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dá-me poesia no quarto branco com flores
de perfumes silvestres
quero a poesia que me deste
porque ela é minha por força
do que se deseja assim
dá-me flores meu amor
rôxas, brancas e amarelas de planície
dá-me a poesia toda dos dias que eu quero
verdadeira e vital e única
eu
no teu desejo de mim
dá-me o perfume de espaços também
não sou esquisita de gostos
quase amo toda a poesia
antes fosse ela escrita só para mim
dá-me tudo como se fosse acabar o mundo
daqui a um segundo apenas, meu amor
não te irá pesar de mo teres oferecido assim
se eu sou igual a ti e tu não sabes
dá-me o teu hálito perto da minha face
o teu olhar a olhar perene o meu olhar
deixa-me em silêncio contemplar (te)
quero que me tragas e trazendo-te até mim
dir-te-ei tudo o que não posso ainda dizer-te, não.
irás perder-te no meu toque no meu afagar
e
colar-te-ei se eu te quebrar
ne eternidade das coisas que ainda não são
presente ou futuro, quem nos dirá?
seremos juntos o mar e as ondas da manhã.
JAN 2010
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sexta-feira, janeiro 29, 2010
terça-feira, janeiro 19, 2010
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já tinha saudades dos disparates a fazerem parte da minha vida e a encherem-na de novo de sabor a algo. sabe-me tão bem rir-me sozinha em casa, de parvoíces que faço ou penso...melhor me sabe perder a vergonha, o embaraço. já tinha saudades de me rir assim, até das coisas sérias. e vou esperar viver para sempre com esta certeza, de que os disparates nunca vão partir, eles apenas se escondem de vez em quando. e até podia escrever aqui um grande palavrão, de pura alegria. mas não é preciso. chega-me pensar nele.
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quarta-feira, janeiro 13, 2010
sexta-feira, dezembro 04, 2009
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Lua Cheia
Em noite de lua cheia,
quando as ondas do mar são mansas
e nelas me enrolo,
sonho com sereias estranhas,
muito belas e sensuais.
Em noite de lua cheia
as árvores, servilmente curvadas,
abraçam-me, e insolentes, sussuram-me palavras obscenas.
Em noite de lua cheia,
os homens correm aflitos,
em busca de agripinas insaciáveis.
Na minha noite de lua cheia,
adormeço tranquilo,
nos braços de ninguém.
Luís Ramalho, Set/2009
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Lua Cheia
Em noite de lua cheia,
quando as ondas do mar são mansas
e nelas me enrolo,
sonho com sereias estranhas,
muito belas e sensuais.
Em noite de lua cheia
as árvores, servilmente curvadas,
abraçam-me, e insolentes, sussuram-me palavras obscenas.
Em noite de lua cheia,
os homens correm aflitos,
em busca de agripinas insaciáveis.
Na minha noite de lua cheia,
adormeço tranquilo,
nos braços de ninguém.
Luís Ramalho, Set/2009
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segunda-feira, novembro 16, 2009
sexta-feira, novembro 13, 2009
terça-feira, novembro 10, 2009
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Edifício Soeiro Pereira Gomes (antigo Edifício da Bolsa Nova de Lisboa)
Rua Soeiro Pereira Gomes, Lte 1- 6.º A / C / D
Bairro do Rego / Bairro Santos
1600-196 Lisboa - Portugal
T - 217803003 / 04 F – 217958189 E – geral@fundacaocarmona.org.pt
Metro: Jardim Zoológico, Praça de Espanha, Cidade Universitária
www.fundacaocarmonaecosta.pt

ESTÚDIO de Nuno Ramalho & Renato Ferrão
INAUGURAÇÃO 10 de Novembro '09 às 18h30
VISITA GUIADA 11 de Dezembro '09 às 18h30
com Nuno Ramalho, Renato Ferrão e Bruno Marchand (autor do texto do catálogo)
Exposição patente até 22 de Janeiro '10 de Quarta a Sábado das 15h00 às 20h00
INAUGURAÇÃO 10 de Novembro '09 às 18h30
VISITA GUIADA 11 de Dezembro '09 às 18h30
com Nuno Ramalho, Renato Ferrão e Bruno Marchand (autor do texto do catálogo)
Exposição patente até 22 de Janeiro '10 de Quarta a Sábado das 15h00 às 20h00
Edifício Soeiro Pereira Gomes (antigo Edifício da Bolsa Nova de Lisboa)
Rua Soeiro Pereira Gomes, Lte 1- 6.º A / C / D
Bairro do Rego / Bairro Santos
1600-196 Lisboa - Portugal
T - 217803003 / 04 F – 217958189 E – geral@fundacaocarmona.org.pt
Metro: Jardim Zoológico, Praça de Espanha, Cidade Universitária
www.fundacaocarmonaecosta.pt
segunda-feira, novembro 09, 2009
quarta-feira, novembro 04, 2009
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Paris, 03 Nov (Lusa) - O antropólogo francês Claude Lévi-Strauss, considerado um dos intelectuais mais relevantes do século XX, destacado antropólogo e "pai" da corrente estruturalista das ciências sociais, morreu sábado aos 100 anos, informou hoje a editora Plon.
