uma definição
o amor é uma luz
que atravessa de noite o nevoeiro
o amor é uma carica
pisada a caminho
da casa de banho
o amor é a chave perdida da tua porta
quando estás bêbedo
o amor é o que acontece
um ano em dez
o amor é um gato esmagado
o amor é o velho ardina
parado na esquina que
largou a profissão
o amor é o que tu achas que a outra
pessoa destruiu
o amor é o que desapareceu no
tempo dos couraçados
o amor é o telefone a tocar,
a mesma voz ou outra
voz mas nunca a voz
certa
o amor é traição
o amor é o fogo que consome
os sem-abrigo numa viela
o amor é aço
o amor é a barata
o amor é uma caixa de correio
o amor é chuva a cair no telhado
de um velho hotel
de Los Angeles
o amor é o teu pai num caixão
(que te odiava)
o amor é um cavalo com uma pata
partida
a tentar levantar-se
perante uma assistência
de 45.000 pessoas
o amor é o nosso modo de cozer
como a lagosta
o amor é tudo aquilo que dissemos
que ele não era
o amor é a pulga que não consegues
encontrar
e o amor é um mosquito
o amor são 50 granadeiros
o amor é uma arrastadeira
vazia
o amor é um motim em San Quentin
o amor é um hospício
o amor é um burro parado numa
rua de moscas
o amor é um banco vago ao balcão
o amor é um filme do Hindenburg
a encarquilhar-se em pedaços
um instante que continua a gritar
o amor é o Dostoiévski a dar
à roleta
o amor é o que rasteja
pelo chão
o amor é a tua mulher a dançar
agarrada a um desconhecido
o amor é uma velha
a roubar um pedaço de
pão
e o amor é uma palavra usada
demasiadas vezes e
demasiado
cedo.
Charles Bukowski
(tradução de Vasco Gato)
terça-feira, abril 15, 2014
segunda-feira, abril 14, 2014
Quando somos novos - quando eu era novo - queremos que as nossas emoções sejam como as que conhecemos de ler nos livros. Queremos que nos virem a vida do avesso, que criem e definam uma nova realidade. Mais tarde, penso eu, queremos que façam uma coisa mais suave, uma coisa mais prática: queremos que amparem a nossa vida como ela é e como passou a ser. Queremos que nos digam que as coisas estão bem. E há nisso algum mal?
Julian Barnes, O Sentido do Fim
Julian Barnes, O Sentido do Fim
quinta-feira, abril 03, 2014
quarta-feira, abril 02, 2014
terça-feira, abril 01, 2014
aquela música, como era?
we want the world and we want it now?
sim, ficou aquele pedaço solto colado na parede do meu fundo
cinzento
que se esquece de apagar o lume e do aniversário
da mãe
aquela voz
permanente e longe
escondida afinal, para me vir
assistir sempre em cena neste palco repisado
(raios que luzem ao longe e estrondam ao perto)
está a frase pendurada no cabide do armário poeirento e ávido
que me lembra com o toque de alarme, que queria o mundo agora e tu
silêncio.
we want the world and we want it now?
sim, ficou aquele pedaço solto colado na parede do meu fundo
cinzento
que se esquece de apagar o lume e do aniversário
da mãe
aquela voz
permanente e longe
escondida afinal, para me vir
assistir sempre em cena neste palco repisado
(raios que luzem ao longe e estrondam ao perto)
está a frase pendurada no cabide do armário poeirento e ávido
que me lembra com o toque de alarme, que queria o mundo agora e tu
silêncio.
segunda-feira, março 31, 2014
quarta-feira, março 26, 2014
quinta-feira, março 20, 2014
terça-feira, março 18, 2014
Eu quero um vazio
que já existe
Nas entrelinhas de
nos pensar
Quero apenas a voz
A tua no meu ouvido
tu
E as tuas mãos
incisivas na minha anca
Aquela febre do
amanhecer não dormido.
