segunda-feira, dezembro 27, 2010

eu não queria, mas...

fui ao norte. ver de neve. não vi. estava muito longe de mim, desta vez. fui e voltei e na viagem vinha a pensar em tantas coisas que me apetecia escrever, passaram-me de supetão pelo....pensamento?
ouvi o júlio machado vaz na rádio. é sempre reconfortante ouvi-lo, porque o acho sempre inteligente e tonto ao mesmo tempo, como se não fosse tão interessante como parece ser quando o leio, e isso o deixasse mais próximo de mim. como se fosse possível ser apreciado e gozado ao mesmo tempo. e é. estúpido, eu sei. pensei em dizer qual foi a melhor prenda que recebi, mas depois pensei para quê?, um bilhete para ir sozinha. eu sei que foi do coração, eu sei que adoro a banda, mas o bilhete não foi para dois, porque não há dois. depois, pensei que podia fazer um balanço do ano que acaba, tipo telejornal: o melhor, o pior, o que ficou por fazer, o que me aconteceu de extraordinário, essas coisas. até comecei a pensar 'direitinho', a organizar ideias..."ah, começaste o ano em grande, cheia de boas energias, tão boas tão boas que na Primavera estavas apaixonada pela vida, pelo mundo, por toda a gente que te rodeava, tudo era belo e a Natureza é a perfeição, oh deuses, se é! e andavas tão bem disposta e sorridente que foste "atrair" (oh, sim, porque só foi isso, ele não se apaixonou, caramba!) o único rapaz que não sabia bem o que fazer ainda do coração, do amor, de ti e ainda assim andou à tua volta (quantos dias? semanas? vá, não foi muito tempo, menina) até te apaixonares como se tivesses 15 anos outra vez e fizestes coisas com piada (quem manda telegramas a quem hoje em dia?? vá lá, orgulha-te, ele nunca o recebeu e foi parar ao vizinho, teve piada, pá!..) é certo, mas que não imaginavas vir a fazer (foi a parte que soube bem......ok, ok, mentira, houve outras coisas boas) e ainda assim, saíste inteira e tiveste o teu grand finale à filme, sim, sabes que sim foste uma senhora e o rapaz, a cara dele, enfim, não andamos todos meio 'perdidos' neste turbilhão?.... também sentiste cedíssimo que não eram tampa e panela que encaixassem, sabias bem o que ele 'tinha', contudo, desta vez deu até para racionalizar porque foi tão evidente, não é todos os dias que conheces alguém que faz da sua vida quase tudo o que quer e lhe apetece ainda que com as devidas contingências, como toda a gente....o rapaz andava 'ao sabor do vento', ainda assim planeando, uma coisa meio paradoxal e por isso interessante, e sabendo perfeitamente que, acima de tudo já não fazia mais o que não lhe apetecia, o que o acorrentara a uma vida das 9h às 5h, era livre para se dedicar à sua paixão e dela viver, mal, é certo, queixou-se ele também mas bolas!, estiveram próximos o suficiente para provares um bocadinho do sabor da liberdade, oh quem foi atraída foste tu, sua pateta.....mas isso não é amor minha querida, não foi amor, como bem sabes. 
lá veio o Verão, o rapaz foi-se (longe da vista.....ajuda tanto, tanto) e tu foste voltando ao teu estado normal, já comias e dormias bem e aos poucos voltavas a sorrir de novo...foste avisada, e quem te avisa teu amigo é: "estavas tão bem antes de o conheceres, estavas com tão boa energia que até se pegava! podias ter o mundo aos teus pés.." exagerou deveras a amiga, a ver se eu voltava ao "estado inicial"... esse era o estado em que me encontrava depois do Natal que passei com neve (nunca tinha sentido neve cair-me em cima, nunca tinha estado com tanta neve à volta de mim, tanto branco e silêncio e os montes e campo só para mim) que me trouxe forças não sei de onde e uma boa disposição, um bom humor que andei o resto do ano - leia-se desde o Verão - a tentar recuperar, mas as coisas não são assim, não são como queremos e estas merdas abalam-nos, deixam-nos tristes e melancólicas e paradotas. e há coisas que se sentem, que se têem.. ou não. não se forçam. e sabes isso tão bem, tu que não gostas de forçar, de conquistar, que esperas sempre que  conquistem esse coraçãozito perdido no mundo dos sonhos... e o mais tonto, é que pode ficar-se assim, mas não pela pessoa em si. senti cedo não ser alguém que se iria sentar ao meu lado e fazer-me uma festa no cabelo e sorrir silenciosamente, carinhosamente diante de um disparate meu...e então de que vale perder a graça por alguém que entrou como um furacão e saiu como um passarinho pela janela (péssima metáfora, mas sou impulsiva e não me saiu melhor, a escrita está a sair a 100km à hora) e até já lá vai tanto tempo e onde já vai essa paixão, e nisto começo a perceber que a paixão de Primavera já não pode ser desculpa, o balanço que não queria fazer é este, não há cá mais desculpas, não há que fugir à verdade, os amores ficaram ex-aequeo, isto aqui é outra coisa, esta melancolia toda que nem a imposta ída de novo aos montes desta vez sem neve curou, isto tem um nome: chama-se o trabalho. o trabalho. o trabalho. este trabalho, este trabalho, este trabalho. são 10 anos disto. estou numa fase má. mas o mundo quase todo está numa fase má. e no fundo, o rapazinho representou o quê? aquilo que não tenho, aquilo que não sei como ter, aquilo que sonhava ser: livre. alguma liberdade.
este foi o ano em que percebi a força da minha prisão, o que ela representa e o quanto me pode magoar. 
eu não queria balanços, mas....foi mais forte do que eu. 
e não vale a pena pensar nas 'soluções' (já alguns amigos, carinhosamente, me as 'deram', me as tentaram mostrar, as quiseram subtilmente indicar, sobretudo essa minha querida amiga agora emigrante, ah, não fossem os amigos..) não vale a pena, não é por aí, sei bem que quando se está mal há sempre uma solução: muda-se! mas não é isso, isto é uma coisa existencial e tem que bater e tem que doer e tem que deixar marca, está visto, porque eu sei que isto vai soar a coisa estúpida, e é, a vida também é estúpida, não é só bela é uma bela merda por vezes, mas isto é mesmo idiota, a verdade é que me sinto mais viva do que alguma vez me senti, sinto-me mais próxima de qualquer coisa que não sei bem explicar o que é, como se me fosse apercebendo de que esta melancolia não é necessariamente uma coisa má, da qual ter medo ou ter vergonha, porque eu sou assim e sempre fui e quem me conhece há anos também me conhece a alegria, mas as coisas mudam, e a tristeza  (ou desilusão?) - coisa diferente da infelicidade - também me faz ser mais humana, ficar mais próxima do que vejo e me rodeia, que a pena de mim às vezes me faz perceber o quanto o mundo gira demasiado à volta do nosso umbigo e para quê? se o bom mesmo era aprender aos poucos a dar o meu tempo, mas dá-lo mesmo, as minhas mãos e o que posso fazer com elas, o meu sorriso a alguém, a alguém, a algo, a alguma coisa, o meu coração a quem gostasse dele, o meu amor a quem precisasse dele, e não precisamos todos? de amor? e qual é o problema, se o problema está é nas nossas cabeças, nas nossas merdas, nas intolerâncias que nos incutem, que nós mesmos deixamos que cresçam porque as vemos tarde demais, ou nem sequer as vemos. foda-se.
:) e depois....bem, depois aceitar que se calhar isto de se ser humano é uma coisa bastante esquizofrénica e nós passamos metade da vida a fugir a isso e a tentar ter tudo sob controle. and we cannot control it, we can´t control life as it is...
so...let it be. ou como alguém disse, take it as it comes.

