segunda-feira, fevereiro 18, 2008

welcome walkman

http://andahomem.blogspot.com/

terça-feira, janeiro 29, 2008

quinta-feira, janeiro 10, 2008

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Há uma estrada que leva a nenhum lugar
Onde se encontra o que ninguém procura
Feita de névoa onde deambulam corações
Buscando brilho onde a noite é a mais escura.

Há uma roleta onde se trocam emoções
Outrora mesa de um jogo sem risco
Calha na sorte um medo sem norte
Uma palavra, uma frase. Tontura.

Se branco ou negro o devir que é lançado
Se mais Força que fraquezas, mistério vão
Quando se solta na mesa o mágico dado
Dão-te milagres que ofuscam a Razão.


. 28.12.2007

quarta-feira, janeiro 09, 2008

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..música para os meus olhos
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quinta-feira, dezembro 06, 2007

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Passover
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This is the crises I knew had to come
Destroying the balance I'd kept
Doubting and settling and turning around
Wondering what will come next

Is this the role that you wanted to live
I was foolish to ask for so much
Without the protection and infancy's guard
It all falls apart at the first touch

Watching the reel as it comes to a close
Brutally taking its time
People who change for no reason at all
It's happening all of the time

Can I go on with this train of defense
Disturbing and purging my mind
I count up my duties, when all's said and done
I know that I'll lose every time

Moving along in our God given ways
Safety is sat by the fire
Sanctuary from these feverish smiles
Left with a mark on the door

Is this the gift that I wanted to give
Forgive and forget's what they teach
I'll pass through the deserts and wastelands once more
And watch as they drop by the beach

This is a crises I knew had to come
Destroying the balance I'd kept
Turning around to the next set of lies
Wondering what will come next

JD
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terça-feira, dezembro 04, 2007

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hoje é o primeiro dia do resto da tua vida


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quinta-feira, novembro 29, 2007

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out - of - control



desespero
Ian Curtis retratado em película com preto e com branco e com brilhante representação - para mim, o melhor do produto final - do actor Sam Riley (hum, hum..).
angústia
Joy Division e arrepiozinho na pele, ou pele de galinha. Não sei porquê. A voz? O tom da voz? (de novo, as vozes..).
escuridão
sim. Porque não? Ela está lá. Não há luzes ao fundo do túnel.
tristeza
de triste ser a noite onde não adormecem os nossos fantasmas.
loucura
sem controlo.
vida
também.

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sexta-feira, novembro 16, 2007

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Estava pensativo, de olhar posto na cor da noite, lá fora, onde os carros e as luzes se cruzavam com o som dos pássaros que fugiam para longe dali, escurecia rapidamente.
"- Nem tu sabes...é um bocado barra pesada lá dentro, passas por eles e sentes-te intimidado, o ambiente é pesado, um desconforto crescente, como se a qualquer momento qualquer coisa de incontrolável fosse acontecer, não aconteceu...fiquei pouco à vontade, ali...".
Ele pensou uma imagem clara dos rostos e dos olhares, do ambiente nas ruas, depois a Sul, o deserto, infinito, polvilhado de roulotes, pré-fabricados aqui e ali com pic-ups caras estacionadas cá fora, os grandes cactos estendo-se até ao céu de pôr-do-sol de filme...ficou com dúvidas, no entanto.
"- Vês aquela droga toda a circular, sente-la nos olhos deles pousados em ti, é estranho, é tanta e deprime-te, encostam-se pelas ruas, onde calha, reina uma calma aparente, não trabalham, nota-se bem isso, a maioria, os subsídios vão chegando, alguns têm quintas, claro, muito poucos, mais a sul nas terras inóspitas, os grandes terrenos que lhes 'deram' para ali se instalarem, provavelmente não chove há meses, parece que nada ali irá crescer, é estranho".
A noite acomodou-se e ele de olhar absorto num ponto mais sujo do vidro da janela, um satélite, um planeta, um bocado de estrela, um buraco negro ali pousado, divagou até ao Norte, até ao Sul, imaginou um feroz silêncio de subsídios compensado, gente atenta mas distante, ancorados num tempo que não era já o seu, demasiado sufocados para sonhar um destino. Apodreciam na sombra, sujavam o chão, apenas, já não eram um estorvo.
E até onde uma realidade mais plausível que o real descrito, poderia ser o exagero dela?
Ele não sabia.
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segunda-feira, novembro 05, 2007

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o regresso mui aguardado.
.... inequívocamente BOM, será.