Eu quero que
preenchas o meu rosto de suor e saliva
Todos os fluidos do
corpo que são sós
Entre nós
Os teus dentes na
minha pele e o teu exalar
Quero-te sôfrego na minha
nudez plácida.
Serias pleno e poeta
e azul
Como a cereja do
nome
Paradoxal
Como o que não sei
se temos se somos
Uma fome
Um enleio de luxúria
imensa e animal.
A tua poesia. Eu quero.
quinta-feira, março 13, 2014
terça-feira, março 11, 2014
segunda-feira, março 03, 2014
sábado, março 01, 2014
quarta-feira, fevereiro 26, 2014
terça-feira, fevereiro 18, 2014
segunda-feira, fevereiro 17, 2014
domingo, fevereiro 16, 2014
sábado, fevereiro 15, 2014
sexta-feira, fevereiro 14, 2014
quinta-feira, fevereiro 13, 2014
o dia seguinte
silêncios
incontornáveis
no seguinte dia revirou
a frágil paz
e vazio
agora ficou
o meu quarto, a sala, o tapete
para ter a madrugada cristã
o dia pagou
seu preço
e o tempo é de clausura
para que a despedida se faça sentida, daquele que não ficou
que a Primavera suceda a tempestade.
e um dia, a madrugada
carnal tentação
pecado, ou não
quiçá.
incontornáveis
no seguinte dia revirou
a frágil paz
e vazio
agora ficou
o meu quarto, a sala, o tapete
para ter a madrugada cristã
o dia pagou
seu preço
e o tempo é de clausura
para que a despedida se faça sentida, daquele que não ficou
que a Primavera suceda a tempestade.
e um dia, a madrugada
carnal tentação
pecado, ou não
quiçá.
domingo, fevereiro 09, 2014
quinta-feira, fevereiro 06, 2014
madruguei,
erma
na branca insónia
erma
na branca insónia
da noite
que a nós brindou
brincando-nos
afã
em taças
burbulhantes serviu de chuva fria
um
ocaso aparecido de Divina aparição
na
pedra, na cal, no coração. o meio.
quero
não dormir de novo,
quero
o crepitar.
permanece, não brando. se ateio
não sei
não sei, se atear.
não sei
não sei, se atear.
terça-feira, fevereiro 04, 2014
[wuthering heights (under) a sheltering sky]
felt
serpentines
daylily in my mouth
roses, blouses
swirling sin
and those, your starfishes
fingertipped my bones
felt
(foresee ourselves alone?)
metal petals
sweet raining stones
press your finger on my lips, my skin
my lips will search
yours
must ask the gods to turn those lights out
silence
rain
white carnation
they painted us the night in moaning mills
and we shall never be forgiven
unless we foresee ourselves
in bravery
we will?
segunda-feira, fevereiro 03, 2014
quinta-feira, dezembro 05, 2013
uma discoteca de pensamentos
cujo som atravessa a parede dos vizinhos da frente
na rua paralela da razão
de ser
entre todos e iguais
brilha no escuro pela bola de espelhos mais
quem dança as letras originais
e bebe por copos
de sentimentos a bombar
até sair até verter um péna rua que aguarda uma manhã
e nos devolve a luz crua do mesmo olhar.
segunda-feira, outubro 21, 2013
ensaio II
Era uma tarde de fim de Verão, era o início do Outono. O céu entrava na casa num raro tom alaranjado, irrepetível em qualquer outro momento dos dias, uma cor que se entranhava docemente no estômago, e depois subia, fervilhava. Olhando para cima, sentia-se planar com os pés presos na terra, como se pairasse numa secreta dimensão das coisas que são.
Saiu ao encontro dele com passo apressado, como aliás, apressado o era em quase todas as coisas que a faziam mover-se. Era assim que caminhava, raramente se lhe viam passos lentos e sentidos, apenas uma espécie de esvoaçar, curtinho e saltitante, uns pés determinados, nervosos, loucos.