sábado, dezembro 18, 2010



palavras magoam
ferem de morte
libertam
e harmonizam

especiaria da minha vida
a amizade
rara, cara, secreta, bela

redenção



do amor, não sei
do amor não sei nada, talvez nunca tenha sabido coisa alguma
sei apenas
de uma cadeira de baloiço onde me sento e vejo o céu, as árvores, o mar lento
aguardo na brisa amena do entardecer
é isto que sei do amor

se a vida se esqueceu de me ensinar a morte
e a alguém ouvi dizer "não sabemos"
restam-me lágrimas
quando ma anunciam

e são lágrimas, amiga
no fim das palavras
tuas, depois das minhas  
atiradas como se não fossem balas 
são lágrimas que me abandonam e libertam

contrição



é deste líquido interior que sou
com passagem marcada e sem paragem
pelo meu coração de fibra e alma talhado
toda eu nele
e a quem amo em mim


sei da festa, da dança, conheço-lhes as cores
a magia, os sorrisos que me levam longe 
daqui, deste lugar
crú 
cinzento repetido insonoro
coma 
em vida de olhos abertos e sós

sei da festa e dos sorrisos
do corpo embalado que se enleva
porque os deuses lhe tocaram piedosos


e sei do mar do amar da dor sei do som da gratidão, do teu olhar
do meu sonhar, da solidão o esquecimento sei do perdão 
sei da cor e do sabor, sei do som e dos pinhais
sei da vida e sei da morte, de tudo sei que tudo é sorte
ou sorte sem 
de tudo ou nada e de ninguém
sei de mim de ti assim
sei de nós, não sei se sim
mas sei que tudo é sem saber
o amor eterno de viver.


terça-feira, dezembro 14, 2010

regresso ao passado

terça-feira, dezembro 07, 2010


For one human being to love another; that is perhaps the most difficult of all our tasks, the ultimate, the last test and proof, the work for which all other work is but preparation.

Rainer Maria Rilke


quarta-feira, dezembro 01, 2010

na cozinha

talvez por ser inverno, talvez por ser a minha cozinha. ontem, servido um gostoso jantar para quatro.

batatas pequeninas para assar, 6 bifes de frango do campo, 2 molhos de nabiça para uma espécie de esparregado, cogumelos frescos laminados, arroz basmati.

 

o esparregado

cozi os 2 molhos das nabiças cortadas em tiras finas, escorri bem a água, juntei num wok 3 ou 4 dentes de alho muito picados ao azeite, mandei para lá as nabiças de novo cortadas para ficarem mais pequeninas e fui mexendo com colher de pau de madeira, ainda uso dessas cá em casa. o esparregado faz-se com pimenta, um pouco de farinha, vinagre, mas optei por deixar apenas a coisa meio salteada, sem acrescentar mais nada.

 
o frango

temperei os bifes de frango com muito açafrão das índias, 6 ou 7 dentes de alho picados, sal, e vinho verde. depois de marinar 20 m - não houve tempo para mais - fritei os lombos em cebola cortada em meias rodelas muito finas e uns grãos de cravinho. não ficaram muito tempo ao lume. 

 
os cogumelos

aproveitei o resto da gordura do frango, acrescentei azeite, manteiga e sal. salteados foram os cogumelos, sem mais. o sabor do açafrão e do cravinho entranhou-se subtilmente nesta mistura.


o arroz

cozer em muita água o arroz após lavagem (lavar sempre o arroz, seja para o que  for, disse-me a minha querida D. Rosa, a melhor cozinheira do mundo, nascida em Goa e perita em arrozes..) e juntar-lhe uma noz de manteiga. 10 a 12 m chegam e sobram. tem de ficar solto, no ponto.


