quarta-feira, janeiro 24, 2007
Transgénicos fora do prato?
O tema de discussão de hoje na RDP Antena 1, é sobre a questão dos produtos transgénicos.
Das participações em linha (biólogos, engenheiros agrícolas, produtores agricultura biológica, políticos, professores..), são praticamente todas unânimes em relação ao facto de esta ser uma matéria sobre a qual há ainda muito poucos estudos sobre os efeitos não só na Natureza, como no ser humano.
Mas levantam-se questões como a da produção de sementes transgénicas ter por trás grandes empresas e interesses económicos vastos; a sua produção levar ao surgimento de sementes resistentes à aplicação de herbicidas - permitem que mais produto seja aplicado, logo, levam a um impacto maior e mais negativo sobre os solos e sobre o ambiente; a questão de estas sementes não poderem voltar a ser 'usadas' (sementes terminator) ou seja, perdem o seu poder germinativo, o que em extremo poderia levar à extinção do processo natural de 'reutilização' das sementes (método milenar e natural, depurado pelo Homem) e consequentemente levar ao aumento da dependência dos agricultores em relação às empresas que colocam as sementes de transgénicos no mercado, ou seja, ao aumento das suas vendas e lucros; a questão da falta de rotulagem nas rações que são dadas aos animais, sabendo-se hoje que 95 % desta produção de transgénicos é canalizada para estas rações e outros produtos sem rotulagem (apesar da resistência dos consumidores nomeadamente na Europa, a estes produtos, a sua produção tem aumentado, para onde vão?) e nem sequer há legislação que obrigue à rotulagem destas rações, o próprio produtor não sabe o que vem dentro do saco...isto leva a que a carne nos supermercados, talhos, etc, também não contenha no seu rótulo, a origem das rações do animal, pelo que não sabemos se estamos a comer carne e até derivados do animal (leite, etc) que acabam por ser alimentados com/conter transgénicos; falou-se da questão da falta de estudos e informação sobre o que acontece a estes animais que são alimentados com transgénicos; há um testemunho que defende a sua utilização e cultura, nomeadamente porque aumenta a produção em 2 a 3 vezes mais que na cultura de sementes normal, precisamente por serem sementes mais resistentes a pragas (contraria de algum modo o testemunho do colega engenheiro agricola que diz que estas sementes são resistentes aos herbicidas, tendo de ser este utilizado em maior quantidade) e que os agricultores têm direito a lucrar com o que produzem, porque a agricultura é neste momento uma indústria; um professor universitário contraria a engenheira zootécnica que afirmava não existir na rotulagem a origem das rações, ao afirmar que estas são rotuladas, sim; enfim...há contrariedade e dúvidas, há falta de informação credível, há pelos visos falta de evidências sobre esta matéria. Mas em caso de dúvida, há a precaução. Se ainda não há certezas - de repente lembro-me (pelo que de humano se revela nesta tendência de nos dividirmos quase sempre em duas facções) da questão do aquecimento global, com os 'cépticos' que afirmam ser um fenómeno normal da Natureza, e os que afirmam ser contribuição da actividade humana, estes em maior número, ainda que em relação a esta matéria as evidências estejam à vista - e se ainda não existem estudos suficientes sobre os efeitos dos transgénicos na nossa cadeia alimentar, ficamos na incerteza. Mas o melhor é precaver-mo-nos. Vou ficar a ponderar como fazê-lo, dentro das minhas possibilidades... Entretanto, pode ser que daqui a 20 anos, descubram que o milho das pipocas e a soja transgénica das rações das vacas, sejam a causa do meu cancro no estômago. Ou não.
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terça-feira, janeiro 23, 2007
sexta-feira, janeiro 19, 2007
[hoje, deixo espaço para a crónica do meu querido amigo Tomaz, longe de nós há três anos, e que versa sobre esse imenso Rio, do Brasil, na sua forma inspiradora de sentir a realidade. Obrigado Tomaz, por aceitares o meu convite]
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Rio de Janeiro, 18 de Janeiro de 2007.
Este é o prenúncio de cada manhã, nesta terra estranha, tão longínqua e em simultâneo, tão próxima de mim.
Sou mais um desses "passarinhos urbanos" que como cantou Chico, "chacoalham no trem da Central". Este comboio, que me leva à viagem infinita das faces e da poesia nelas. Umas vezes poesia triste e outras poesia alegre da existência. A lei de um quotidiano.
Venho de um dos muitos subúrbios de um gigantesco subúrbio, de uma gigante metrópole onde cada vez mais, a alma é um bem tão mais precioso que o corpo e a vida em si. O único bem que nos resta para que o samba da violência não nos retalhe, como a mais um, que virá amanhã nas parangonas do jornal matinal "encontrado pela bala perdida".
Aqui no doce encaixe das verdes montanhas que encontram o mar, nesta terra a quem um dia chamaram "Cidade Maravilhosa", me encontro. Rio de Janeiro.
Todas as manhãs, cruzo-me com essas personagens que são os figurantes do filme que protagonizo. Aquele velho doido que vende os pães e o café numa garrafa "termo" e que com um relógio/termómetro na mão, diz no seu pregão: "Salvé guerreiros da luta, vocês são o coração deste povo...Têm ainda pão....Um real...têm ainda café... São oito da manhã, 27 graus tá marcando". E aquela figura é a imagem desta terra, da bondade e da irmandade entre pares, da loucura sã de procurar a alegria na sobrevivência. Porque aqui todos somos irmãos de miséria e virtude. E todos temos mais o sentido do que é realmente a igualdade.
