terça-feira, fevereiro 28, 2012
quinta-feira, fevereiro 16, 2012
"A
poesia é feita e desfeita da volúvel matéria das palavras, dos seus
murmúrios, dos seus sentidos, dos seus tantas vezes misteriosos
propósitos. E das raízes das palavras no mundo onde desgarradamente se
prende a solidão no mundo, do formidável poder das palavras não apenas
de nomear mas de fazer o mundo.
Hoje sou menos ambicioso, já não
escrevo poesia para mudar o mundo mas tão-só para evitar que o mundo me
mude a mim. No entanto, como pode alguém proteger-se do mundo ( nem de
uma constipação, quanto mais do mundo! ) atrás de uns livros de versos?"
Manuel António Pina
segunda-feira, fevereiro 06, 2012
quinta-feira, janeiro 26, 2012
XXI
Se eu pudesse trincar a terra toda
E sentir-lhe um paladar,
Seria mais feliz um momento…
Mas eu nem sempre quero ser feliz.
É preciso ser de vez em quando infeliz
Para se poder ser natural…
Nem tudo é dias de sol,
E a chuva, quando falta muito, pede-se.
Por isso tomo a infelicidade com a felicidade
Naturalmente, como quem não estranha
Que haja montanhas e planícies
E que haja rochedos e erva…
O que é preciso é ser-se natural e calmo
Na felicidade ou na infelicidade,
Sentir como quem olha,
Pensar como quem anda,
E quando se vai morrer, lembrar-se de que o dia morre,
E que o poente é belo e é bela a noite que fica…
Assim é e assim seja…
Se eu pudesse trincar a terra toda
E sentir-lhe um paladar,
Seria mais feliz um momento…
Mas eu nem sempre quero ser feliz.
É preciso ser de vez em quando infeliz
Para se poder ser natural…
Nem tudo é dias de sol,
E a chuva, quando falta muito, pede-se.
Por isso tomo a infelicidade com a felicidade
Naturalmente, como quem não estranha
Que haja montanhas e planícies
E que haja rochedos e erva…
O que é preciso é ser-se natural e calmo
Na felicidade ou na infelicidade,
Sentir como quem olha,
Pensar como quem anda,
E quando se vai morrer, lembrar-se de que o dia morre,
E que o poente é belo e é bela a noite que fica…
Assim é e assim seja…
quinta-feira, dezembro 29, 2011
“It's
possible, in a poem or a short story, to write about commonplace things
and objects using commonplace but precise language, and to endow those
things-- a chair, a window curtain, a fork, a stone, a woman's earring--
with immense, even startling power. It is possible to write a line of
seemingly innocuous dialogue and have it send a chill along the reader's
spine-- the source of artistic delight, as Nabokov would have it.
That's the kind of writing that most interests me.”
― Raymond Carver
segunda-feira, dezembro 26, 2011
segunda-feira, dezembro 12, 2011
terça-feira, novembro 15, 2011
ficou o sabor de outra boca desconhecida
na almofada velha o cheiro do teu cabelo escuro
solto
no ar o silêncio incolor da tua face adormecida
nua
a minha voz
na tua nuca e saíste
como entraste só
à curta noite longos dias de desapego
no colchão a marca apagada à pressa como te apago da memória
se me empurra a razão a ser assim sem voz
e fingir que tudo é normal em mim assim como se assim voltasse tudo atrás
de mim,
no turbilhão da noite quieta e branca cal
da parede branca e lenta entre eles e eu
sempre
(se o amor me espreita do lado para onde o meu olhar não se fixa, diz-me, agarra-me e leva-me à força para junto de ti, arrasta-me deste não-lugar de mim, pega-me na mão é contigo que eu devo ir)
segunda-feira, outubro 31, 2011
terça-feira, outubro 25, 2011
quarta-feira, setembro 07, 2011
sábado, setembro 03, 2011
...e por acreditar que há coincidências
...elas acontecem. há dias, talvez 2 ou 3, uma amiga pediu-me conselho sobre determinada pessoa, enquanto profissional, ou seja, queria a minha opinião. eu, que não tenho razões de queixa dos serviços prestados porque a eles recorri no passado, respondi que seria melhor contactar outra pessoa, e enviei-lhe o contacto. por razões que se prendem com a minha intuição, achei melhor a minha amiga procurar os serviços de outrém. no dia seguinte, recebi uma sms, da pessoa que não aconselhei. há 3 anos que não me contactava, fê-lo por lapso, como vim a perceber imediatamente. e todos sabemos que a nossas vidas estão cheias destas pequenas coisas. uns gostam de pensar que tudo tem uma razão de ser, crêem no destino, e achariam que o sucedido não seria coincidência. outros, que existe o acaso e a aleatoriedade natural dos acontecimentos e ocorrências mundanas. e se calhar, poderá existir um terceiro grupo de pessoas, que, como eu, uns dias pensam que podem vir a acreditar nas duas anteriores. e nunca têm muitas certezas.
