro já o vi em concerto, a segunda ainda não. o primeiro é brilhante, dispensa apresentações, basta clicar no you tube, ou no google e percebe-se. a segunda basta que se veja o documentário do Manuel Mozos, a princesa prometida. e chega para se perceber, também. estamos perante uma fadista emocionante e genuína. e o documentário é um mimo, e o autor é português. podia continuar aqui a descrever mais coisas, mas não vou fazê-lo. porque sei que não preciso. o que precisei foi de mostrar aqui a minha....nem sei como chamar-lhe.

anyway, nunca é tarde. e não há nada que se compare a um verso de um poema do Ramos Rosa, e como a sua leitura pode levar ao título de um blogue, dar-lhe o nome de um poema seu. e na nossa língua. nada que se compare. só talvez a entrega de Sassetti ao piano, ou do Burmester. ou mesmo a alma lusitana inteira na voz da Aldina e a sua força. ou ainda...

sexta-feira, julho 16, 2010

me ditar

segunda vez e doeram-me as costas ao ponto de não me concentrar e daí não ter sido tão bom mas ainda assim vou voltar porque ela tem um carisma e um senso de humor que me enchem as medidas e me fazem sorrir.
gostei da ameixa no fim, do beijo no início, dos sons, da brisa que vinha da janela.
e de novo, a constatação de que há qualquer coisa naquela casa...
p'rá semana quero mais.

quarta-feira, julho 14, 2010

um dó li tá


dica: é muito verde e tem muito mar


dica: é muito verde e tem muito mar

uma é cá mas não é bem
a outra fica mais além
e não sei p'ra onde vou
seja onde for
parar
eu
vou

domingo, julho 11, 2010

viva la españa

bueno, nuestros hermanos mereceran ganhiar.
tengo dicho.

terça-feira, julho 06, 2010

terça-feira hermética

hoje uma amiga desiludida, iludida?
tanta coisa ilusão.
olhares que se desencontram, olhares que se cruzam.
olhares suspensos por força do que tem mais força
alguns aceitam o sacrifício naturalmente
sacrifícios
hoje 
de ocidental senhora e sua inadvertida melancolia
tudo fez como devia
oh, branca senhora cristalizada na sua vida em papel de arroz
não fazer lume perto
queima
arde
soprar para longe e devagar
ou deixar estar
há os de gáudio fácil e simples
desprezantes do normal
também brancos como cal
iludidos?

"um olho o diabo o outro olho deus"

ensinem-nos a ser livres.

segunda-feira, julho 05, 2010

segunda-feira mood

independentes, fortes e tristes, she said.

domingo, julho 04, 2010

viagem...

...até Montemor, espreitar o evento Cidade PreOcupada para acabar a noite a dançar ao som do DJ Ride, no páteo de um antigo convento. Noite quente, som sempre a abrir, já sabia que ele era dos bons, mas nunca tinha presenciado o moço em acção e fiquei deveras surpreendida: dj ride's freakin' cool  \m/

...até ao sofá, para não fazer nenhum que está um calor dos infernos e nem para andar a arrumar e limpar a coisa está decente

...até à TV, long time long see, para ir vendo o filmezinho desta tarde na SIC e que os teenagers puseram no top, crepúsculo. so whitties, so cute, so american

...até à feira right know que já são 17:30h, último turno, gotta run!

terça-feira, junho 29, 2010

29 de Junho

hoje o meu mano lindo faz anos. se ele vier aqui ler isto vai-me chagar. azarito. no meu blogue posso estar à vontade e escrever estas coisas dengosas e com algum azeite à mistura.
mano lindo, és muita giro, tens muita pinta e fazes tão bem aquilo que fazes que és o meu orgulhinho!
já para não dizer que és inteligente pra xuxu, escreves bem pra carái e és teimoso que nem uma burra. também não tens jeitinho nenhum para fazer "coisas" (certas coisas) com as mãos o que é bem engraçado (quando eu te mandava almofadas e ainda assim elas caíam ao chão? remember?) bah..hahahaha..!!!
parabéns pelos 35, espero que chegues a velho enxuto e sem grandes maleitas para poderes cuidar de mim, sem memória e chata como tudo e ainda pior, as we well know, life's a bitch;)
espero, que um dia te reconheçam como ao Saramago para me pagares uma volta ao mundo durante 3 anos e para que possas finalmente ser livre às custas do dinheiro e da fama. espero, que o que acabei de dizer não signifique que me desvie do meu caminho através do que já começa a fazer muito sentido que o resto é balelas e nada tem que ver com dinheiro. (vómito) by the way, grande vómito, aquele do CCB...
olha, vemo-nos pouco, falamos pouco mas sabes bem que te amo do fundo do meu coração. um bêjo nessa bochecha, mano lindo.