[e desta vez estarei lá bem me bastou o que já perdi este ano e bem me bastou ficar triste quando estive à beira de dizer "sim, bora lá, perdemos a cabeça que o dinheiro serve é para isto mesmo" ao apetitoso convite para ir a Barcelona mas disse não e já não vou ver a minha última e explosiva paixão os 'outros' os 'tais' os não menos bons bons? ha ha ha.. The National desta vez o Coliseu vai ser pequeno para o tamanho da minha alegria e nervosinho doce instigado por sonzinho do melhor oh yeah...:)]

quinta-feira, outubro 04, 2007

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Cantaremos

"Cantaremos Adriano" é um disco de homenagem a Adriano Correia de Oliveira, e catorze são as vozes que reinterpretam canções suas. “(…) “Manuel Alegre, um dos seus colaboradores mais próximos em poesia e cumplicidade – são da pena de Alegre “As trovas do vento que passa” e todos os poemas de “O canto e as armas”(1969) – destaca no dvd que integrará também “Adriano Aqui e Agora” que “foi ele o primeiro a cantar os versos proibidos. Foi o mais corajoso. O primeiro a pôr-se em causa perante o regime”. O homem que fez frente à ditadura e que se entregou de corpo e alma à revolução depois do 25 de Abril é o Adriano que melhor se conhece. (…) Como aponta Henrique Amaro (o radialista director artístico do projecto), ancorando no poema que Manuel Alegre dedicou ao amigo, onde se lê “ Era a tristeza dentro da alegria / era um fundo de festa na amargura”, em Adriano Correia de Oliveira “tudo é feito em dualidade, nada é fixo”. (…) “O Adriano foi o grande amigo do Zeca Afonso. Criaram um estilo novo, que foi o pontapé de saída de uma nova música portuguesa”, destaca Arnaldo Trindade [fundador do Orfeu, a editora onde Adriano gravou toda a sua obra]. “Foi cantor, compositor e letrista e, além disso, trouxe novos valores à editora” (Francisco Fanhais, José Niza, Sérgio Godinho, Fausto). (…) É este Adriano Correia de Oliveira que urge conhecer. O de que Arnaldo Trindade fala nestes termos: “Jacques Brel e Juliette Gréco são ícones que transformaram a música dos seus países, o Adriano e o José Afonso fizeram o mesmo em Portugal”.
(…) Vinte e cinco anos após a sua morte, em Avintes, nos braços da mãe, vítima de hemorragia esofágica (aos 40 anos), os que não o acompanharam no seu tempo vêem dele pouco mais que sombras esbatidas. “ Adriano Aqui e Agora - O Tributo” pretende que as sombras se desvaneçam para que o retrato real se revele. Para que Henrique Amaro não tenha que perguntar a si mesmo: “Num país tão precário de sonho e ambição, como é que se mantém esquecida a obra de Adriano?”.
(…) Não são necessárias comemorações ou homenagens públicas. Basta ouvi-lo. Basta ouvir-lhe a voz e a poesia que canta. Não somos nós que o dizemos, foi o que constataram ou confirmaram aqueles* que participaram em “Adriano Aqui e Agora - O Tributo”. Catorze vozes, às voltas com a música de Adriano Correia de Oliveira, a descobrir para hoje o que hoje esquecemos”.

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[isto são alguns excertos do artigo de Mário Lopes, Público, 28.09.2007]
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*Tim, Cindy Kat, Valete, Miguel Guedes, Vicente Palma, Ana Deus & Dead Combo, Raquel Tavares, Celina da Piedade, Micro Audio Waves, Mazgani, Margarida Pinto, Nuno Prata, Sebastião Antunes e Pedro Laginha.


terça-feira, setembro 18, 2007

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Dormi na beira do rio junto aos sons
De pássaros mil desatentos que brincavam
Sonhei os espantos escondidos das serras
Fervilhantes águas transparentes a cantar
(vi os teus olhos cobertos de cores eternas)