Lévi-Strauss influenciou de forma decisiva a filosofia, a sociologia, a história e a teoria da literatura.
Lévi-Strauss influenciou de forma decisiva a filosofia, a sociologia, a história e a teoria da literatura.
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domingo, novembro 01, 2009
quarta-feira, outubro 28, 2009
estará de volta? http://ohomemqueanda.blogspot.com/
eu gostava, e muitos gostavam, mas o gajo é esquisito...
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terça-feira, outubro 20, 2009
segunda-feira, outubro 19, 2009
este post, foi copiado do blogue http://fontedeletras.blogspot.com/ e achei que devia colá-lo aqui no meu, cá fica:
"sábado, 17 de outubro de 2009
Os editores que matam as livrarias tal como Caim matou Abel.
Dia 19 de Outubro é o dia em que o novo livro de José Saramago, Caim (Editorial Caminho - Grupo Leya), é posto à venda nas livrarias - assim foi comunicado aos livreiros e assim é divulgado no blog da revista Ler http://ler.blogs.sapo.pt/517769.html. No entanto, parece que não há nenhuma livraria no Alentejo que já tenha recebido o livro para ser posto à venda na 2ª feira. Mas, a Fonte de Letras presta aqui um serviço extra aos seus clientes, dizendo que hoje, dia 17, o livro já está à venda no Pingo Doce de Montemor, e provavelmente em muitos outros supermercados. Às vezes os desígnios dos criadores são difíceis de entender! "
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"sábado, 17 de outubro de 2009
Os editores que matam as livrarias tal como Caim matou Abel.
Dia 19 de Outubro é o dia em que o novo livro de José Saramago, Caim (Editorial Caminho - Grupo Leya), é posto à venda nas livrarias - assim foi comunicado aos livreiros e assim é divulgado no blog da revista Ler http://ler.blogs.sapo.pt/517769.html. No entanto, parece que não há nenhuma livraria no Alentejo que já tenha recebido o livro para ser posto à venda na 2ª feira. Mas, a Fonte de Letras presta aqui um serviço extra aos seus clientes, dizendo que hoje, dia 17, o livro já está à venda no Pingo Doce de Montemor, e provavelmente em muitos outros supermercados. Às vezes os desígnios dos criadores são difíceis de entender! "
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revisito o EP acima, porque gosto de revisitar, reviver, lembrar, escutar over and over again..e quanto mais o re-escuto, mais gosto dele. uma espécie de vontade de contrariar as novidades que todos os dias aparecem por aí. canções lindas. continua a ser a banda que melhor me enche as medidas. as letras, a voz, a melancolia, a música, são eles a tocarem bem. About Today, do mais tristinho, mas tão bela que até dói. e o mais estranho é que...não.
em breve irei "abrir outro ficheiro na net", com outro nome, outra cara, e mais escritas. em breve enviarei um mail aos amigos. se bem que...os meus em breves são por vezes lentos. in the mean time....
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domingo, agosto 30, 2009
anseio ter essa certeza.tenho a certeza que é muito mais do que o coração alcança, a mente prescruta, as minhas mãos procuram no escuro.anseio ter essa certeza.
......
acabei de saber que alguém que conheci dos tempos da universidade, esses tempos da universidade...morreu. baque. bum. o quê..?!....a minha idade, mais coisa menos coisa...e por ser quem foi, a grande paixão da minha doce Sónia....imagens, imagens em flash, telefonei para longe contei a uma amiga, o que dizer senão em exclamação, parece que foi há tão pouco tempo que o encontrei, estava bem. Estar bem é condição para deixar de se estar bem e morrer de cancro quando menos se espera. Amanhã vou escrever-te.
......
fruta passajada em especiarias aquecidas com sumo de laranja e mel. para adoçar a alma em noite morna de dia quente.
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acabei de saber que alguém que conheci dos tempos da universidade, esses tempos da universidade...morreu. baque. bum. o quê..?!....a minha idade, mais coisa menos coisa...e por ser quem foi, a grande paixão da minha doce Sónia....imagens, imagens em flash, telefonei para longe contei a uma amiga, o que dizer senão em exclamação, parece que foi há tão pouco tempo que o encontrei, estava bem. Estar bem é condição para deixar de se estar bem e morrer de cancro quando menos se espera. Amanhã vou escrever-te.