No comboio, encontro os rostos da Baixada (Baixada Fluminense - área periférica a norte do Rio de Janeiro, um conjunto de cidades e bairros, marcados pela profunda pobreza e violência), encontro aqueles batalhadores de 300 reais/mês (aproximadamente 100 euros), que trabalham sem descanso semanal de Domingo a Domingo, para alimentar a prole numerosa. Aqueles rostos levam um sorriso triste de uma eterna esperança. De uma convicção que Deus é o único amparo.
A morte aqui não é pranteada como aí,...a morte é apenas o fim do inferno em que tantos vivem. E a morte, buscando o fundo antropológico africano, é um renovar de esperança para os que ficam, mais mesmo que a saudade que acaba permanecendo.
Na saída do comboio, na velha Central do Brasil (estação principal de comboios do Rio), fervilha em bulício o movimento da mole humana.
Cada um no seu caminho, cada um no meio dos restantes. Os "camelôs" (vendedores ambulantes) vendem tudo o que se deseje. Vendem carga roubada, contra-feita, sem factura, esperando que os Guardas Municipais ou os seguranças dos comboios, não "façam o rapa" (expressão que significa carga apreendida).
À distância da esquina próxima, aquele carro-patrulha com aqueles vultos cinzentos (a Polícia Militar do Rio usa fardas cinzentas escuras), perscrutando qualquer movimento anormal. Vigiam-nos na sombra, com aquelas armas de assalto temidas. A visão do 7,62 ou do M-16 é incomodativa, mas já habitual (7,62 e M-16 são as armas de assalto usadas pela Polícia Militar do Rio de Janeiro, de grande alcance e muito poder destrutivo). Os rostos dos polícias, sempre tensos. Aqui, morre-se por se estar vivo. Morre-se das balas dos polícias e das balas dos bandidos. As balas matam igualmente, sem distinção. As balas não matam sozinhas, são disparadas e tantas vezes com tão pouco critério.
A cada espaço intercalado, surgem montanhas, que perdem cada vez mais o verde que as cobria desde o início dos tempos. Hoje, cada vez mais crescem aquelas "colmeias" de tijolos e cimento forçado, a que chamaram um dia de "favelas". Ali, talvez seja onde resta a primária nobreza, o "sangue bom", a raiz e ritmo de um povo. Ali também, é onde a sociedade relegou os seus filhos mais desfavorecidos, para a pobreza, a marginalidade e a violência. São Carlos, Providência, Dendê, Pavão-Pavãozinho, Cantagalo, Rocinha, Vidigal, Juramento, Andarái, Macacos, Kerosene, Rebú, Salgueiro, Mangueira, Tatuí, Congonhas, Acarí, Manguinhos, Jacarézinho, Fubá, Chacrinha, Cidade de Deus....estes são alguns dos nomes da ignominia.
São os nomes onde a vergonha de cada um de nós marca, no passar dos dias, o destino de tantos inocentes.
As favelas, onde esses trabalhadores sobrevivem e lutam sem assistência dos mais elementares serviços básicos - sem saneamento, sem educação, sem justiça, sem pão, sem paz -, onde riem e cantam o seu samba choro do dia-a-dia.
Brutalizados por uma máquina policial, que entende que acantonar estas "pessoas de bem", e vivendo na encruzilhada da sua pobreza, reféns dos soldados do tráfico de droga (que acabam mortos e presos, com nunca mais de 20 anos) e que paradoxalmente acabam sendo os benfeitores da comunidade, pois eles são os únicos que suprem a necessidade de consultas médicas, de obras em casa e transportes das comunidades.
As favelas e seus filhos, no limbo do frágil equilíbrio entre bandos criminosos — um bando ao serviço de uma lei que nunca defendeu os seus cidadãos e outro bando que usa estes "filhos de um deus menor" como escudo, e onde poderosos e ricos acabam sendo os beneficiários de um esquema vil, onde mais pobreza e ignorância garantirão o eterno ciclo de uma sociedade que vive sob o signo da desigualdade "genética".
Os filhos nobres da "favela", estão vetados a ser invisíveis, até ao dia em que em qualquer assalto desesperado,"dura da polícia" (expressão que significa repressão policial arbitrária), ou bala perdida na troca de tiros da invasão à favela, os atire para as páginas dos jornais como corpos banhados em sangue jazendo no asfalto, ou irremediavelmente algemados, a caminho de Bangú (presídio estadual do Rio de Janeiro).
Nas nobres praias da cidade, passeiam-se os que estão na outra amplitude desta insanidade, a obscenidade da riqueza, que os mantém reféns do medo em seus condomínios de altíssimo luxo e carros importados blindados.
A solução segundo alguns, seria aplicar a pena de morte. Eu acho que a única pena de morte que devemos aplicar, é a morte de um sistema que cliva uma sociedade, onde os ricos justificam a sua riqueza desde os tempos coloniais portugueses, com um trabalho escravo desses que vivem nas favelas e em subúrbios podres da Baixada.
Aqui há também o samba, fervilhante, e a sensação de que a "vida é só um dia, mas o Carnaval são três...".
O Rio é a terra fértil de onde esses escravos bantos, trouxeram os batuques e repiques, e onde a harmonia dos nossos cavaquinhos gerou o samba. O samba que se universalizou, mas que se fez e faz de lágrimas e sacrifício, para que aquela alegria "que acaba Quarta-Feira" seja a catarse de tanto sofrimento que se acumula.