Trouxe de longe uma semente pura, luz
Para plantar um amor respigante e doce
Na sombra o anseio vil de que me afasto
Há trigais juras - eternas - em teu regaço

Vi terra húmida e verde e forte
Rios correndo num pranto doce
Até ao mar que emprenham quente
Deixando bermas de acaso e sorte

Foi desencanto já não é maior
Nem cresceria com tal esplendor
São rios, serras, amor e sorte
São vidas escritas em dor com cor

E o vento calmo que me acordou
Veio na aurora de fugaz durar
O tom perfeito da tua voz, soprou
Por entre os vales até me achar

Évora, 12 - 18 Setembro 2007

sexta-feira, agosto 17, 2007

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José Cid e o sentido da Vida

[Essa felicidade é contagiante, A. Só tu para me fazeres rir desta maneira e me deixares lamechas ao ponto de escrever isto num blog.
Canta, continua a cantar desafinadamente e a rir do outro lado da linha, é isso e apenas isso que importa e nada, mas nada absolutamente mais, amiga. Quais criancinhas a morrer de fome em África?!( não me 'livro' desta ironia irritante, pá..)
Hoje morreu alguém próximo. Lembrei-me da Sónia e a tristeza veio. Mas a tua canção, e esses pés em cima da secretária - que imagino descalços, certo? - afastam a sombra, a nebulosidade do trágico. Tenho a certeza que ela se riu bastante nesse ponto. Se essa tua beatice pegasse, não me importava de ser contaminada. Mulher, que leveza!, e não te vejo há muito. Olha, quando eu morrer, lembra-te deste dia e da tua voz a desafinar no fim, lembra-te do brilho dos meus olhos do lado de lá da linha e da distância que (nunca) nos separa, lembra-te da cor da felicidade nos segundos que durou a tua imitação fraquita de um qualquer cançonetista ligeiro da nossa praça! Pode ser? E descobrir entretanto que a felicidade se pega através das ondas invisíveis de telemóveis de segunda geração, já me fez ganhar o dia.
Ah...e também descobri entretanto, que os The National são patéticos e sublimes, porque li isso algures, e se calhar é verdade. E passo a citar, porque não resisto, e porque eles são (não são nada, mas enfim!) o meu José Cid:" Estamos cheios de merda o tempo todo. Mas isso também é honesto, ser absurdo e ser estúpido. Se uma canção for demasiado séria e auto-obssessiva, paramos logo com ela e dizemos: 'Isto não tem suficiente estupidez, isto não tem suficientes patetice e tontice honestas"'. Pôrra, pá! Sinto-me em sintonia perfeita com estes tipos!! Sublime e patético.
E para acabar, deixa-me que te diga: vai ligando, miúda! :)]

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quinta-feira, agosto 16, 2007

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Náufrago: em tua

Náufrago: em tua
vida oculta
se anuncia a luz.

Desenterrada
da sombra
uma nova alegria.

No silencioso ar
gritam os mortos
é aqui a terra.

Mas teu rosto
quebra o tédio imutável
o obscuro dialecto.

Despertas-me, escuto
o mar, o vento,
transparente como a noite.

Na semente dispersa
brota a memória
de uma dócil casa
conhecedora já
dos dramas do universo.

AMG, Canções com palavras, Gótica, 2002
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terça-feira, agosto 07, 2007