as batatas

lavei com água quente as batatinhas que se compram já para assar em sacos pequenos, cortei em rodelas grossas com a casca e fritei-as em azeite, como a minha avó Lina (de Umbelina, quis a sorte..) sempre fez. se cá tivesse, tinha acrescentado tomilho, como vi ao Sá Pessoa fazer no domingo passado, algures aqui.

servi com tinto  bonzinho e alentejano (what else?), acessível: Vale do Rico Homem, para começar e para mim o melhor, depois uma de Marquês de Borba e outra de Terras de Juromenha, estes oferecidos pelos convidados (sobrou uma que fica para o próximo) como manda a tradição. para sobremesa fizeram eles, fondue de fruta em chocolate.

depois do dia triste que tive - o médico confirmou a hérnia e percebi o que implica em termos de exercício e actividades que fazia, que ainda queria vir a fazer e não posso, realmente triste fiquei quando saí do gabinete, o que se veio a traduzir em choradeira lá no trabalho - valham-nos os amigos próximos, para nos confortar. 

bon appetit  !


quinta-feira, novembro 25, 2010

a angústia do guarda-redes antes do penálti

não é óbvio ou assim evidente (é óbvio e evidente...) que 80% das coisas que penso e sinto não as consigo deixar aqui no meu blogue, porque ele não é meu, ainda que não tenha sitemeter para saber de quem mais ele é. 

se metade daquilo que sinto e tenho vontade de escrever fosse aqui publicado,provavelmente (porque nada é óbvio e evidente) não saberia como sair de casa no dia seguinte.


e não estou a referir-me a coisas do tipo fantasia sexual ou o que realmente sinto em relação a um amigo próximo.


nã. não é disso que eu falo. mas como é óbvio e evidente, não vou escrever 80% das coisas que sinto, que penso.

e também sei, porque é óbvio e evidente, que este post é provocador, que seriam precisos tomates que não tenho para ser genuína na escrita e desempoeirada na atitude.


e quem eu mais gostava que me lesse (as minhas amigas distantes) nem o deve fazer porque nem tempo têm para isto, esta coisa de andar a ler o que lhe vai na cabeça e na alma não é para elas, e eu ainda assim insisto. 

mas nem com provocações vou lá.


e como é óbvio e evidente, estou a pedir mimo. está muito frio aqui no sofá.


bem, vou aceitar o convite e beber um copo (4) num bar horrível para não ficar aqui a pensar na hérnia discal que parece que tenho que não percebo nada dos hieróglifos da TAC.

e lá se vai o surf (sim, sim, estava mesmo a ver-te..) e o ginásio e as subidas de montanhas à maluca, e estou muito, muito, mesmo triste e cheia de penita de mim:(:(


quarta-feira, novembro 24, 2010

em greve, estamos

"Car@s Alun@s,


Venho comunicar-vos que hoje, mal chegue à Universidade, comunicarei, para os devidos efeitos administrativos, que estou em greve. Com efeito, estou pessoalmente um bocado aborrecido com um Senhor que dá pelo nome de «Mercados financeiros internacionais», que é liberal para impor condições que beneficiem e maximizem os seus lucros, mas é fortemente intervencionista quando se trata de exigir aos Estados que intervenham para o salvar, voltando a ser liberal quando se sente melhor de saúde, graças aos medicamentos que nós, contribuintes, lhe comprámos... E, colateralmente, aborreço-me com a classe política que, de muitos sectores, não consegue ver isso.
Estarei, contudo, disponível para tirar dúvidas ou conversar sobre trabalhos facultativos para a cadeira de Filosofia do Direito.
Cordiais cumprimentos!
SRC"