O meu subúrbio, Campinho - Madureira, com as suas escolas de samba, a Portela, o Império Serrano e a Tradição, é o berço do samba e da "malandragem" carioca.
É arrepiante sentir como se constrói aquele espectáculo, desde o início...e aqui o samba é coisa muito séria.
"Negra é a tristeza da despedida na avenida" cantava o imortal Cartola, espelhando que é triste o fim do Carnaval, quando a Avenida Sapucaí, onde fica o Sambódromo, se fecha e diz um "até breve" com um ano de interregno. E o ciclo repete-se e repetir-se-á.
O Rio é também, a cidade onde aquele esplendor colonial se reflecte de maneira soberba. A obra portuguesa nesta cidade, é maravilhosa. E as igrejas e monumentos emprestam a solenidade que só as grandes cidades podem ter.
Ali, onde descobrimos as razões de uma cidade maravilhosa, quando o sol nasce na baía da Guanabara juntinho ao Pão de Açucar, ou quando o Cristo Redentor, abraça toda a gigante cidade lá desde o alto do Corcovado. Sou particularmente apaixonado, por essa parte da cidade, o Cosme Velho, as Laranjeiras e o muito romântico Largo do Machado, memória espacial viva do lugar de predilecção do grande Machado de Assis.
O Rio é o futebol e aquele imortal Maraca (estádio Maracanã), onde os deuses do futebol marcaram tantos momentos para a posteridade.
Onde o "anjo das pernas tortas", o grande Mané Garrincha, driblou a própria vida, acabando andrajoso e alcoólico, como alguém que desafiou os deuses com o seu talento. Onde milhões de brasileiros, choraram em 1950, a amarga derrota para o Uruguai. Onde Zico, no seu jeito "galinho", encantou. Onde Pelé, fez um golo que tem uma placa que assinala o momento único desse mesmo golo.
O Rio é a terra, onde em qualquer rua, crianças jogam descalças e soltam papagaios de papel, que aqui se chamam "pipas".
O Rio é seguramente, o melhor e o pior lugar de viver, porque a nostalgia e o presente, são dois tempos diferentes e inconciliáveis e quando se perderem os últimos motivos para que o "canto carioca" se solte, aqui o inferno estará à mesma distância do paraíso. Este lindo paraíso......
Um abraço e saudades enormes do meu país, da minha gente, de todos os meus lusitanos amores.
João Tomaz Rodrigues
quinta-feira, janeiro 18, 2007
O que é a vida?
O poeta grego que comparou o homem às folhas que não duram,
quando o inverno lhes roubou a esperança de viver de acordo com
os seus desejos, não saiu esta tarde para o campo, nem viu o
corpo que se interpôs entre o sol e os arbustos, ofuscando
o céu com a sua brancura de nuvem primaveril. Perguntou,
no entanto, de que serve a vida, e para que serve a alegria,
se não existe, para além delas, o horizonte dourado do amor;
e afastou da sua frente o crepúsculo, dizendo que preferia
a madrugada, logo que o galo canta, para despertar com
o próprio dia. Esse poeta, que o pó dos séculos sepultou,
e não chegou a encontrar qualquer resposta para as suas
dúvidas, aconselhou os que o liam a que se divertissem,
antes que a morte os surpreendesse. E lembro-me, por
vezes, deste pedido, ao pensar que a memória de alguém
se pode limitar a uma pequena frase, nem que seja a mais
banal das sentenças, que nos vem à cabeça numa ou noutra
circunstância. Então, o poeta grego continua vivo; e esta
tarde, por trás dos arbustos, ouvi a sua voz no vento que
por instantes soprou, trazendo com a sua frescura o sentimento
que sobrevive a todas as estações de uma vida humana.
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in As Coisas Mais Simples, Núno Júdice, D. Quixote, p. 67
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quarta-feira, janeiro 17, 2007
terça-feira, janeiro 16, 2007
quinta-feira, janeiro 11, 2007
Há intransigências no ar. Nem sei muito bem identificar alguns dos motivos...ainda. Mas sinto-as como farpas, de vez em quando. E lanço-as, de vez quando, também eu. O que me perturba é a possibilidade de as mesmas terem uma origem simples e até básica, de explicação fácil: somos com os outros aquilo que somos connosco, não gostamos nem permitimos nos outros aquilo que em nós não está bem? Fico com a dúvida, que isto até a mim me soa a 'receita' de livro de bolso de psicologia para iniciantes, mas não tenho pretensões a aprofundar científicamente certas questões. Fico-me pela intuição, pela observação, pelo sentido crítico baseado nas minhas experiências e constatações, goste-se ou não, quer eu as assuma plenamente ou não - raramente o faço sem receios.
