domingo, maio 29, 2011

se tudo confluir, um inverno quente no regresso a áfrica



Green wind from the green-gold branches, what is the song you bring?
What are all songs for me, now, who no more care to sing?
Deep in the heart of Summer, sweet is life to me still,
But my heart is a lonely hunter that hunts on a lonely hill.

quinta-feira, maio 26, 2011

as coisas que eu vejo. as coisas que eu oiço

ok, o que eu vi foi isto: olhares, troca de olhares sérios, algo fatigados, de quem está a fazer cumprir o seu dever. foi isso, sim, que senti: estou a cumprir o meu dever, estou a cantar mais uma noite, estou a tocar isto pela enésima vez mas tem de ser. confesso a surpresa, por mim, porque senti isto, vi isto assim, por eles, que são uma das bandas que eu mais aprecio ouvir e não contava com esta leitura das suas expressões. depois fiquei muito atenta, quase nem estava a prestar atenção às músicas, ouvia e abria a boca para acompanhar mas toda eu era atenção para as expressões, as trocas de olhares dos gémeos. e quando o vocalista se aproximou mais, quando ficou mais próximo de mim e olhei bem para ele, para dentro do olhar vi alguém que não está a representar o tipo atormentado, como um jornalista o descreveu na crítica ao concerto, mas um tipo genuinamente atormentado, um tipo que ao ler Pessoa sentiria afinidade imediata. é verdade que fiquei de boquita entreaberta, tipo menina de 10 anos a olhar, ingénua, a olhar para o mundo como se ele fosse estranho e sem sentido ainda, afinal eles também se cansam, se calhar até se desconcentram por vezes, se calhar nem lhes apetece sempre ir trabalhar de manhã noite, olha que isto também é puxadote e cansa muito, pode mesmo até ser um frete, depende das marés. mistério. 
sei lá eu o que sentiam eles, o que pensavam eles e porquê esta mania de ver coisas, ver as coisas que eu vejo? que interessa? não sei. nem me interessa saber. mas são as coisas que vejo e que me ficam, mesmo depois de virem os sorrisos, aqueceram, nós ajudámos, estavamos ali muito atentos e a cantar tudo com eles, depois veio a boa disposição, as piadas curtas e trocas de palavras entre eles connosco a assistir e a não entender quase nada, a fingirmos que sim e a sorrirmos, porque gostamos deles e queriamos que eles gostassem de estar ali connosco. são profissionais, sim, são, não são cagões, nada e o gajo é mesmo assim, gosta de se embebedar. precisa de se embebedar. e depois? torce um bocado o corpo, parece que vai torto palco fora em direcção a nenhures mas aquilo faz parte dele, tem de ser assim. estamos todos ali por eles, por ele, a voz nem é das melhores para cantar ao vivo (eu gosto da voz do Matt), um gajo tem de se divertir e de se proteger, de inebriar a alma e cantar, cantar e tocar porque é assim que ganhamos a vida, menina. será bom ganhar assim a vida de terra em terra, de avião em avião, de hotel em hotel de bar em bar, de mar em mar, ir e voltar? e ver o "estamos cansados... mais uma noite, ora cá vai..." não ofusca o resto, aquilo que verdadeiramente pesa na balança, o sorriso e o brilho, it all turns out allright in the end, há empatia, é bom estar em palco, gostamos de tocar e tocamos bem e queremos tocar para vocês, por isso não ligues muito ao que vês, miúda, é mesmo assim, foca-te na música esquece o resto, que o resto não tem peso algum. pega lá a tua favorita, para nos despedir-mos de ti em grande, toma, é para ti:

ao estilo da livreira anarquista:


- Boa tarde. O que vai desejar?

- Boas tardes. Queria meia torrada, por favor.

- Concerteza.Vai desejar mais alguma coisa?

- Err....Sim. (silêncio brevíssimo) 
  Uma dose de concentração bem servida, sim? Obrigada.

- O_o

quarta-feira, maio 25, 2011

encontrem as diferenças



ao vivo na Brixton Academy, 29 de Novembro de 2010.



ao vivo, ontem em Lisboa.

é possível que outros vídeos apareçam pelo you tube, com melhor qualidade que este último (o realizador quase arruina a coisa com a sua gritaria voz, vale pela emoção), mas achei piada às diferenças entre a versão acústica de Lx, e outras que encontrei da mesma canção, mundo fora. A versão irlandesa é boa, com o Matt bastante  bebido bem-disposto. ontem a coisa animou, depois de uma primeira parte mais alcohol free distante. eu plantei-me aí pela terceira fila da frente, perdi na qualidade do som, mas pronto, ganhei em vê-los tão próximos de mim. grande concerto meus amigos, musicalmente irrepreensíveis (continuo a ser fã do baterista!) e com direito ao Matt pelo meio de nós em 2 ou 3 investidas. penso que poucas alminhas não cantaram todas as canções do início ao fim. voltem sempre que eu estarei lá. notava-se algum cansaço nos olhos, ao início, mas a meio já brilhavam. andam nisto (a cantar as mesmas over and over and over..) pelo menos há 1 anito (verificar veracidade da informação na net, s.f.f.) mas não tenho pena deles, apenas que já não toquem em sítios mais pequenos. só mostra como são bons e não é difícil perceber que é do melhorzinho que os States deram ao mundo nos últimos anos. assim sendo, encerro com um god bless america, babes!