Silvério da Rocha e Cunha
(Professor da Universidade de Évora )

sábado, novembro 20, 2010

as broas da zinha

é da influência das amigas que querem ser chefes de cozinha e inventar umas coisas giras e saborosas, é da influência de blogues como o salivante flagrante delícia, é por influência das colegas - a zinha é mãe de uma delas - e de livros e filmes de que oiço falar, é por ser gulosa, é por saber que não cozinho mal e até gosto de andar a inventar um bocado com as especiarias, é por ser outono e saber bem o calor do forno que hoje dediquei metade do dia às compras de comida e ingredientes e uma  pequena parte a confeccionar umas broas de erva doce e canela e açucar amarelo que ficaram cozidas demais porque o meu forno é uma trampa mas ainda assim sabem bem e já marcharam umas quantas cá em casa. nham...
e a alheirinha caseira com grelos de nabo do jantar de sexta-feira já ninguém me tira. é isso e os gramas a mais que já cá cantam, esses também ninguém mos tira. chatice, pá...!

sexta-feira, novembro 19, 2010

tanto inho

rodeada de meninos e meninas de 2 anos durante cerca de meia hora, sentada numa cadeirinha que pensei que se fosse partir com o meu peso em cima. eram todos lindos, fofinhos, eram mesmo. fartei-me de ver livrinhos, disse muitas coisinhas tontas aos meninos e meninas e sorri bastante. mas...o dia inteiro a ouvir o barulhinho deles todos juntos, não é para qualquer um. e a dada altura, quando sozinha noutra sala e a ouvi-los ao longe, pensei que definitivamente gosto mesmo de silêncio(s) embora seja uma tagarela de primeira apanha. trabalhar mesmo, era sem tanto barulhinho ainda que bom. respeitinho pelos educadores e professores de meninos e meninas deste país. e já agora, para quem trabalha com oito mulheres numa única sala, devia era estar caladinha.

quinta-feira, novembro 18, 2010

mistérios de évora

maybe, just maybe in another life I was an english speakin' woman, living around the XVII or XVIII century, wearing those long dresses with espartilhos, fallin' in love with the first green eye tall man who invites me to dance in a dance hall of an exquisit house. I spend my time between a garden and a greenhouse and a cosy kitchen. and 'cause my english is not that good, I suppose it means I wasn't a very educated person, and by education I mean litteracy, so I was probably poor and with some luck, I was the maid of the house. maybe, just maybe, the housekeeper, who one day marries the landlord who happens to be the owner of beatifull eyes. green. maybe, just maybe I'm a little bit out of imagination. I wonder if I had a stepmother and washed the stairs all day in my youth?...mmm..maybe it's better If I go to bed now.