Com isto, corro o risco de soar a certas pessoas que eu mesma por vezes julgo: as que falam de tudo e de nada sem muitas das vezes saberem bem do que falam, e julgadas por aqueles que agem como se para se abrir a boca neste mundo fosse absolutamente necessário decorar uma cartilha de regras-a-cumprir-quando-se-quer-abrir-a-boca-para-se-falar-sobre-determinado-assunto. Ora aqui entra o paradoxo - está-me no sangue, o paradoxo - sobre o qual discorro: quantas vezes não fui julgada por determinada abordagem minha sobre certa matéria, em que me afiguro como uma tonta desmiolada e precipitada, supérfluamente munida de argumentos, e ainda para mais com ar de quem sabe bem o que está a dizer? Imagino que foram algumas...ainda que não por qualquer um. Outras tantas sucederam comigo no papel da julgadora-mor, da que lança a farpa e a piadola escarnecedora, da intolerante. Podia ao menos não o fazer. Pois se me perturba que mo façam, que me julguem facilmente quando digo uma tolice, um despropósito, uma 'verdade' suspeita sobre determinada matéria, quando tiro uma ilação que só podia surgir desta cabeça, quando me aventuro a discorrer sobre as paixões irracionais que me assolam a alma...Mas também eu o faço. Também eu julgo muitos por isto, e também eu não os conheço na sua essência, e não estou munida de todos os apetrechos para entrar dentro de cada uma das minhas 'vítimas' e poder descobrir-lhes um brilho, os desejos, a sabedoria, sim, tudo isto... porque não? Alguns poderão ser mais do que mostram desastradamente, transportar um enorme coração, uma vontade louca de saberem mais e melhor, um raciocínio que afinal pode ter origem insuspeita, está apenas desalinhado e confuso, uma alegria escondida, um amor latente, uma lucidez e uma angústia de quem é permeável ao Tudo e ao Nada, uma intuição que lhes pode dizer que a felicidade se conquista, em cada dia que passa. Porque não?
E uma intransigência, com risco de se transformar em julgamento precipitado sobre outrém ou seu comportamento, pode ser uma coisita simples como uma palavra que se ouve e não se gosta, ou porque [achamos] não se adequa ao discurso, ou porque [achamos] não está ali bem colocada, ou [achamos] porque não fazia lá falta...o certo é que não nos agrada, pode gerar repúdio, primeiro, e até chegar ao escárnio, variando consoante a personalidade de cada um. Com este último vejo, inevitavelmente, surgir a arrogância. Mais um risco. Mais uma desnecessidade. E para quê, afinal? E porquê, afinal?
terça-feira, janeiro 09, 2007
sexta-feira, janeiro 05, 2007
Energia Positiva e Revolução
Pois é, de regresso ao trabalho, de regresso ao alentejo.
Uns dias de férias passadas entre Trás-Os-Montes e Lisboa, a comer - muito bem, muito bem, que em Trás-Os-Montes também se come muito bem, e não apenas em quantidade que isso para mim nem é comer 'bem' - e a dormir, a passear, a sornar (sou a pessoa mais preguiçosa que conheço), a ver as vistas, a visitar os nuestros hermanos, depois o regresso a casa da mamã, mais papinha boa, mais sorna, não li muito, só jornais e revistas, fiz comprinhas das boas (cd's e filmes) e menos dinheirinho na conta bancária...viva o consumo, dirão os banqueiros do mundo!Viva.
Entretanto, cá estou de novo a escrever no meu blog, e cheia de inspiração para começar o ano em grande, melhor do que comecei o ano anterior (que foi a trabalhar, muito sisuda e tola como todos os sisudos que stressam com o trabalho, ainda que feito por gosto...) é o que eu quero. Não é o que eu espero, é o que eu desejo. Há uma diferençazita..
Mais decisões? Médicos. Visitar alguns. Há uns aninhos que não o faço, ganhei saudades. À força.
Depois, ler mais. Foi a melhor prenda de Natal, inesperadamente vinda de quem não esperava e de uma forma simpática: A Criação do Mundo, do Miguel Torga, meu conterrâneo. Até fiquei emocionada, aquilo de me terem dado o livro já lido e usado, e daquela forma....foi a melhor prenda. Em troca vou-lhe enviar, ao meu presenteador (se não existe eu depois corrijo), uns cd's.......passámos um serão enfiados numa casa de pedra numa aldeia da qual já nem recordo o nome, no meio dos montes, o que é o mesmo que dizer no 'fim do mundo', esse mágico lugar, a ouvir músicas (Canções!!!) do Adriano Correia de Oliveira, do Zeca, do Sérgio Godinho, do José Mário Branco, uns cantares e músicas tradicionais de recolhas do Giacometti (presumi eu), e ainda me vieram as lágrimas aos olhos ao ler o folheto da caixinha da compilação de 6 cd's do Adriano, e de ler aquele texto magnífico do Manel Alegre, que tempos aqueles caramba!!!
Bem, e depois também quero mais paz e boas energias, procurá-las e emaná-las, para aqueles que amo, que gostam de mim, as pessoas mais importantes do meu microcosmos. Aos meus amigos (os de sempre e os novos), que estão sempre comigo ainda que longe, alguns, deixo um enorme abraço, um abraço cá de dentro e sentido, porque sem amigos também não somos grande coisa. Um inesquecívelmente doce e produtivo 2007 para todos!