domingo, junho 27, 2010

domingo

ora bem...o que vai ser hoje?...?..

domingo à tarde, 4 canais e nada de jeito, navegar na net e ver sempre os mesmos blogues (descobri um novo e interessante ) porque não tenho grande imaginação, preprarar a mente para sair de casa pois há que feirar e trabalhar na tasca da associação. boa experiência, a da feira: fala o essencial, não faças má cara, não rezingues ou critiques, sorri e vai para casa antes da terceira caipiroska, sem pensar muito nele. casa desarrumada, who cares, pensamentos filosófico-esotérico-místicos vs luxúria, preguiça e alguma gula. parece que vai chover (!)..great.
ah...é bom estar vivo. ironia free.

domingo, junho 20, 2010

o cinema paraíso nas matinés cinéfilas

Pode parecer suspeito, mas confesso que o ponto alto do meu fim de semana foi ter ído ao Redondo este Domigo assistir pela primeira vez a uma matiné cinéfila. Isto foi decidido ainda durante a semana. Eu já conhecia e sabia do sucesso das matinés cinéfilas do Redondo (ou de Redondo), que ecos positivos há algum tempo me chegavam dessas paragens e da ideia da Paula Soares e do Takis. Oferecem à população e interessados no geral, no espaço fabuloso que é o do Centro Cultural do Redondo, sessões de cinema um pouco diferentes, aos Domingos à tarde.

Percebi há pouco, falando com o Takis, que a ideia foi a de trazer alguém ligado aos filmes exibidos, de preferência, ou alguém que não estando directamente ligado aos mesmos, participasse na tertúlia que sucede ao visionamento.
Trata-se de um projecto de amantes de cinema para todos os curiosos que gostem de assistir a bons filmes e/ou participar numa boa conversa em redor dos mesmos, pelo que entendi. Uma coisa informal. A mim há muito despertara o interesse em dar uma espreitadela, e de tanto adiar, hoje lá fui. Entusiasmada.

O filme desta matiné foi o Cinema Paraíso, de Tornatore. Melhor do que rever esta belíssíma e consensual película, era difícil. Não disse a ninguém se gostaria de me acompanhar, por dois motivos:
1- queria ir sozinha
2- duvidei que alguém estivesse disposto a percorrer 33 km até ao Redondo, numa amena tarde de Verão (começa amanhã, mas..), "só" para rever o Cinema Paraíso.
Posto isto, aguardei pela tarde de hoje como os miúdos que sabem que vão à praia ou que os pais lhes vão comprar o par de ténis tão desejado (ok, não foi com tanta intensidade, há um certo exagero nas minhas palavritas mas, foi mesmo o ponto alto do meu fim de semana e este nem foi sossegado...) e pelas 15:30h rumei ao Redondo. A viagem foi também aprazível para o espírito, inquieto , triste, não infeliz, com laivos de serenidade até, e ainda que a Primavera tenha gentilmente cedido a sua posição ao colega Verão, não deixou de me apaziguar a vista das searas alouradas pelo sol e acariciadas na brisa meiga...dia perfeito de Verão, fossem muitos assim os que estão para vir.
O mau momento da tarde aconteceu quando me transformei numa assassína a sangue frio, por força das Universais Leis do Acaso um pássaro voou no minha direcção e eu voei na dele, desgraçado...o meu carro foi demais para o bicho e a minha consciência ainda me pesou. Não tive tempo de nada, excepto matá-lo.