pese embora estas pessoas tendam para o racional e prefiram as ilações oriundas de uma certa lógica e do uso da racionalidade, da inteligência e da capacidade de pensar o Mundo, da observação empírica dos fenómenos e de tudo aquilo que existe, e que lhes conferem uma constante impossibilidade de acreditar, sem hesitações, nos mistérios que se encontram entre o Céu e a Terra e que não vêm escritos nas Estrelas. este cliché, era uma das minhas tiradas favoritas até há uns tempos atrás....era. porque comecei a perceber que me poderia ser mais útil fazer melhor uso da minha inteligência para tentar evitar os constantes clichés e verdades dos outros e do mundo. assim, continuo à procura. da minha verdade no mundo, pois.
e confesso: não sinto necessidade, soando contraditória, de repudiar os clichés e os pensamentos de alguns sobre o mundo, escarnecer ou ridicularizar como tantos que se arrepiam à mínima aproximação de provérbios, frases batidas, clichés, citações e afins, ainda que entenda essa alergia. a mim, por enquanto, só os gatos e o pó me fazem espirrar.
ah!... gosto muito, mesmo, de coincidências. :P
e confesso: não sinto necessidade, soando contraditória, de repudiar os clichés e os pensamentos de alguns sobre o mundo, escarnecer ou ridicularizar como tantos que se arrepiam à mínima aproximação de provérbios, frases batidas, clichés, citações e afins, ainda que entenda essa alergia. a mim, por enquanto, só os gatos e o pó me fazem espirrar.
ah!... gosto muito, mesmo, de coincidências. :P
sexta-feira, setembro 02, 2011
quinta-feira, setembro 01, 2011
Na luz indecisa que deixa adivinhar
a manhã, a névoa que impregna o ar
desfaz-se quando os dedos de fogo do sol
a limpam, restituindo ao dia
a sua transparência. Mas a mulher que
ocupa o centro da paisagem não
se apercebe da mudança. O seu corpo
pertence à terra, e entrega-se
ao ritmo subterrâneo das raízes, ouvindo
o canto que regula a passagem
das estações. Um desejo de sombra apodera-se
da sua alma; e conta o tempo que falta
para a noite, para se entregar ao silêncio
do mundo, no lento eclipse
dos sentimentos.
a manhã, a névoa que impregna o ar
desfaz-se quando os dedos de fogo do sol
a limpam, restituindo ao dia
a sua transparência. Mas a mulher que
ocupa o centro da paisagem não
se apercebe da mudança. O seu corpo
pertence à terra, e entrega-se
ao ritmo subterrâneo das raízes, ouvindo
o canto que regula a passagem
das estações. Um desejo de sombra apodera-se
da sua alma; e conta o tempo que falta
para a noite, para se entregar ao silêncio
do mundo, no lento eclipse
dos sentimentos.