terça-feira, maio 24, 2011

sexta-feira, maio 20, 2011

quarta-feira, maio 18, 2011

encavalitados uns nos outros e nem sequer nos amamos

às vezes penso que sou a única que tem verdadeiro azar com os vizinhos. aguardo há mais de uma hora por ouvir o meu próprio pensar, enquanto os miúdos lá em baixo se divertem com kuduro e afins. ao menos vinham cá acima convidar-me para a festa...

domingo, maio 08, 2011

afinal, uma amiga dizia-me que o Bloco de Esquerda não poderia ter sido mais coerente ao não ir negociar a troika, uma vez que não reconhece legitimidade a tais entidades: na forma de chegar, ver e vencer, como se a nossa crise, só tivesse uma solução. a Islândia surge como exemplo do oposto ao que nos está a acontecer, ou seja, como país que encontrou alternativas ao FMI. a Islândia é tão diferente de Portugal disse eu, a começar na base demográfica (a deles muito menor que a nossa, logo, menos cabeças a unir..) e a acabar na literacia, que a nossa é uma desgraça: quem não lê, não sabe, não esgrime argumentos fruto de reflexão ponderada. logo, quanto mais inculto é um povo, mais difícil convencê-lo de alternativas ao dominante, ao instalado, ao seguro. acabei por considerar os argumentos dela melhores que os meus, que andava meio lixada por os tipos não terem ido negociar a coisa, ao lado do Carvalho da Silva, e argumentei falta de coragem política e pouca ambição de ser Governo, ou seja, aquela coisa da eterna oposição. e já agora, de fazê-lo com políticas alternativas, tarefa hercúlea num país entalado integrado numa união europeia, numa Europa de novo "dominada" pelos alemães - só me vem à memória o jogo do Risco, que recentemente aprendi a jogar - pois a quem mais e melhor interessam estes resgates dos mais fracos? os banqueiros alemães devem sorrir de contentes por estes dias, e da Islândia, meus amigos, nem pio, não se ouve falar em lado nenhum das suas hortas comunitárias. utopia?
já somos 3 amarrados a uma dívida terrível que acarreta tristeza, ansiedade, menos e pior comidinha na mesa, e no nosso caso particular, mais perda de auto-estima, característica portuguesa que sempre foi uma merda, como todos sabemos. também trará uma pequena lição de como não gastar o que se tem e o que não se tem, em merdas que na maioria das vezes não nos trazem felicidade nenhuma - alguém inventou que prazer é felicidade, e deve ter feito milhões...
orgasmos consumistas preenchem vazios em seres que se levantam de manhã para encher os bolsos de uns poucos sentados em poltronas polidas de seguradoras, bancos, farmacêuticas, e afins a cheirar a pôdre. enquanto isso, também nem tudo é assim tão mau é há quem se organize em formas de estar e viver a vidinha, com alguns princípios éticos, estratégias e alternativas de produzir, consumir, comer, viajar, aprender e ensinar. ética. sentido ético, solidário, comunitário, democrático. mas não, pá, a malta acha que isto é uma fatalidade e que outra coisa se poderia fazer senão aceitar que o FMI é a única solução, quando estamos à beira da bancarrota? ah pois é...mais vale ir cantar umas coisitas engraçadas ao festival eurovisão, para animar a malta, e pelo meio fazer uns trocos valentes que a malta tem de viver, pá, uns belos contratos discográficos e muitos concertos e bares abertos é o que a malta realmente quer, pá. 
enfim, legitimamos estruturas que nos enganam, governos de vistas curtas, políticos que nos mentem, poderes invisíveis que nos traçam regras e dízimos, porque achamos sempre que é assim, sempre foi assim e tem de continuar a ser assim. o que mais custa é ver-me no meio disto, fazer análises sociológicas sem a metodologia da tese de doutoramento que isto é só um blogue, e ainda assim, "assistir" à inevitabilidade das coisas, como boa portuguesa que sou. é como se tivesse de resignar-me a aceitar que o homem é o predador de si mesmo e a felicidade é uma invenção de uns quantos que se enganaram de planeta.

é que eu ando a tentar ser feliz, porra.
:)

sexta-feira, maio 06, 2011

ilações de uma noite de verão...(no, not yet, I know, so what? sounds real nice)

procurava um vídeo musical que pudesse ter aqui no blogue - não digo meu, porque houvera em tempos dito que não é apenas meu - e assim me apercebo de uma coisa óbvia, simples de identificar, uma característica deste blogue: a melancolia/falta de humor. mas daquele da boa disposição, e não do sentido de humor em si mesmo enquanto veículo que permite fazer rir e saber rir, dizia eu, disso me apercebo - não há muita alegria. é meio dark, sério, por vezes deprê até (alô seguidores desconhecidos do outro lado do atlântico!) e já teve um template completamente negro até passar a este da paisagem onde se suspendem as palavras que vos deixo...talvez porque me apetece mais escrever e melhor me sai a escrita quando estou mais em baixo ou então apenas mais melancólica, não sei, mas o que é certo é que assim me parece. estranho. bem, vou procurar melhor pois vendo bem "isto" já tem uns 6 anos e é capaz de haver algum videozito com música animada, que eu hoje, nem sei bem porquê, hoje sinto-me animada.

quarta-feira, abril 27, 2011

segunda-feira, abril 11, 2011

oi


by Roman Lysenko

domingo, abril 03, 2011

.
.
.
os homens.
(in)certos homens.
os homens distraem-
.
.
.