domingo, novembro 14, 2010

rtp 2

posso dizer que sendo habitual consumidora do canal 2 do serviço público de televisão, estou em condições mínimas de avaliar o conteúdo de programas apresentados, e este,  transmite-me genuínas reservas mas por vezes, caso de hoje, surpreendida fui pela positiva.
a minha série de tv favorita era o six feet under e não havia 2.ª-feira ao serão em que eu não ficasse em casa para assistir a cada episódio que a :2 emitia. era ver-me trocar sms com uma amiga quando chegava ao fim só para comentar alguma cena ou alguma coisa relativa ao episódio que nos deixasse mais entusiasmadas ou entristecidas...também era na  :2 que eu via com o meu irmão a série Twilight Zone, a preto e branco, no quarto da minha mãe porque àquela hora via-se o telejornal na sala. bom, mas se fosse agora desenrolar a lista de coisas que vi na dois, tornava isto chato e não quero isso.
apenas dizer que hoje, enquanto avanço contente com o cachecol que ando a fazer, estou a ouvir e a deitar olho (oops, a malhinha que fugiu..!)  à rtp 2 e vi um documentário muito bem feito, narrado por Diogo Infante esse detentor de poética voz, sobre o livro Esteiros de Soeiro Pereira Gomes, numa excelente série que se chama Grandes Livros e passa neste canal aos domingos ao fim do dia. sabia que SPG tinha sido de esquerda, provavelmente comunista e isto porque havia lá em casa uns livros dele na prateleira, da Editorial Caminho (conotada com a esquerda e "sustentada" anos pelo PCP, agora não sei,e que editava os ditos autores de esquerda). o documentário confirmou que sim, foi membro do partido comunista, viveu uma boa parte da sua vida na clandestinidade e afastado da mulher até morrer de cancro aos 40 anos. escreveu esta que é considerada uma obra exemplar do neo-realismo português, retrata a vida de uma quadrilha de miúdos de 11, 12 anos que trabalham como operários a fazer telhas na zona do Ribatejo, nos tempos da ditadura, ou seja, retrata a realidade que Soeiro "observava" da janela de sua casa. a dos meninos que eram homens à força. logo a seguir a este vi outro documentário de que gostei, da série Conversas No Cabeleireiro, em que cada episódio retrata a vida de 1 mulher , numa série de 5. falam um pouco da sua vida, enquanto sentadas num salão de cabeleiro antigo no Chiado. a visada hoje foi a endocrinologista Isabel do Carmo, também de esquerda, também ligada ao PCP. diria que hoje a :2 está deveras 'virada à esquerda,' e não me refiro à esquerda socialista, o que tem a sua piada.
por mim só tenho a agradecer o serviço público prestado nestas interessantes produções nacionais, para compensar o resto da programação nhónhó com que tenho de papar. eu que teimo em não meter tv cabo cá em casa, para ver 5 canais e ter de pagar 876, recuso-me.
agora, depois dos Simpsons, uma série documental francesa sobre a vida dos Kennedy. eu diria que é o melhor dia de semana para ver este canal, depois daquelas horas intermináveis de desporto sensaborão, mas a partir das 19h e até tarde, é de seguida e é quando estou mais tempo frente ao televisor. até porque sou fã incondicional da BritCom.
venham elas, as coisas boas na têbê, que qualidade é coisa rara no ecrã que mudou o mundo.


segunda-feira, novembro 08, 2010

(vieram -me lágrimas aos olhos com este excerto)

Há cada vez mais crianças com carências alimentares. Algumas cantinas escolares vão abrir ao fim de semana e nas férias. Professores asseguram alimentos, livros e roupa.


«Apesar de graves, muitos casos não são fáceis de detetar. "As crianças aprenderam a encobrir a sua pobreza", explica Sandra Santos, assistente social no Agrupamento de Escolas da Damaia (Amadora), onde 60% dos alunos são carenciados. Por vezes, não confessam o problema aos professores, mas pedem ajuda aos amigos da turma. "Notámos, por exemplo, que havia alunos que não comiam o pão do almoço ou a sandes do lanche, mas que os guardavam. Ficámos atentos e percebemos que iam discretamente ao pátio dar o que não comeram a um colega que lhes tinha pedido para poder levar para casa. De alguns desses casos nem sequer tínhamos consciência", diz.»

Texto publicado na edição do Expresso de 6 de novembro de 2010

o artigo todo, aqui

 