Cheguei ao Redondo right on time, mas antes disso, horas antes, não deu para ler tudo o que queria sobre Saramago no jornal de ontem. Não deu para ver a exposição de fotografia turca que só fica até dia 27, não deu para aspirar a casa e arrumar a restante roupa de Inverno, não deu para um café com um amigo disponível, não deu para ficar em casa a ler os 5 livros que ando a ler arrastadamente. Mas deu para ir às matinés cinéfilas do Redondo. É curioso, mas não me lembrava das últimas cenas do filme, o reencontro de Salvatore e de Elena, por exemplo...terei eu visto o filme, ou sonhei que o vi? A quantas coisas ou situações vi eu acontecer-me confundir o real com o imaginado? Algumas, por estranho que pareça.

Bem, o certo é isto: o filme que vi, ou revi, foi novo para mim. Desta vez vi uma obra-prima. Um filme especial, eu digo. Toca em tudo - amizade, amor, carreira, o cinema e o amor ao cinema.. Chorei, mas chorei à séria em algumas cenas e senti-me embaraçada porque no fim a minha cara iria estar uma boa coisa. Estava menos mal, creio. Mas reitero que desta vez vi uma obra-prima, e sei que filmes destes não se fazem muitos. Genuíno.

Takis ainda puxou por nós no fim, mas algumas das poucas senhora da terra que tinham ído à matiné, foram-se embora pouco depois...provavelmente os maridos ou os filhos aguardavam-nas para retomarem as suas posições no lar, mas todos concordámos na emoção que o filme transpõe, parece que todos chorámos, a dada altura, e eu senti-me menos piegas. Mais tarde, e chegada a Évora, percebi que estava com o período. Right.

Mas, aquilo que pretendo aqui deixar, talvez a mais emotiva cena da tarde, senão sentida na pele pelo menos no intelecto, foi quando a dada altura do filme me apercebo que há uma senhora idosa, sentada com mais um casal de idosos, que vai lendo incansavelmente as legendas do filme (longo, longo...) em voz alta, muito discretamente, aos outros dois. Os senhores eram analfabetos. Quando eu me apercebi, enlevou-se a minha alma. O amor e a generosidade que tanto procuramos está aqui, nas acções sacrificiais de humanidade que damos na direcção do outro, pelo outro, com o outro. Nessa altura, devo ter chegado à parte do filme em que chorar me fez doer um bocadinho o peito e sorrir ao mesmo tempo.

sábado, junho 19, 2010

.

domingo, junho 13, 2010

.
terrible love
.

quarta-feira, junho 09, 2010

foda-se.

depois de ler um texto de um blogue que descobri recentemente, fiquei deprimida. deprimida por umas horas. depois passa-me. mas até lá, vou ficar a remoer e esta noite já sei que vão ser só mais 5 ou 6 horitas de sono. há pelo menos 2 meses que não durmo 8 horas. por isso quase adormeço - já adormeci 2,5 segundos - lá no trabalho, por volta das 15:30h mais coisa menos coisa. quase todos os dias.

devo ter perdido muitas oportunidades de ficar calada, mas optei - é mais forte que eu? - por dizer o que me vai no pensamento.
contudo, parece-me que realmente nada como deixar o outro ir descobrindo quem somos, e não lhe darmos tantas pistas logo à partida....e o mais estranho, é que nem assim nos damos a conhecer, porque há coisas que não dizemos e só com o tempo o outro as descobre. normalmente, as piores, ficam guardadinhas. mas também há outras, que não se dizem e podem ser uma boa surpresa.
ser tagarela é mais forte, ou tem sido...já houve alturas em que nem um pio. para quase ninguém. e muito menos para gajos (outra palavra linda do meu vocabulário...gajo, gaja...não gosto, mas se não a disser, não estou a ser eu mesma..). ser tagarela é pois, sinal de que está tudo bem cá dentro, pelo menos isso. e fazendo uso de uma analogia idiota, uma vez disse isto a uma amiga: "mais vale gorda que maluca", e todas acharam um piadão, eu que até estava a ser sincera, mas vá lá, teve piada. e ela lá vai tomando os comprimidos que a engordam, mas não está maluquinha...não se deve a mim tal facto, apenas ao médico que a acompanha. eu limitei-me a ser sincera. assim, mais vale tagarela que deprimida, ainda que com isso, perca a oportunidade de estar caladinha e de ir deixando o outro descobrir-me. sempre me acharia mais piada...ou não!
(ai, hehehe, não resisti...:D)

foda-se.