terça-feira, agosto 30, 2011
contra a apatia das rotinas diárias e a morte lenta do espírito sonhador
tenho de o dizer aqui. este texto é para mim mesma. para me ler. Darwin não explicou a necessidade de afagarmos o nosso ego, e eu continuo a preferi-lo ao Freud, ainda assim. acredito na evolução natural das espécies, apesar de tudo o que já me aconteceu e acontece de invulgar ou inesperado, aquilo a que chamo o sal da vida, e de a meditação resultar comigo, permaneço céptica em relação às coincidências da vida e que tudo pode estar destinado a acontecer assim ou assado, e frases como "ia morrendo mas ainda não era a minha vez, não teve de ser.." não me tocam muito. however (eu sei, esta mania do inglês pelo meio irrita um bocadito, mas eu penso e falo comigo mesma em duas línguas all the time e isto o Darwin ou o Freud não explicam) ele há coisas muito (não vou usar qualquer adjectivo, fica a sugestão..) que nos acontecem de quando em vez e que no mínimo, fazem-nos sorrir em dias tristes. hoje falei com uma pessoa pela primeira vez e trocámos algumas impressões sobre um assunto semi-banal, e isto nada de especial teria se eu não houvera já observado e reparado nesta pessoa há algum tempo tendo ela hoje pedido para se sentar na mesa onde eu estava. assim se iniciou um diálogo que eu espero não termine já por aqui. há coisas que esta pessoa me pode ensinar e pelas quais me comecei a interessar timidamente, apalpando terreno muito pouco segura do que procuro. é uma espécie de inclinação mas nem sei bem como surgiu, e agora esta pessoa senta-se na mesma mesa e abordou uma parte desta temática que me desperta interesse. nada de mais aqui, mas acresce o facto de ser ela mesma uma pessoa misteriosa para mim. temos aqui um dois-em-um, e nada mais que isto mas achei piada a este detalhe do meu dia de merda (sim, odeio segundas-feiras depois de fins de semana saborosos..). um outro episódio foi já ao serão e deixou-me curiosa, porque envolve poesia, e de algum modo é um episódio misterioso também. e belo, como toda a poesia. o meu dia foi muito menos desinteressante, assim, e mais bonito também.
segunda-feira, agosto 29, 2011
e pronto...
...tenho por aí uma conta de facebook. com um nome inventado, uma foto de perfil de uma paisagem dos Açores, umas frases daquelas que pegam bem, 4 amigos e já uma desamigação, hehehe! deixei lá o video do Debtocracy porque me faz parecer preocupada socialmente e inteligente. deixei em vez de livros preferidos, os seus autores, porque me parece mais justo e se calhar assim ainda encontro a alma gémea - em que já não acredito - pois está lá o Bukowski no meio dos outros políticamente correctos. não tenho culpa de gostar de algumas passagens. o A Sul de Nenhum Norte anda cá por casa, tem uma capa lindíssima. sempre gostei de algumas coisas de gajo: futebol, tascas, picante, passarinhos fritos, ver os campeonatos de atletismo e até uma espreitadela ao boxe e à tourada na tv, mas só aprecio as pegas, bebo uma boa aguardente de medronho, gosto de falar e de ouvir falar os amigos gajos sobre bola e sobre rabos de senhoras (esta é para o meu amigo Jorge, que já não lê o meu blogue ainda que me diga que de vez em quando ainda cá vem mas eu sei que mente) embora goste mesmo é de homens e aprecie observar a sua beleza. mas seria mais fácil gostar de mulheres, entendemo-nos bem. ah, também gosto de falar de política e bater com o punho na mesa como os meus tios e o meu pai e o meu avô, que eu adorava escutar naqueles encontros familiares em Santiago, sem poder piar que era menina e ainda para mais criancinha...no opinion there! por graça, hoje de manhã uma amiga enviava-me uma sugestão via mail, se eu não queria pensar em ser sindicalista (riso) porque lá deve ter achado que eu tinha perfil e a sugestão nem era a gozar...bem, mas no facebook não se escreve poesia ou este tipo de textos e por isso, aos poucos que ainda aqui me vêm ler, um bem haja e apareçam sempre, que o facebook é para ....meninas!
(e se aqui dissesse as razões porque me registei rir-se-iam bastante mas como tenho uma reputação a defender, mal ou bem, há coisas que não podemos dizer como os malucos se bem que se calhar a maioria das pessoas anda no facebook pelos mesmos motivos e com isto já levantei a ponta da cortina e deixei de parecer tão misteriosa...raios..).
(e se aqui dissesse as razões porque me registei rir-se-iam bastante mas como tenho uma reputação a defender, mal ou bem, há coisas que não podemos dizer como os malucos se bem que se calhar a maioria das pessoas anda no facebook pelos mesmos motivos e com isto já levantei a ponta da cortina e deixei de parecer tão misteriosa...raios..).
quinta-feira, agosto 25, 2011
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