terça-feira, novembro 02, 2010

segunda-feira, novembro 01, 2010

filmes

ontem, enquanto esperava sentada na cadeira de rodas (nunca tinha andado numa) para ser vista nas ugências do s. francisco xavier, observava atentamente aquela gente que por ali andava nos corredores, um entra e sai de médicos, enfermeiros, auxiliares, pacientes e acompanhantes, bombeiros e outros não identificáveis e imaginava-me a trabalhar ali, ou em outro hospital, sítios que, apercebo-me, exercem em mim um certo "fascínio" que nunca pensei ter mas, afinal, parece que tenho. sou fantasista desde pequenina e sempre gostei de séries televisivas com médicos e hospitais e posso bem estar a confundir ficção com realidade mas parece-me que não é bem  isso. também não sei o que seja, e consigo vislumbrar as diferenças entre o meu centro de sáude e as minhas parcas visitas ao médico e entre os hospitais que conheço mal, e as séries com os médicos giraços, as cenas quentes na arrecadação de material, as tricas e a ironia do House em gabinetes de fazer inveja a um secretário de estado cá do burgo, o frenesim da chegada dos feridos ao banco de urgências no ER, as crises existênciais da Meredith anatómica, e por aí fora...nada de confusões, sei bem que os nossos hospitais e médicos são muito menos glamourosos e as histórias picantes são muito mais banais que as das séries da TV. mas pronto, imaginava-me trabalhar num hospital. a fantasia da minha personalidade pouco ambiciosa e preguiçosa transfigura-me numa enfermeira dedicada e paciente, atarefada e empenhada,  a passar bisturis a cirurgiões em salas de cirurgia de um hospital grande e urbano, e por isso mesmo, por ser pouco ambiciosa e preguiçosa, a não ser antes a médica que pede o bisturi para abrir a barriga do paciente - isso seria sonhar demasiado alto, embora seja pessoa de ver entranhas sem desmaiar quase de certezinha ainda que nunca tenha visto ninguém com os intestinos de fora. dizia eu que, enquanto esperava (para ser vista por um ortopedista cheio de ironia e muito charme e levar uma injeçãozinha no rabiosque dada pelo enfermeiro mais giraço que até hoje vi) pensei que devia ter estudado para trabalhar num hospital, onde se calhar haveria mais adrenalina, mais sensação de utilidade pública, maior proximidade com os problemas reais do outro, mais realização pessoal, mais qualquer coisa ainda que não saiba explicar que coisa é essa. e depois, teria um curso muito específico e útil em qualquer parte do mundo e metia-me na AMI e ala por esse planeta fora. sonhar não faz mal pois não? foi nisso que pensei enquanto a minha mãe ia dizendo o que sempre disse "odeio hospitais, fico tão nervosa" e fica realmente transtornada enquanto eu a acalmo, como fiz da outra vez que fui operada ao olho, a minha calma é estranha, e obviamente nunca tive nada de grave e sério mas é como se confiasse irracionalmente naquela gente, naqueles sítios de curar e morrer, de nascer e perder, e sei o quão mal dizemos deles e do SNS e muitas das vezes com razão. mas sei lá, sei que teve piada que o médico tivesse exactamente a mesma ideia que eu quando pediu para a minha mãe entrar na sala e "vamos pregar um pequeno susto à mãezinha.." com um ar de ironia irritante mas que a mim me divertiu, e não foi ele mas fui eu quem lhe deu a notícia falsa que ele imediatamente corrigiu mal me deixando acabar a frase, porque foi só a brincar e ela mal teve tempo de ouvir bem, pelo que nem se assustou e ainda bem, era mesmo só brincadeirinha porque o humor tem que entrar nestas coisas, mesmo quando são sérias, que não era o caso. o caso foi que me deu uma dor lancinante nas costas e fiquei especada no meio de um centro comercial em plena tarde de domingo chuvoso, sem me conseguir quase mexer, mal andar e respirar, irra, que dorzinha lixada, mas por enquanto, parece que não foi nada de sério e grave, e por isso o tom leve desta crónica.
no final da história eu teria apenas uma lombalgia de esforço (diagnóstico primário do médico charmoso e irónico, senhor para ter aí uns 15% de personalidade Dr House) e de novo entraria naquelas urgências por um qualquer motivo light, o mesmo médico iria atender-me e apaixonava-se por mim e eu por ele, o enfermeiro seria convidado para o casamento (mais tarde, muito mais tarde, quando eu e o Dr House tuga já estivessemos um bocado fartos de ir para a arrecadação - sim, eu entretanto tirava o curso de enfermagem e seriamos colegas embora mal nos vissemos porque a minha especialidade seria cirurgia e a dele apenas a ortopedia (!) e então aí, o enfermeiro do 1,90m teria um caso tórrido comigo que duraria apenas 5 meses porque apesar de tudo o meu amor era o ortopedista charmoso e gozão) e viviamos felizes para sempre com os nossos salários do SNS, pois nem eu nem ele exerceriamos clínica privada por acreditarmos no SNS e sermos de esquerda radical e os nossos princípios incompativeis com práticas médicas burguesas. historieta gira, não?
viver no campo dá  nisto..