(a sério que evito escrever palavrões, opá, mas o blogue é meu e assim comássim quase ninguém lê isto - pai? - e hoje é dia de dizer o que me vai no pensamento...sem merdas.)
amanhã deve haver mais. é o que dá ter net em casa...eu bem resisti...:/
.

domingo, junho 06, 2010

.
You mustn't show weakness
and you've got to have a tan.
But sometimes I feel like the thin veils
of Jewish women who faint
at weddings and on Yom Kippur.

You mustn't show weakness
and you've got to make a list
of all the things you can load
in a baby carriage without a baby.


This is the way things stand now:
if I pull out the stopper
after pampering myself in the bath,
I'm afraid that all of Jerusalem, and with it the whole world,
will drain out into the huge darkness.


In the daytime I lay traps for my memories
and at night I work in the Balaam Mills,
turning curse into blessing and blessing into curse.

 
And don't ever show weakness.
Sometimes I come crashing down inside myself
without anyone noticing. I'm like an ambulance
on two legs, hauling the patient
inside me to Last Aid
with the wailing of cry of a siren
and people think it's ordinary speech.

Yehuda Amichai
Translated by Chana Bloch and Stephen Mitchel
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quinta-feira, junho 03, 2010

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PAUS
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feira do livro 2010
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todos os anos acontece-me a mesma coisa, mais coisa menos coisa...começa a feira do livro e eu estou lá batida todos os dias. tenho de passar por lá, nem que seja por um breve momento, só para ver as barraquinhas, os livros. normalmente faço-o ao fim do dia, ou à noite. e muitas vezes ao fim do dia e à noite. não sei bem porquê, mas talvez seja apenas porque não se passa muita coisa interessante em Évora nos dias que correm. o lamento começa a tornar-se generalizado, tenho falado com mais pessoas que sentem o mesmo: "esta cidade parou no tempo".
e até mudaram, le chairman, a localização da feira. muita gente nem se apercebeu e os livreiros lixados. divulgação fraquinha, fraquinha...nada de novo. e o povo vai levando. eu já nem me posso ouvir a lamentar esta "política cultural"...rai's partam o homem, conseguiu esvaziar a cidade de interesses e dinâmica. onde anda a animação de rua? onde andam os artesãos e as suas banquinhas? onde está a rua viva e onde ficou o Vivá Rua? onde é o centro cultural digno dos habitantes e dos visitantes da cidade? e já agora.....porquê digno dos habitantes se foram estes que elegeram o homem?
a feira, dizia eu, tem um atractivo especial, que facilmente e sem grandes reflexões, me reporta à infância das feiras do livro no Parque Eduardo VII. que gozo me dava essa altura do ano, quando os meus pais lá estavam e eu e o Nuno íamos para lá brincar e ver a feira, andar por ali, no meio das gentes e dos livros, gostava sempre muito dessa altura do ano...para além desta razão, vejo ainda que é na feira que vou encontrando conhecidos e amigos com quem vou tendo 2 dedos de conversa, e por vezes até trocas bem interessantes, depende do conhecido que se encontra por lá ou do amigo. ou mesmo do estranho..
ontem saí do trabalho, passei por lá e acabei por ficar até à noite, jantei por lá com a Sandra, essa persistente empresária-livreira e ex-patroa de tempos ídos e com quem tenho sempre agradáveis trocas de palavras e opiniões. jantou-se, vim a correr a casa trocar de roupa e voltei num ápice para me encontrar com amigos, que não puderam aparecer, e acabei com outros - novas amizades quiçá? - por ali ouvindo um fraquito mas simpático quarteto de saxofones e, lendo à socapa, excertos de uma volumosa compilaçao de poemas de Nuno Júdice (quanto mais leio a sua poesia mais gosto de a conhecer) que não posso (ainda) comprar.

já tenho uma lista, em construção, que a feira ainda não acabou e ainda não vi tudo:

Alain de Botton - 1 de 3, não posso comprar todos, maldito dinheiro quando me tira a cultura...mas a malta tem de comer, não é?

























































Lao Tse - um livro do chamado pai do Taoismo, cujo nome agora me escapa, está na calha. Não é o Livro do Caminho e da Virtude, a grande obra, mas tem citações interessantíssimas. o meu lado místico desperta.