sexta-feira, dezembro 22, 2006
Clássica, clássica, muita música clássica...há 3 dias que só oiço a Antena 2, e a paixão aumenta.quinta-feira, dezembro 21, 2006
sábado, dezembro 16, 2006
sexta-feira, dezembro 15, 2006
"A vitória do animal laborans jamais teria sido completa se o processo de secularização, a moderna perda da fé como decorrência inevitável da dúvida cartesiana, não houvesse despojado a vida individual da sua imortalidade ou pelo menos da certeza da imortalidade. A vida individual voltou a ser mortal, tão mortal como o fora na antiguidade, e o mundo passou a ser menos estável, menos permanente e, portanto, menos confiável do que o fora na era cristã. Ao perder a certeza de um mundo futuro, o homem moderno foi arremessado para dentro de si mesmo, e não de encontro ao mundo que o rodeava; longe de crer que este mundo fosse potencialmente imortal, ele não estava sequer seguro de que fosse real. E, na medida em que devia pressupor que era real, no optimismo acrítico e aparentemente indiferente de uma ciência em contínuo progresso, afastava-se da terra para um ponto mais distante do que qualquer alienação mundana cristã jamais o havia levado. Qualquer que seja o sentido atribuído à palavra "secular" no uso corrente, não pode, historicamente, ser equacionado com mundanidade; pelo menos, o homem moderno não ganhou este mundo ao perder o outro, e tampouco, a rigor, ganhou a vida; foi atirado de novo para ela, lançado à interioridade fechada da introspecção, na qual as suas mais elevadas experiências eram os processos vazios do cálculo da mente, o jogo da mente consigo mesma. Os únicos conteúdos que sobraram foram os apetites e desejos, os impulsos insensatos do seu corpo que ele confundia com a paixão e que considerava "irrazoáveis" por não poder "arrazoar" com eles, ou seja, prevê-los e medi-los. Agora, a única coisa que podia ser potencialmente imortal, tão imortal como fora o corpo político na antiguidade, ou a vida individual na Idade Média, era a própria vida, isto é, o processo vital, possivelmente eterno, da espécie humana.
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Hannah Arendt, A Condição Humana, pp. 389-91
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dúvidas & questões existenciais
ninguém tem de provar nada a outrém. ou será que tem?
talvez a si mesmo
e ainda assim...
com tanta susceptibilidade latente, eminente, emergente e recorrente, ai jesus que lá vou eu!:)
perfeitos, só os Deuses, que do alto do seu Olímpo, sorriem....disso tenho fé inabalável.
E não lhes desenho aqui o sorriso...a imaginação fará o seu trabalho.
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quinta-feira, dezembro 07, 2006
Sem cor
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quarta-feira, dezembro 06, 2006
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lisboetas
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Mais vale tarde que nunca...e tarde visionei este documentário de Sérgio Tréfaut (ontem à noite, mais precisamente no Cineclube de Évora, e presente esteve também o realizador), mas muito a tempo de perceber a superioridade da obra, a inteligência do autor, a capacidade de nos mostrar de uma forma profunda e ao mesmo tempo leve, bela, pedaços da vida de imigrantes de origens diversas, habitantes da 'nossa' Lisboa. Tocou-me o olhar, ou os olhares que Tréfaut 'apanha', é conciso e subtil ao fazê-lo e aquelas pessoas são ali expostas pelo seu lado mais humano, porque um olhar diz muito, ou tudo o que as palavras nem sempre dizem. O olhar do ex-piloto de aviões, embargado pela sombra do álcool, pela solidão, o olhar de quem sabe que a vida pode ser mais do que isto mas que é isto que ele tem e não pretende o regresso à terra-mãe, do rapaz que passa a ferro, são olhares que dizem tudo de gente que vem à procura de uma vida melhor e encontra um país que, afinal de contas, e como este último resume, também não é rico.
Há documentários que são filmes belíssimos, e as vidas verdadeiras e as histórias que não são ficcionadas, cabem no argumento deste filme, de Lisboetas que são do Mundo, uma Lisboa estrangeira filmada com inteligência, e um toque poético, perfeito acto de comunicação, pois.
Lisboetas, de Sérgio Tréfaut
POR, 2004, Cores, 105 min.
http://www.atalantafilmes.pt/2006/lisboetas/index.htm
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quarta-feira, novembro 29, 2006
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Olhares cruzam-se na pressa do movimento mecânico, condutor do corpo que desliza em direcção à rua
Lá fora ar fresco, não frio, a face em reconhecimento desenha um sorriso leve, dupla motivação
Outro comum cruzar de olhares, não.
Sim, duas almas estranhas vislumbram-se, naquele momento veloz
Olharam-se
Um olhar
Tão célere quanto o movimento que os levou a cada um para o lado oposto do outro, no mesmo espaço, no mesmo tempo, e os afastou impiedosamente
Um vislumbre, apenas
terça-feira, novembro 28, 2006
HAPINNESS
So early it's still almost dark out.
I'm near the window with coffee,
and the usual early morning stuff
that passes for thought.
When I see the boy and his friend
walking up the road
to deliver the newspaper.
They wear caps and sweaters,
and one boy has a bag over his shoulder.
They are so happy
they aren't saying anything, these boys.
I think if they could, they would take
each other's arm.
It's early in the morning,
and they are doing this thing together.
They come on, slowly.
The sky is taking on light,
though the moon still hangs pale over the water.
Such beauty that for a minute
death and ambition, even love,
doesn't enter into this.
Happiness. It comes on
unexpectedly. And goes beyond, really,
any early morning talk about it.
Raymond Carver
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quarta-feira, novembro 22, 2006
terça-feira, novembro 21, 2006
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des(encontros)
Há encontros casuais e inesperados, repentinos que nos deixam semi-desamparados, a baloiçar entre o que devemos de ser naquele momento e o que nos apetecia mais ser se fossemos sempre aquilo que somos. Ou entre o que devemos de fazer e o que honestamente gostariamos de fazer. quarta-feira, novembro 15, 2006
terça-feira, novembro 14, 2006



Depois de ver Children of Men, de Alfonso Cuarón, lembrei-me do filme E Tu Madre También do mesmo realizador, e da distância que marca as duas obras. Esta última eu acho-a belíssima.segunda-feira, novembro 13, 2006
quinta-feira, novembro 09, 2006
O essencial, o necessário, o essencial..