The End

sexta-feira, outubro 29, 2010

'tão pá? temos orçamento ou quê?
cambada de meninos, pá.

...

o melhor é pensar em alistar-me e ir com os outros "habitar" Marte. ouvi dizer que se come bem por lá.

....

hoje chove. amanhã também vai chover.

..

parece que vamos ter orçamento. já vou dormir muito mais descansada esta noite, ufa.

domingo, outubro 24, 2010

sábado, outubro 16, 2010

"Portugal é do Povo. O Estado é dos Republicanos."

jargão da I República.

...

Portugal é do Povo. O Estado é dos socialistas.

irónico, não é?

muito.

quarta-feira, outubro 13, 2010

things change

já não me apetece saltos. não me apetecem blusas com aquele look indie-rock-indie-gente. já não me apetecem brilhos e brilhantes, fios prateados em lenços. não me apetecem calças demasiado justas e t-shirts demasiado justas a dizer "chocolate" em pedrinhas azuis a imitar diamantes. já não me apetecem a maioria dos colares pedra-dura e pechisbeque H&M anos 80. não me apetece - tanto - pintar os lábios. as unhas dos pés e das mãos, já não pinto. não me apetece a sombra negra, o vestido preto, quando acordo a sentir-me Joy Division e decido que nesse dia vou andar assim, toda de preto. mesmo que isso só me tenha dado duas vezes na vida. já não me apetece tanto. porque um dia destes ainda pode vir a apetecer. para variar. porque preciso e conheço-me desde sempre, a variar. agora já não me apetece comprar uma saia da zara igual a milhões de outras, se ao lado estiver alguém a vender uma feita com as suas mãos e ela não sendo perfeitinha, nem bem acabada como diria a minha avó, não se vê repetida ad nauseum em todo o lado. mas ainda vou à zara e levo comigo para o provador apenas aquilo que me parece simples, o mais simples possível. já não me apetecem apenas as blusas que me disfarçam as mamas, se for apenas esse o intuito da compra. quero as simples, fluidas, confortáveis, de bons tecidos. já não me apetece perder horas nas lojas, a experimentar mil coisas diferentes entre si. já não me apetecem as mil e uma peças diferentes e que vestem uma rapariga diferente a cada dia, se lhe apetecer (a)parecer diferente a cada dia, ainda que num modo próprio - o romântico, como o defini um dia. feminina, sim, ainda me apetece. mas sem merdas. sem produção. sem floreados e saltos altos para alongar as pernas. só me apetece brincos e colares e pulseiras e anéis feitos por alguém que eu veja e se eu não vir que importa?, com materiais trabalhados à mão, simples, simples, simples. a prata e as pedras semi-preciosas, as madeiras e as imitações de marfim, o metal ali do tunisino que nem sempre amarelece e se sim, azar. estou encantada com as minhas pulseiras de pedrinhas semi-precisosas, o anel largo de madeira desconhecida, os brincos de pau preto moçambicano, os outros de osso de vaca da senhora do Senegal...os pintados à mão pela rapariga que mos vendeu este verão. comecei a fazer um cachecol de lã. vou fazer cachecóis e golas e perneiras. escolho eu os tons e invento eu. porque não? fazer malha é um bom anti-stress, dizem. não ando stressada, mas preciso de não passar os serões de inverno na net, a escrever no blogue e a teclar com amigos. quero usar as minhas mãos para fazer coisas sem o uso do intelecto. gosto de cortar cabelos. não me apetece o que parece ser mas não é bem, ou não é nada. e sobretudo, já não me apetece ser vestida pelo mundo, mas vestir eu o mundo em mim.