Nuno Júdice - Poesia Reunida (1967-2000)

Já comprei 3, e gastei apenas 11€:

primeira antologia de micro-ficção portuguesa, vários, exodus

a mão ao assinar este papel, Dylan Thomas, assírio & alvim

as dioptrias de elisa, António Gancho, assírio & alvim

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quinta-feira, maio 27, 2010

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isto é escrever

sem filtro
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segunda-feira, maio 24, 2010

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domingo, maio 16, 2010

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foals

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sexta-feira, maio 14, 2010

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um post dedicado às minhas amigas Ana Rita e Marina que vão para longe mas ficam no meu coração e no meu pensamento, que desta matéria é feito o meu amor pelos amigos, o leal e genuíno Amor, porque só assim faz sentido, e mostrando-o sem pudor. best of luck, birds;)
S.
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walk unafraid, baby...



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quarta-feira, maio 05, 2010

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definitivamente, o mais belo amor da minha vida, up until now...até tenho medo.
que não cresçam demasiado, que não sejamos muitos muitos a gostar assim. brr...

high violet
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segunda-feira, maio 03, 2010

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diário de uma viagem a quatro


eramos quatro rumo aos algarves e íamos com o desejo colado a nós, de coisas boas, harmonia, sol. a viagem correu bem, sem pressas e o destino prometia. a casa não era má, ainda se via o mar da varanda, mas foi aí que passámos menos tempo: entre a cama, a mesa e a casa de banho foi gasto o pouco tempo caseiro. a praia era o destino primeiro, seguiu-se o passeio por Alvor, a mini refeição gostosa, o longo passeio à beira mar e as conversas duas a duas, alternando-se os pares. e as conversas. soube bem, para começar. salvámos uma gaivota de morte lenta na areia...ela não se mexia, a pobre coitada. Sandra, tomou a iniciativa, que o coração é grande no que toca a animais, impossível deixar a criatura ali assustada. primeira noite de salvamento, jantar tardio, couscous que eram canja de galinha, mas feitos com o carinho da nossa Ana, a promessa da cozinha portuguesa...corrijo: da pastelaria made in portugal! prevejo coisas radiosas no futuro desta menina pasteleira to be. Londres cannot wait, and she's looking forward many many great things;) convencidas por Marina - um aparte mais à frente, afinal a nossa amizade está casada de fresco - e por Sandra, eu e Ana lá decidimos deixar a conversa de lado, as incertezas e o futuro a descansar um bocadinho, e ir sentir o presente com as nossas duas amigas, ir espreitar a noite que já se fazia (muito!) tarde. noite calminha, mas começava bem a banda sonora: Nirvana, Nirvana, Nirvana. Por todo o lado onde andámos, durante estes 4 dias,Nirvana. Por nós, tudo muito bem, explodimos no Dromedário com saltinhos e tudo, era a noite da despedida. Mas já lá vou.

2.º dia, prainha boa para começar em grande, um mergulho no mar ameno, azul e verde que me chamou para dentro, o primeiro mergulho do ano, sinto-me uma hindu a entrar no Ganges, esqueço as diferenças, porque este é um momento sagrado. agradeço aos deuses e volto a mergulhar, abro os olhos, sinto o silêncio, a água que me abraça e limpa das impurezas que acumulei...