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fruta passajada em especiarias aquecidas com sumo de laranja e mel. para adoçar a alma em noite morna de dia quente.
domingo, julho 26, 2009
domingo, julho 12, 2009
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Sr. Zé
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“Menina Sílvia, menina Sílvia…” chama o homem de negro sentado na mesa do café arrastando o Síííl, devagarinho e docemente, para a mulher atrás do balcão, ela escuta-o e desvia o olhar na sua direcção. “Está boa menina Sílvia, como está?” e o tom dele quase de súplica, olhar que clama por dois segundos de atenção, menina Sílvia, como os miúdos meigos quando anseiam que reparem neles. “Olá Sr. Zé” respondeu ela num sorriso, secando as mãos com um pano húmido, igual ao seu cabelo, suado e sem forma, levantando a cabeça para conseguir vê-lo melhor por detrás do balcão, “ Como é que está Sr Zé, está bom?” pergunta-lhe com simpatia e atenção feminina.
O Sr. Zé terá os seus setenta ou mais anos, está sozinho no café comendo um bolo e deve ser cliente habitual, a julgar pela forma como ele e a empregada se cumprimentam, o trato familiar e amigo dela, o jeito contumaz de a chamar, dele. Lembrei-me de algumas situações, não muitas é certo, que me aconteceram nos lares que visito, quando um idoso se aproxima de mim com desejo que nele repare, que lhe dê atenção, falando atabalhoadamente com receio que eu desapareça depressa, sorrindo-me muito com um olhar que me transporta para a imagem de alguém que assimilou muito pouco o uso da contemplação, um olhar muito pequenino e venturoso, risonho, de quem não levou a vida demasiado a sério ou cogitado muito sobre ela sequer, um olhar de quem está cá para o que der e vier, e ali está comigo e mal sabe quem sou, mas sorri porque sou visita, porque sabe que fui vê-los e onde vivem e eu num instante célere a olhar de volta para ele, olho no olho, sorrindo também e divisando como bom seria acabar assim os meus dias, de olhar miudinho e feliz em vida solta, subtraída de reflexões excessivas e pressupostos redundantes, de sonhos que voaram alto e se perderam na eternidade.
O Sr. Zé faz-me lembrar os velhotes que se sentam o dia todo na sua cadeira — possivelmente cada um tem a sua cadeira e não há muita coisa que possa ser apenas sua lá dentro — contemplando os repetitivos gestos do quotidiano das auxiliares que lhes dão de comer, os lavam, os deitam ao lado uns dos outros nos entardeceres transformados em noites. Ali, encostados na parede branca junto da grande e sonora televisão que eles nunca miram, querem lá eles saber da televisão, o olhar perde-se longe no vazio, na sombra da memória, na linha do chão, na espera. Em alguns é imensa a vacuidade, transborda indisfarçada no seu olhar triste, deixa-me inquieta, comovo-me e tento não pensar, preciso afastar dali a mente e a minha comoção, tento representar o meu papel, sou simpática, não sei que lhes dizer mais para além das frases feitas do costume, fico embaraçada enquanto sorrio e tento disfarçar o que sinto, porque me sinto falsa e eles querem lá saber das minhas perguntas “Gosta da comida, Sr. Manuel?” ou “Foi bom o almoço D. Joana?”, que eu sei que eles vivem para comer, é uma hora importante do dia a hora das refeições, é o seu ponto alto de manhãs e tardes quase sempre iguais, quase sempre na mesma cadeira em frente ou ao lado da grande televisão ignorada, quem dera gente na vez da televisão, as vozes estrepitosas dos filhos ou dos netos…visitas são bem poucas as dos meus amigos conformados e tristes, alguns, que outros há alegres, e de namoro novo, adoro esta parte da coisa, quando me contam que a D. Joaquina e o Sr. Francisco começaram a namoriscar lá no Lar e dão-se muito bem, passaram a viuvez de outro modo, que a maioria deixa de viver quando o companheiro morre porque parece-lhes mal que se divirtam as viúvas, são de antiga muito antiga geração, uma omnipresente e pesada lei costumeira impede-os de deixarem o preto do luto para voltarem a ir nas excursões, a colaborar nos preparativos das festas, a dançar no bailarico dos santos.
O Sr. Zé, no café, já choramingou enquanto eu escrevo, quando uma senhora dele se aproximou e ali ficou um pouco a conversar acerca da recente morte da sua esposa e sobre as suas noites passadas sozinho, mas deixe lá Sr. Zé não pense nisso, e fique em sua casa fique em sua casa enquanto puder, não deixe a casa Sr. Zé, está lá melhor ainda que sozinho, não lhe parece? Não pense muito nisso. Que o melhor é não pensar muito nisso, Sr. Zé.