Depois, bom, depois assolam-me outras ideias, menos práticas, são sobretudo princípios a que eu posso chamar ironicamente de Valores da Razão Não-Prática, e que fazem parte de mim. Não sei se nasceram comigo, se estão por cá à priori, mas sei que em determinada altura da minha vida eles foram crescendo e tornaram-se mais ou menos fortes, saudáveis, pareciam-me.
Um deles é o da Justiça - lutar por aquilo em que acredito, talvez mais até do que isto (acredito que 'as coisas devem ser justas', sempre) é importante para mim (e recorrente) a ideia de lutar por aquilo em que vale a pena acreditar.
O outro é o da Liberdade. A liberdade na escolha, a liberdade enquanto possibilidade de escolher, de optar por uma entre várias possibilidades, acima de tudo esta.
E a Dignidade. Mais um valor especial, talvez o mais importante para mim, pois que um homem pode perder tudo na vida, mas a sua dignidade....bom....a sua dignidade não.
Gostava de acreditar que ainda estão saudáveis, estes valores, dentro de mim. Que isto não anda tudo muito doente cá por dentro...
Como dizia, gostava de acreditar que são saudáveis, dentro de mim, onde cresceram ao longo dos anos espicaçados por um ambiente familiar e social propício, estes valores que admiro, de que preciso, que ainda quero na minha vida. E é nesta fase que surge a dúvida, quando tenho de escolher entre o 'valor' Dinheiro (esmagadoramente irredutível) e estes valores essenciais e tão mais necessários quanto o pão que se leva à boca todos os dias.Porque seria por eles que eu iria demonstrar que o primeiro é um valor de menor importância - ainda que esta demonstração, a forma de o fazer, possa estar moribunda e viciada, ainda é a melhor que conheço e que me oferece esta sociedade onde labuto - quando pressinto que estes estão ameaçados. Porque há muitas formas de um homem se sentir ameaçado e preso, e injustiçado e a perder indelevelmente a sua dignidade.
Amanhã é outro dia, até lá, vou exercer o meu direito de reflexão, vou hesitar entre o essencial e o necessário, e entre o necessário mas não essencial. E que me perdoe a minha consciência se não tiver a coragem para o fazer.
quarta-feira, novembro 08, 2006
A Estação
Deslocou-se sem pressas, vagarosamente pois. O rodopio em seu redor deixando um rasto de confusão. Mas não estava perdido. Por fim parou. Sentou-se.
Teve medo. Tanto. Deixou-se ficar por ali, só.
Teve tanto tempo. Minutos transformados em eternidade. Tempo de parar, de paragens. Ou, o tempo das ilações concretas.
Gente cirandando. Cheiros, ruído, doçura de um olhar. Desgaste.
Pensou por si, para si. Só, sentado no desconforto da rudeza dos materiais. A ilusão maior que a certeza.
Não teve companhia para compartilhar o espaço que ocupava. Recordou..Fechou-se para o mundo. De olhos semi-cerrados, recordou.
[jamais, naquele lugar se iria sentar..parar.]
O burburinho, o chiar de travões metálicos. Transformações imediatas pela sensação.
Tudo lhe veio. Suavemente. Invasão. Mente cansada e invadida.
Depois, sonolentamente, entreabriu os olhos: angustiante placidez.
E desconcerto.
Mas no seu rosto depressa se desenhou um sorriso suave, quase invisível.
Nunca fora um homem de certezas.
Morreu sozinho sentado na dureza que lhe oferecia o mundo, no meio do som da multidão atarefada, entranhando-se-lhe no corpo.
Morreu no som da multidão.
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terça-feira, novembro 07, 2006

"À parte a exploração, a hipérbole e a insidiosa invenção duma 'lenda', os Joy Division merecem a atenção que a sua originalidade exige. Não eram a salvação do Rock, como se apregoava, nem tão-pouco a salvação de nada. E, no entanto, o segundo e último álbum, postumamente editado - Closer - é um trabalho vigorosamente diferente daquilo que costumamos chamar Rock. Para já, é um álbum desavergonhadamente triste.(....) Os Joy Division são impecavelmente trágicos - desde os textos resignados e suavemente desiludidos, até à'morrinha' da sua música. Quase que poderíamos dizer - doem...
Closer é limpidamente belo - tem a transparência silenciosa da solidão, sem nunca se transformar em auto-compaixão ou sentimentalismo. É o momento em que nos damos fé duma tristeza insolúvel, e da futilidade de a combater. Não há revolta - apenas um lento despertar, corajosamente assumido e aceitado. O encanto principal dos Joy Division não é o virtuosismo, ou sequer a criatividade da música - é, sobretudo, uma inesquecível sinceridade, despida de efeitos especiais, que se transmite, dir-se-ia por osmose sensível, a quem a ela se expõe."
in Escrítica Pop, Miguel Esteves Cardoso, Assírio & Alvim
segunda-feira, novembro 06, 2006
sexta-feira, novembro 03, 2006
terça-feira, outubro 31, 2006
quinta-feira, outubro 26, 2006
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no baú da memória.. para o meu amigo Rui
Metade
E que a força do medo que tenho
não me impeça de ver o que anseio
que a morte de tudo em que acredito
não me tape os ouvidos e a boca
porque metade de mim é o que eu grito
a outra metade é silêncio.