depois da prainha, papinha, andámos sempre esfomeadas, longas horas sem comer e depois ficávamos  a dar para o esganadas....eu nem por isso, vá-se lá saber. fomos petiscar na Mesa do Capitão, em Alvor. eu simpatizei com o "ar" de um dos simpáticos empregados, o rapaz fez-me lembrar o Ruppert Everett , ar meigo. pedimos ameijoas, salada de polvo, salada russa com camarão, e agora não me lembro da outra coisa (?) mas estava tudo bom, em especial as ameijoas. tudo bem servido, no fim uma sobremesa para dividir pelas 4, merengue de morango, nham! os senhores ofereceram-nos uma bebida para a despedida, bem bom este fim de tarde. a seguir lojinhas, gastar dinheiro à grande e sem tino, eu com umas havainas douradas lindas, e logo a seguir as outras irresistíveis, a Marina com um vestido novo, a Ana com um vestido novo e a Sandra, comprou um lenço (quem diria, um lencinho apenas, hein?) esta foi a parte estranha da coisa, havia quem de nós não pensasse em comprar nada por estes dias e acabou com 2 pares de sandálias! puxa pá, é difícil resistir à oferta das lojas algarvias, that's for sure..fomos para casa já tarde, prepararmo-nos para uma noitada na Rocha, conhecer um  bar recomendado por um surfista muito querido, o Cool era o bar, que fazia festa de 6.º aniversário...a coisa prometia! primeiro, e depois de horas de preparo animado, passámos no Bolan, um bar em Alvor, igualmente recomendado pelo amigo do surf, e onde emborcámos umas morangoskas e umas caipirinhas, mas a animação aí não era muita, lá nos fomos para o Cool. de táxi, que a Ana queria estar à vontade para beber uns copos. do not drink and drive, babes. bem, o Cool animado estava, pedimos mojitos, mal servidos pareceu-me, e fomos para um espaço com menos gente apinhada, curtir a musica e os balões azuis. eu, exigente, achei o DJ mauzinho p'ra xuxu, mas ainda mexemos o traseiro ao som de Da Vinci(!), e os balões a dançarem connosco, afinal era dia de festa lá na casa, let's dance!! depois da Dina, ou seria a Dora? e do Dartacão, fomos até à porta da Catedral, a discoteca lá do burgo, tentadas a entrar, mas não entrámos. o som estava demasiado mau, e acabámos por ficar por ali. mas antes do táxi que nos levou de volta a casa, fomos ver a Lua cheia a iluminar aquele mar calmo e doce, ai praia da rocha, ficas linda sem ninguém (a minha primeira impressão da praia da rocha, foi há uns bons anos, quando o Filipe me levou lá num dia de Agosto...escusado será dizer que fiquei mal impressionada, embora a praia seja muito bonita, claro). Segue fotozinha sem grande qualidade, da festa dos balões azuis. as meninas dançavam e estavam belas.

 










Terceiro dia, dia de partida para Sagres - obviamente, e para quem me conhece bem, sabe que não podia estar ali tão perto e não negociar uma noite pelo menos, um dia pelo menos, em Sagres, a minha Sagres, sim, minha, há-de ser sempre, e quando eu morrer, gostava de deixar lá ficar o meu corpo e a minha alma, junto daquele mar, do vento, das escarpas, dos cactos e do Farol, do azul - e fomos semi-corridas do apartamento, já era tarde e nós dormiamos, mas acabou em bem, o atraso foi pouco. Primeiro, praia do Vau, de novo, era a mais abrigada e a água estava óptima...meditação à beira-mar, Marina, a minha surpresa boa da viagem, um amor, um mimo. só podia ser amiga da Ana, boa gente atrai boa gente, right? Marina meditou e explicou-nos, estavamos atentas, sim, eu também. fazia-me bem meditar. fazia-me bem experimentar esvaziar a mente de todo o pensamento, deixando-o fluir, let it flow silvie, let it flow.

sexta-feira, abril 23, 2010

even flow...

quarta-feira, abril 21, 2010

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blurp..
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segunda-feira, abril 19, 2010

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always the sky
always the sea
sometimes
the edge
inside of me

if not for life
than what else it would be
things I cannot reach
are things I cannot see

the matters of the heart
confusion to be
restless the mind
when the spirit's no longer free

trapped and alive
joyfull uneasiness
seeking the balance
to feel safe from thee?

when the smile is so radiant
as the feeling to be
if the boy is exploring
the girl needs to sleep

shall we wait for the morning?
shall we try to take some rest?
the heart's already longing
but the future's unsettled
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sexta-feira, abril 16, 2010

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Ecce Homo

Desbaratamos deuses, procurando
Um que nos satisfaça ou justifique.
Desbaratamos esperança, imaginando
Uma causa maior que nos explique.