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Um torpedo chamado National

Têm no máximo um vigésimo dos adeptos dos Arcade Fire, mas é como nos anos 60, entre Dylan e Cohen: qualquer um gritava "Dylan é Deus", mas os seguidores de Cohen não precisavam de berrar o nome do mestre: reconheciam-se entre si pelo cheiro, pelo instinto. Gente da estirpe de Cohen, de frase afiada, amarga, irónica e sem lições sobre a vida (que nos Arcade Fire, por trás da fachada de proximidade com "os miúdos", está sempre presente) a pender de uma melodia frágil, aparece muito de vez em quando: no caso dos National, com esta fundura, antes apenas houve os Tindersticks, e antes destes Cave e antes dele Cohen. E é por isso que em vez de energia ou felicidade nos corpos das gentes que enchiam a tenda do palco secundário do sudoeste havia tensão: porque os pedaços de porcelana que são as canções do quinteto nova-iorquino, por mais belos que sejam, cortam quando demasiado apertados. Entraram como se estivessem na sala de estar dos amigos, Matt Berninger entre o estático e o cambaleante, com uma fortíssima Mistaken for strangers transformada em combustível para guitarras galopantes, atiraram a explosiva Secret Meeting (de Alligator, o álbum anterior ao mais recente Boxer) para o meio do mato - e antes que alguém apagasse o incêndio e recolhesse as canas, entremearam a granada de Lit Up com a falsa serenidade de Brainy. E à quarta ou quinta canção o altar de devoção aos National estava erguido, os rapazes canonizados e a data marcada nas calendas da santidade: a hora nocturna (entraram às duas da matina) ajudava à sensação de intimidade, o povo não estava sereno, Matt Berninger atirava as goelas contra o microfone. Os deuses sabem - e os putos também - que o rock precisa de espinhos e só esmagando espinhos à força de ruído de guitarras poderá o rock encenar a sua função redentora. Uma hora de concerto, sempre entre Alligator e Boxer, e mesmo as canções que em disco devem mais à orquestração foram, em palco, transmutadas em furiosos petardos de força: como se aquilo tivesse de sair ali e naquele instante. Canções que vivem do desconforto, do sentimento de desadequação em que cada personagem de cada canção é colocada, canções que vivem na vizinhança do decadentismo, trepavam a escada de Job a pulso para explodirem no pico, como em "Abel", com o verso (bastante representativo do que rumina no fundo destas canções) "My mind"s gone loose inside its shell" cantado por toda a santa alma presente naquela tenda. Chamar-lhes indie-rock é quase pecado: em disco podem ser orquestrados, épicos, melancólicos, patéticos, ruidosos ou sussurrantes. São demasiado literatos para virem a ser grandes, mas ontem, para os sobreviventes naquela pequena tenda, foram nitidamente a melhor coisa que lhes aconteceu na vida. Já houve outras coisas assim e outras haverá, mas por vezes dá vontade de mandar a racionalidade às urtigas e dizer: melhor banda indie ao cimo da terra. Mas sem gritar, claro.

João Bonifácio, Público, 07.08.2007
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B-Side
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"Fiquei triste com o concerto dos National no Sudoeste. As músicas sucediam-se e eu - isto é roto mas eu sou menina - sentia uma bola fria a crescer no estômago. A confirmação de que, pelo menos para mim, estava a ser uma desilusão. Já tinha imaginado que pudesse não ser tão magnífico ou memorável como o concerto que pude ver deles em Maio, em Berlim, durante o qual me emocionei verdadeiramente. Músicas como o Fake Empire, Soho Riots ou About Today tiveram uma leveza e, ao mesmo tempo, uma consistência que não sou capaz de explicar em palavras. Mas sei que foi muito diferente das versões atabalhoadas que vimos no Sudoeste. Adoro a banda como há muito tempo não adorava uma banda ou artista, mas sou incapaz de escrever ou pensar coisas como «não se ouvia a voz, ele esqueceu-se das letras mas foi muito bom». Não foi - pelo menos para mim. A banda (os outros rapazes) estiveram geralmente bem, mas o nosso amiguito (que entrevistei horas antes do concerto, numa conversa em que o homem não podia ter sido mais simpático, empático ou disponível) estava noutro sítio qualquer. Não se trata apenas de cambalear, isto ou aquilo. Não se ouvia a voz (culpa do som daquele palco, naquela noite, também), não intervinha entre as canções (o guitarrista tentou substituir-se-lhe mas o microfone nem parecia ligado), «fugiu» na última música, arruinou a «About Today», que é tudo menos música para risadinhas. Safaram-se as mais eufóricas e extrovertidas porque, enfim, vivem mais da adesão e do delírio populares do que da performance do vocalista. E esse foi o único aspecto perfeito da noite: o pessoal que estava lá para vê-los, cantá-los, senti-los. Eles, os fãs, deram tudo; os National, ou em particular o Matt Berninger, não. E não deve haver ninguém a quem custe mais escrever isto do que a mim. Até derramei duas ou três (pronto, quatro) lágrimas com a decepção que senti. Estou a falar o mais a sério que posso. Se calhar o concerto não foi desastroso, mas para aquilo que gosto da banda, e para aquilo que já tinha visto deles, ficou muito aquém das minhas expectativas (que nem eram assim tão altas, como tentava explicar ao moonshiner antes do espectáculo). Espero que cá voltem e que o menino beba menos. Sim, ele é conhecido por dar-lhe na pinga, mas tende paciência. O gajo em Berlim bebeu, em palco, uma garrafa de vinho e no final do concerto ainda se lembrava do nome. Preferia ter apenas falado com eles e ter-me conservado naquele estado de histeria de fã / deslumbramento / euforia por estar ali rodeada de gente que adora aquelas canções. Não guardo boas memórias do concerto em si, mas de tudo o que se lhe antecedeu. Adorava ter visto o concerto que o João Bonifácio relata hoje no Público. Aliás, vi mesmo – mas em Berlim, não no Sudoeste. No entanto, fico contente por pessoas por quem muitíssima estima tenho, como o senhor Cristiano, Dona Leonor ou Mestre Moonshiner, terem gostado. É que prefiro pensar que sou eu a esquisita, do que acreditar que o concerto foi assim, como foi. (...).
PS - Caso não tenha ficado claro, continuo a adorar a música deles. E os concertos, quando são bons. E a oportunidade de falar meia-hora com um gajo cujas letras me encantam."
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Lia (jornalista), Fórum Sons, 07.08.2007
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terça-feira, julho 31, 2007