Sr. Zé
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“Menina Sílvia, menina Sílvia…” chama o homem de negro sentado na mesa do café arrastando o Síííl, devagarinho e docemente, para a mulher atrás do balcão, ela escuta-o e desvia o olhar na sua direcção. “Está boa menina Sílvia, como está?” e o tom dele quase de súplica, olhar que clama por dois segundos de atenção, menina Sílvia, como os miúdos meigos quando anseiam que reparem neles. “Olá Sr. Zé” respondeu ela num sorriso, secando as mãos com um pano húmido, igual ao seu cabelo, suado e sem forma, levantando a cabeça para conseguir vê-lo melhor por detrás do balcão, “ Como é que está Sr Zé, está bom?” pergunta-lhe com simpatia e atenção feminina.
O Sr. Zé terá os seus setenta ou mais anos, está sozinho no café comendo um bolo e deve ser cliente habitual, a julgar pela forma como ele e a empregada se cumprimentam, o trato familiar e amigo dela, o jeito contumaz de a chamar, dele. Lembrei-me de algumas situações, não muitas é certo, que me aconteceram nos lares que visito, quando um idoso se aproxima de mim com desejo que nele repare, que lhe dê atenção, falando atabalhoadamente com receio que eu desapareça depressa, sorrindo-me muito com um olhar que me transporta para a imagem de alguém que assimilou muito pouco o uso da contemplação, um olhar muito pequenino e venturoso, risonho, de quem não levou a vida demasiado a sério ou cogitado muito sobre ela sequer, um olhar de quem está cá para o que der e vier, e ali está comigo e mal sabe quem sou, mas sorri porque sou visita, porque sabe que fui vê-los e onde vivem e eu num instante célere a olhar de volta para ele, olho no olho, sorrindo também e divisando como bom seria acabar assim os meus dias, de olhar miudinho e feliz em vida solta, subtraída de reflexões excessivas e pressupostos redundantes, de sonhos que voaram alto e se perderam na eternidade.
O Sr. Zé faz-me lembrar os velhotes que se sentam o dia todo na sua cadeira — possivelmente cada um tem a sua cadeira e não há muita coisa que possa ser apenas sua lá dentro — contemplando os repetitivos gestos do quotidiano das auxiliares que lhes dão de comer, os lavam, os deitam ao lado uns dos outros nos entardeceres transformados em noites. Ali, encostados na parede branca junto da grande e sonora televisão que eles nunca miram, querem lá eles saber da televisão, o olhar perde-se longe no vazio, na sombra da memória, na linha do chão, na espera. Em alguns é imensa a vacuidade, transborda indisfarçada no seu olhar triste, deixa-me inquieta, comovo-me e tento não pensar, preciso afastar dali a mente e a minha comoção, tento representar o meu papel, sou simpática, não sei que lhes dizer mais para além das frases feitas do costume, fico embaraçada enquanto sorrio e tento disfarçar o que sinto, porque me sinto falsa e eles querem lá saber das minhas perguntas “Gosta da comida, Sr. Manuel?” ou “Foi bom o almoço D. Joana?”, que eu sei que eles vivem para comer, é uma hora importante do dia a hora das refeições, é o seu ponto alto de manhãs e tardes quase sempre iguais, quase sempre na mesma cadeira em frente ou ao lado da grande televisão ignorada, quem dera gente na vez da televisão, as vozes estrepitosas dos filhos ou dos netos…visitas são bem poucas as dos meus amigos conformados e tristes, alguns, que outros há alegres, e de namoro novo, adoro esta parte da coisa, quando me contam que a D. Joaquina e o Sr. Francisco começaram a namoriscar lá no Lar e dão-se muito bem, passaram a viuvez de outro modo, que a maioria deixa de viver quando o companheiro morre porque parece-lhes mal que se divirtam as viúvas, são de antiga muito antiga geração, uma omnipresente e pesada lei costumeira impede-os de deixarem o preto do luto para voltarem a ir nas excursões, a colaborar nos preparativos das festas, a dançar no bailarico dos santos.
O Sr. Zé, no café, já choramingou enquanto eu escrevo, quando uma senhora dele se aproximou e ali ficou um pouco a conversar acerca da recente morte da sua esposa e sobre as suas noites passadas sozinho, mas deixe lá Sr. Zé não pense nisso, e fique em sua casa fique em sua casa enquanto puder, não deixe a casa Sr. Zé, está lá melhor ainda que sozinho, não lhe parece? Não pense muito nisso. Que o melhor é não pensar muito nisso, Sr. Zé.
sábado, julho 11, 2009
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