Pensando nos secamos e perdemos
Esta força selvagem e secreta,
Esta semente agreste que trazemos
E gera heróis e homens e poetas.

Pois Deuses somos nós. Deuses do fogo
Malhando-nos a carne, até que em brasa
Nossos sexos furiosos se confundam,

Nossos corpos pensantes se entrelacem
E sangue, raiva, desespero ou asa,
Os filhos que tivermos forem nossos.


José Carlos Ary dos Santos
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segunda-feira, abril 12, 2010

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sexta-feira, abril 09, 2010

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há dias surgiu em tema de conversa e fiquei cheia de saudades..definitivamente há qualquer coisa na costa vicentina que me atrai e me pede para voltar, e voltar e voltar...e eu volto. sempre.
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sexta-feira, março 26, 2010

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junte um nózinho no estômago logo após o despertar
com 100grs de dispersão mental e bata até ficar consistente.
acrescente depois uma pitada de suspiros de meia em meia hora, um pouco de olhar brilhante para adoçar e uma colher de sorrisos no fim. de seguida, deixe repousar um pouco para não estragar a massa. confira se o forno já está bem quente e deixe crescer lentamente até desligar.
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quinta-feira, março 25, 2010

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illusione buona
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sei que vou esperar-te
e para perto partes
um imenso longe
hoje


na manhã nas noites
sei dos dias
agora
sem fim
aguardo e sei
e sabes
também, a manhã

amanhã
e ontem
nos teus olhos encontrada

Março, 2010
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quarta-feira, março 24, 2010


chegou a Primavera. chegou-se a mim. eu não me importo. ela que me toque ao de leve, me afague e me deixe respirar, que me solte por aí e me traga ao meu lugar. ficou a Primavera no meu corpo. e uma cadeira de concerto até ti.
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quarta-feira, março 10, 2010

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que bom...agora que veio (algum) sol, dói-me a garganta e só apetece sofá.
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segunda-feira, março 08, 2010

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humor e condição feminina : mais vale sorrir...
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sexta-feira, março 05, 2010

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o filme não era belo, a fotografia do filme, sim.
Kierkgaard ficou à espera que eu tenha mais tempo para estar por casa sossegada.

com mais dois filmes enchi os últimos dias de bom cinema. o último (Welcome) inquietante, poderoso, sem floreados, história de emigração e amor, a cereja no topo do bolo.

as últimas 15 páginas do Hemisfério Pessoal (o tal de que não me lembrava) aguardam que o sono não me vença quando me deito. fiquei com uma enorme vontade de conhecer a Turquia, o Afeganistão (o mais desolador dos desolados, o mais arcaico, assustador e tribal..), a Nova Zelândia. Numa viagem só. 3 meses chegavam-me. (risos).

e esta chuva que já me anda a mexer com os nervos e a boa disposição começou aos poucos a dar lugar a uma irritabilidade silenciosa...definitivamente, prova da minha incapacidade de viver em países cinzentos.

eric rohmer na Harmonia, terá público? os fins de semana de turno para ela que me deixam desesperada, já não tenho vontade ou grande prazer, dramatizo, e penitencio-me mas...que fazer quando o amor acaba? preciso dela mas já não quero viver com ela, para quando o divórcio?

voz off [o bom humor é dádiva que a intervenção humana dificulta. resta-nos a capacidade de preservação, e aprender o jogo de cintura que nos afasta da angústia].