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5.08.2007
zambujeira do mar
portugal
[don't know where i'll be..there or dead]
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r.i.p.






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sexta-feira, julho 13, 2007

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[ até breve..]
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segunda-feira, julho 09, 2007

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Motivo mais do que suficiente para ter ficado em casa num sábado à noite. E mais uma vez confirmar que devo seguir intuições e não recear o desconhecido quando vou ao cineclube e não sei o que vem na caixa que trago comigo. É como ir ver um concerto de uma banda da qual nunca ouvi falar e sair de lá com uma grande vontade de comprar o cd ( em vez de pedir aos amigos para mo sacarem da net..coisa que não faço, ai é verdade!!!!). Gosto de fazer isso, preciso de fazer isso de vez em quando. Surpresas fazem bem e recomendam-se!:)

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quarta-feira, julho 04, 2007

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Fora, cá dentro (fica aqui um bocadinho)

A mim faz-me sempre bem sair do sítio onde habitualmente vivo, onde passo os meus dias seguros.
E gosto de o fazer por vezes sem planear nada, ou pelo menos, não planear com antecedência. Meti-me no comboio e lá fui rumo ao Porto, a capital nortenha, banhada pelo Douro, que atravessei de cara colada ao vidro da carruagem para melhor ver a paisagem. O Porto tem o seu encanto, especialmente se as pessoas que lá conhecermos forem também elas encantadoras. E as que eu conheço, e que vim a conhecer, são-no. Passei uns dias simpáticos e divertidos, calmos e sem sobressaltos, e, sobretudo, longe disto aqui, do dia-a-dia que me atarefa sem mais que isso.

Dormi em outros lençóis, falei com estranhos e amigos, comi outras comidas, escutei outras conversas, assisti a 'outros concertos' (Balla Prop is cool!) vi outros interesses, outras preocupações. Ou serão as mesmas?