Que a música que ouço ao longe
seja linda ainda que tristeza
que a mulher que eu amo seja para sempre amada
mesmo que distante
porque metade de mim é partida
a outra metade é saudade.
Que as palavras que falo
não sejam ouvidas como prece nem repetidas com fervor
apenas respeitadas como a única coisa
que resta a um homem inundado de sentimentos
porque metade de mim é o que ouço
a outra metade é o que calo.
Que essa minha vontade de ir embora
se transforme na calma e paz que mereço
que essa tensão que me corrói por dentro
seja um dia recompensada
porque metade de mim é o que penso
a outra metade um vulcão.
Que o medo da solidão se afaste
e o convívio comigo mesmo se torne ao menos suportável
que o espelho reflita meu rosto num doce sorriso
que me lembro ter dado na infância
porque metade de mim é a lembrança do que fui
a outra metade não sei.
Que não seja preciso mais do que uma simples alegria
pra me fazer aquietar o espírito
e que o seu silêncio me fale cada vez mais
porque metade de mim é abrigo
a outra metade é cansaço.
Que a arte me aponte uma resposta
mesmo que ela mesma não saiba
e que ninguém a tente complicar
pois é preciso simplicidade pra fazê-la florescer
porque metade de mim é platéia
a outra metade é canção.
Que a minha loucura seja perdoada
porque metade de mim é amor
a outra metade também.
Oswaldo Montenegro
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quarta-feira, outubro 25, 2006

Mareta em Abril I
Ela, lê de costas para o mar.
Como se assim o ruído a não perturbasse.
Ele, sobe e desce pelas rochas. Tem uma picareta.
Está a brincar.
Ela, usa um chapéu e usa óculos.
Ele, move-se, devagar treme.
Ela está concentrada e apanha sol.
Ele distrai-se picando a pedra.
Ela, ali sentada, na areia. Protege-o.
Ele ama-a.
[ Que idade terão ao certo?
O tempo já lhes mostrou umas quantas coisas por aí]
Ele, volta para junto dela, deixando pedras.
Ela ama-o.
Mareta em Abril II
Fazem companhia um ao outro.
Quando o que mais desejam é estar distantes.
Na aproximação não há palavras.
Ali encontram-se no silêncio das suas distracções.
Ele, vai e vem. Ela, não desvia o olhar do livro.
Ele quase resvala pelas rochas. Ela não desvia o olhar do livro.
Quando regressa com as pedras, ele pensa como seria bom ela nem sequer lhes tocar!
Ali, fazem companhia um ao outro.
Não se encontram muitas vezes.
09.04.2005
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quinta-feira, outubro 19, 2006
Ontem pela tardinha passei na livraria de uma amiga. A intenção era a de procurar um livro que ela me tinha recomendado há uns tempos atrás, um livro que ela já lera e de que gostara muito. Fiquei curiosa até ontem me decidir a ir lá, e...acabei por ficar mais tempo do que contara. A conversa fluiu, sentei-me num pequeno banco estratégicamente colocado perto de uma máquina de café, de onde os clientes podem tirar cafés fortes por muito pouco dinheiro, e ir ficando por ali a bisbilhotar os livros.Acabei por comprar outro livro que não o aconselhado por ela, este estava em promoção!O outro ainda vai ter de aguardar mais uns dias. Enquanto falava com ela, sobre coisas da nossa vida, entrou uma cara conhecida...mais dois dedos de conversa. Simpatia a rodos não falta neste espaço...o que faltam são clientes. O que faltam são pessoas que preferem esperar pelo fim de semana, ou pelo fim do mês, consoante o caso, e visitar o gigantesco polvo do consumo cultural, essa tentação que se chama Fnac.
Quando saí de lá, passados 20 minutos, saí com um sorriso nos lábios..e enquanto caminhava pensei: "uma livraria pequena, mas já com muitos livritos, uma dona simpática e acolhedora, um espaço agradável para se folhearem livros, para se conversar um pouco, mesmo que não se queira ou possa levar algum livro para casa". Como tantos outros pequenos negócios, (sobre)vive dos clientes - dos fiéis e dos esporádicos, dos acidentais e dos menos distraídos.
Eu também vou à Fnac, aquilo é um apelo forte sim senhora!, mas...as livrarias pequenas e acolhedoras como a da minha amiga mereciam outra atenção, mereciam que mais de nós lá comprassem livros para que espaços destes, onde se procuram livros mas também se encontram outras coisas boas - quem não gosta de um dedo de conversa agradável? -, pudessem perdurar, pudessem solidificar-se nas nossas cidades, sem que os seus donos estejam sempre na corda bamba ou com o coração nas mãos! Quem corre por gosto no fascinante e desesperante 'negócio dos livros', merecia clientes mais generosos e mais atentos, mais amigos. Já decidi: a partir de ontem, ali comprarei mais livros, que a Fnac não precisa tanto de mim como eu de um espaço destes..
A quem interessar: Casa dos Livros, Évora. Eu não sei o nome da rua, mas em Évora há cada vez menos livrarias, deve ser fácil de encontrar...
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quarta-feira, outubro 18, 2006
WTF??!!
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Orçamento beneficia IRS de contribuintes casados e prejudica solteiros
16.10.2006 - 21h34 Lusa
Ora bem, ora bem....eis que se apresenta perante todos os portugueses uma verdadeira política de justiça financeira!!