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quarta-feira, fevereiro 24, 2010

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agora ando a ler - também e a par de e por concluir há muito a biografia de Paul Bowles; há menos tempo, a Anatomia da Errância do Bruce Chatwin e ainda, e porque depois de sonhar com ele com cara de MEC lhe comprei um livro, falo do Gonçalo Cadilhe e não me lembro do nome do livro que já são muitos os editados por aí - Kierkeegard, e chama-se O Desespero Humano, com uma brilhante Introdução do Eduardo Lourenço, pelo que me sinto muito bem a redescobrir as teorias deste Filósofo espantoso, que praticou o que teorizou - não foi bem assim que isto de pôr em palavras simples aquilo que um homem destes escreveu sobre algo tão complexo não é para o fazer aqui e agora em coisa de 5 minutos - e deixou frases como quando o eu mergulha, através da sua própria transparência, até ao poder que o criou está a referir-se à fé como algo que se conquista, ele que foi crente sem igreja. Eu, não posso deixar de estar deliciada, a ler pouquinho de cada vez e a voltar atrás para reler e reler até encaixar, que a prática deste exercício deixou de ser regular há muito, desde os tempos do secundário e universidade...vou fazer uma pausa, tenho de ir ver um filme que deve ser muito belo.
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sexta-feira, fevereiro 12, 2010

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Ok.
Eu, eu vou mascarar-me de SOL.
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segunda-feira, fevereiro 08, 2010

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ser artista em Portugal é...dureza



exposição pequena, mas com elevado interesse, sobretudo quando conhecemos a ideia por detrás dos trabalhos...a série "arranjo camarário" é uma brincadeira muito bem conseguida: crítica ao establishment das autarquias, numa paisagem de fundo de uma Câmara que se esfuma a cada desenho, enquanto a "artista" em grande plano e a cores, se vai arranjando, se vai compondo...bem apanhado. e eu contente por ser da minha Taninha.
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sexta-feira, janeiro 29, 2010

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dá-me poesia no quarto branco com flores
de perfumes silvestres
quero a poesia que me deste
porque ela é minha por força
do que se deseja assim
dá-me flores meu amor
rôxas, brancas e amarelas de planície
dá-me a poesia toda dos dias que eu quero
verdadeira e vital e única
eu
no teu desejo de mim

dá-me o perfume de espaços também
não sou esquisita de gostos
quase amo toda a poesia
antes fosse ela escrita só para mim
dá-me tudo como se fosse acabar o mundo
daqui a um segundo apenas, meu amor
não te irá pesar de mo teres oferecido assim
se eu sou igual a ti e tu não sabes
dá-me o teu hálito perto da minha face
o teu olhar a olhar perene o meu olhar
deixa-me em silêncio contemplar (te)
quero que me tragas e trazendo-te até mim
dir-te-ei tudo o que não posso ainda dizer-te, não.
irás perder-te no meu toque no meu afagar
e
colar-te-ei se eu te quebrar
ne eternidade das coisas que ainda não são
presente ou futuro, quem nos dirá?
seremos juntos o mar e as ondas da manhã.

JAN 2010
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terça-feira, janeiro 19, 2010

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já tinha saudades dos disparates a fazerem parte da minha vida e a encherem-na de novo de sabor a algo. sabe-me tão bem rir-me sozinha em casa, de parvoíces que faço ou penso...melhor me sabe perder a vergonha, o embaraço. já tinha saudades de me rir assim, até das coisas sérias. e vou esperar viver para sempre com esta certeza, de que os disparates nunca vão partir, eles apenas se escondem de vez em quando. e até podia escrever aqui um grande palavrão, de pura alegria. mas não é preciso. chega-me pensar nele.
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quarta-feira, janeiro 13, 2010

j-a-s-u-s
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quarta-feira, dezembro 30, 2009

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natal na neve. a minha primeira neve "a sério". natal feliz.



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sexta-feira, dezembro 04, 2009

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Lua Cheia

Em noite de lua cheia,

quando as ondas do mar são mansas
e nelas me enrolo,
sonho com sereias estranhas,
muito belas e sensuais.
Em noite de lua cheia
as árvores, servilmente curvadas,
abraçam-me, e insolentes, sussuram-me palavras obscenas.
Em noite de lua cheia,
os homens correm aflitos,
em busca de agripinas insaciáveis.
Na minha noite de lua cheia,
adormeço tranquilo,
nos braços de ninguém.


Luís Ramalho, Set/2009
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