Li em alguns olhares uma espécie de espanto quando respondia que gostava de viver em Évora. E sei porquê, consigo entendê-lo. Terão esses outros olhos entendido os meus?
O Porto continua a ter aquela cor neutra, meio acinzentada, continua a ser pitoresca a cidade, com prédios engraçados. As lojas e as montras das pastelarias são uma perdição, eu podia escrever um tratado sobre a confeitaria e o fabrico próprio de cada uma destas casas, tenho a certeza que alguém me publicaria a obra. Eu no Porto como realmente aqueles bolos - que nunca, ou raramente provo - com os olhos!! O café Piolho, que aglomera na sua simplicidade e boa localização tudo quanto é gente nova e se mexe, indica-nos pelo seu nome próprio aquilo que a cidade tem de mais interessante: a mistura do moderno com o típico, do castiço com o fashion.(consigo não gostar nada desta palavra, mas não encontrei outra melhor, é da preguiça..).
Também pelas ruas vi gente tão desengraçada a passar por mim que cheguei a comentá-lo, não resisti a ficar caladinha perante algo que me pareceu quase um fenómeno de rua, ambulante: eram mesmo muitos, a dada altura. O contexto de festejo dos santos populares podia ter propiciado tal observação. Ou isso, ou os meus cânones estéticos andam muito elevados...e isto à medida que eu mesma vou envelhecendo e perdendo a graça de outrora. Irónico, no mínimo.
Mas também tive o prazer de conviver com gente bem bonita - de beleza feita de simpatia e humor e graça e vida - e toda ela de bigode, logo na primeira noite!
O leilão onde adquiri a minha primeira obra de arte foi a cereja no topo do bolo, e também o momento onde assisti à (con)sagração das amizades eternas, aquelas que embelezam este mundo, tantas vezes tão feio. Já me valeu a viagem toda. Do que não gostei mesmo nada e achei mesmo mauzinho, foi das indicações 'dentro' do Metro do Porto, ou das informações relacionadas com os transportes públicos, no geral...caramba!
Mas como me disse o meu mano, "não percas tempo - ou seria energias? - com essas coisas", estava já eu a rezingar como se o mundo fosse acabar amanhã:)
E ainda não foi desta que conheci a Casa da Música. Fica para a próxima, espero.
Bem, e vou acabar com um....bibó Porto!
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quinta-feira, junho 28, 2007

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uma palmada bem dada

É o nome do blogue de C., uma moça brasileira de 23 anos apenas, ela escreve coisas deliciosas. Eu gosto bastante. Aliás, já somos 3 por terras lusas, fãs de uma palmada bem dada. Fica o endereço aqui ao lado, para espreitarem se vos apetecer, eu cá acho que vale a pena!
E para aguçar o apetite, deixo o post seguinte:

"Juliana, anote aí: “A complexidade é culpa da solidão
isso de muita cultura é coisa de gente sozinha.isso de ver todos os filmes, de ler todos os clássicos, os bons lançamentos... isso de saber nome de diretor, de fotógrafo, de artista plástico, de compositor de trilha-sonora... isso tudo é coisa de quem, acima de tudo, tem solidão. precisa saber, ter, agregar valor, se ocupar, impressionar, seduzir. e as razões pelas quais você preza pela solidão, eu ignoro. na verdade nem sei se preza. talvez você quisesse mesmo era trocar toda a sua estante de livros por um marido. toda sua solidão por um fogão.porque ser 1 só, parece que é tenso. é muito espelho, muita pose, muita preocupação com o alheio, muito mundo em volta. dá vontade de chorar a quantidade de coisa que tem pra aprender. dá tristeza a variedade de coisa que tem pra ser. muito corte de cabelo, muito tipo de maquiagem, muita roupa, muito colar, brinco, pulseira. as vezes faz falta um anel no anelar. as vezes faz falta bem mais do que isso.falar é coisa que tem hora que cansa. e a estética das coisas também é finita. chega um dia que até o seu cigarro perde o charme e sobra só o gosto e o cheiro ruim.essa mania que você tem de ser sempre cool, de entender de circo, de rock, de moda, de luz, de cores, de cliques perfeitos... essa mania de escrever sobre si mesma, de reparar nos outros, de usar roupa estampada, de ser estilosa... esses seus óculos escuros, esses seus bares da vida... sua juventude, seu paradigma, sua liberdade. a insignificância da sua dedicação enquanto espera que alguém te roube de dentro de ti.mas você fica calma que acontece. acontece em qualquer hora dessas quando vc está ocupada se ocupando da sua solidão. é no metrô, enquanto você volta pra casa do seu trabalho pós-moderníssimo. você lendo saramago, sozinha, num banco que é pra dois.até que ele um dia senta do teu lado. e quando você olha no olho dele se lembra de toda a sua infância e não se constrange. ele então pergunta o seu nome. e você diz com toda a certeza: o meu é esposa e o seu é marido.
daquela estação em diante você entende duas coisas:o espelho agora mora no olho dele e o mundo é do tamanho de um banco de metrô pra dois."


in http://palmadabemdada.blogspot.com/
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