Assim, os casados deixam de ficar prejudicados no projecto do OE para 2007, em matéria de IRS, mas os solteiros são PREJUDICADOS em relação ao articulado actual!!!
Justiça e equidade Sr Ministro?!...Tss, tsss....
PS - Alguém quer casar com a Carochinha??!

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segunda-feira, outubro 16, 2006
São como as cerejas
sexta-feira, outubro 13, 2006
La Petite Jerusalem
quinta-feira, outubro 12, 2006
pézinhos de lã
Há jogos que não fazem sentido. Ou vão deixando de o fazer. É como escrever em letras pequeninas quando se pode escrever com maiores.
ui....
:)
terça-feira, outubro 10, 2006
segunda-feira, outubro 09, 2006
quando a terra treme
sexta-feira, outubro 06, 2006
Penumbra > Luc Tuymans
Vi uma exposição de Luc Tuymans, há algum tempo, se não me engano em 2004. Fiquei de tal modo impressionada e entusiamada, que me pus a magicar uma forma de fazer um trabalho sobre o artista e a sua obra, numa relação com a Sociologia. A ideia - vaga - era a de criar uma ponte entre uma das temáticas de Tuymans, o totalitarismo e o holocausto, enquanto expressão artística, e os escritos de Hannah Arendt, filósofa e pensadora política, nomeadamente na abordagem que ela faz sobre aquilo a que chamou a 'Raíz do Mal'. terça-feira, outubro 03, 2006
Inesquecível

Uma boa surpresa esta memória de rádio http://www.radarlisboa.fm/, na poderosa voz de Jeff Buckley (saltaram os adjectivos 'suave' e 'doce'.. é voz que contém mais que isso, e o seu oposto também)
segunda-feira, outubro 02, 2006
JP Simões '1970'
"Honestamente: custa ser exacto – mais fácil é o cinismo e revolutear na ironia do “charco” de ar grave, superior e inquisidor ou então aviar uma inocência supostamente politicamente incorrecta, duas atitudes típicas dos seres pensantes nacionais. Essa é a primeira grande surpresa de “1970”: em vez de ironia, em vez de humor desbragado, em vez de derrotismo – há exactidão, a crueldade de cada palavra medida e comedida e por isso tão mais eficaz, exactidão que por vezes nos leva à comoção, outras é de uma pungência avassaladora. Em “1970”, a extraordinária canção, essa sensatez ácida chega a ser sádica na sua honestidade: “A minha geração já se calou, já se perdeu, já amuou, já se cansou, desapareceu ou então casou ou então mudou ou então morreu, já se acabou”. Entra aí a cuíca e o shaker e Simões continua: “A minha geração de hedonistas e de ateus, (...) de anarquistas deprimidos, de artistas e autistas, estatelou-se docemente contra o céu”. A seguir chega a ser violento: “A minha geração ironizou o coração (…) brincou às mil revoluções, amando gestos e protestos e canções pelo seu estilo controverso”. E é aqui que surgem os metais de casino, os violinos delicados e a pele, a ater-se ainda às palavras, arrepia. Não é o único momento de arrepio, neste disco que de Chico herda o silabar doce e aquela forma em mel de introduzir coros – como o que surge em “Só mais uma samba”: atentem na generosidade do refrão, aquela maneira dengosa de subir, os “ooos” do coro embebidos numa melancolia solar de quem ama o que odeia mas sabe que tem uma trompete empoleirada no ombro e enquanto assim for está bem. E se quiserdes mais comoção ide então beber à doçura das flautas do quase chorinho de “Capitão Simão” acompanhadas do que parece ser um Fender Rhodes. Daí saltem para a melancolicalegria de “Lili e o americano”, coisa de jazz de esquina suja, piano demasiado bebido (e com caruncho na cauda) – faz um belo par com o tema seguinte, movido ao mesmo sentimento turvo de dia que acaba logo quando estava a começar a ser bom.Em “Inquietação” Simões não volta a canção do avesso. O tom, no entanto, é outro. Não diríamos solene, antes cuidado. Talvez não haja a sombra de desespero irado que prenunciávamos em ZMB, antes resignação. A voz parece falhar-lhe e imagina-se que seja com os restos de força das veias a arrastarem o sangue que aquelas palavras vêm à tona. Não é um disco tão despojado quanto Simões defende, mas façamos-lhe a sentida homenagem (e estamos a conter-nos nas palavras): tem tanto (e tento) de Chico como de Edu Lobo ou até Marcos Valle, em particular das obras da década de setenta. E cada arranjo (por aqui há coros, cordas, metais, melódicas, órgãos, pianos, cuícas), de um cuidado imenso, encaixa na umbilicalmente tanto nas canções como nos motivos temáticos que era suposto colorir. No fundo é um disco de instantâneo classicismo que usa a estrutura (re)criada por Chico para, por entre charmes vários e sofisticados arranjos executar a mais antiga das actividades humanas: narrar o humano. Aos 36 anos, Simões é o único homem a solo, depois da geração trovadora de setenta, a botar música que merece ser ouvida em palavras que merecem ser lidas. No mundo das Floribellas, terá valido a pena? Obviamente não: vai tudo ficar na mesma, sempre esteve tudo na mesma. Ainda assim, João Paulo, olha, obrigado por tentares.

