Sabia que as crianças estavam à sua espera ;ele dissera-lhes que iriam ter uma visita, alguém que queria conversar com eles um bocadinho. Estava expectante com a reação, não era fácil criar empatia e deixá-los atentos, por-se-ia à prova, de novo.
A porta estava aberta, subiu as escadas até ao piso onde ele se encontrava a desenhar com as crianças. Ou onde as crianças o distraíam com os seus desenhos enquanto as observava e sorria. Podia até ser um sorriso levemente desdenhoso. Pressentia-lhe um sorriso na face morena, moura, ainda que ele se encontrasse de costas para ela. Aproximou-se silenciosa, e quando quase a sentir o cheiro do seu pescoço, tão perto do pescoço dele, beijou-o. Entrevia que não ficava retraído com estas aproximações dela, acanhadas e provocadoras, subtis e ao mesmo tempo claras de intenção, de desejo, se o sorriso dele era imperturbável.
– Olá, disse-lhe ele, um beijo discreto na face. Levou-a para perto da sua mesa de trabalho, caótica, cómica, feliz.
– Anda, quero apresentar-te aos miúdos, estão curiosos e já perguntaram quem eras, disse piscando-lhe o olho, enquanto ela esboçava um sorriso fraco. Os miúdos não deram logo pela entrada dela, mas estavam agora atentos aos dois.
– Meninos, esta é a Violeta, de quem vos falei. Olhos fixos nela.
- Vamos então fazer uma pausa nos desenhos, a Violeta vai explicar porque veio falar com vocês e é para irem respondendo, depois voltamos aos desenhos.
Ela avançou tentando fazer contacto com o olhar, lera algures sobre a importância de transmitir um ar seguro às crianças; talvez uma frase feita a salvasse. Tentou falar pausadamente e foi respondendo às primeiras perguntas de alguns, os mais ariscos, depressa entendeu que a coisa estava a decorrer com demasiada formalidade, aquilo assim não iria resultar muito bem. Acabou sentada no chão, onde algumas das crianças se encontravam, falou com eles sobre os desenhos espalhados pela enorme sala, enquanto ele, dissimulado, a contemplava por de trás do estirador velho, remexendo em papéis e desenhos por ali espalhados. Ele não era metódico na organização dos materiais, gostava de ter as coisas limpas, apenas.
Ela foi fazendo as perguntas e as respostas dos miúdos eram apontadas num caderno. Abreviava as palavras para acompanhar o ritmo das crianças, observava os seus movimentos, lia os gestos e ia cogitando, pouco estava ainda claro, era a experiência in loco, um pré-teste de capacidade. Da sua capacidade. A dado momento, pelo seu olhar periférico nota que ele está no fundo da sala, sentado, a observá-la na interação com os miúdos e a desenhar simuladamente. Sente-se estranha, não quer que ele se aperceba que já o viu, tenta fingir que não se sente observada, desvia o rosto na direção oposta, continua a sorrir e a tentar mostrar naturalidade. É sempre assim quando se sente observada por um homem que a interessa, por quem sente desejo, a quem quer agradar. Porque é disso que se trata, seduzi-lo.
Nessa noite, depois de ele a deixar em casa, instalou-se no sofá para ler os apontamentos, a preguiça impediu-a de se sentar na secretária que tinha no escritório, e aí adormeceu ao fim de poucas horas, com as luzes acesas, vestida, de cabeça pendurada sobre o peito, em posição desconfortável mas não tanto ao ponto de a impedir de adormecer com profundidade, ou pelo menos assim lhe parecia quando abria os olhos repentinamente depois de um qualquer som mais alto vindo da televisão a acordar. Este cenário repetia-se por incontáveis noites, sobretudo as de Inverno, também porque gostava de se deixar ficar no sofá, como se o despir-se e enfiar-se na cama indicasse que o dia seguinte estava mais próximo e ela, que gostava das noites, de as aproveitar ao máximo, mesmo sabendo que assim repartia o seu sono em duas partes distintas, a profunda e desconfortável no sofá torto, a última na cama, agitada, seguia sempre a tentação da preguiça. A preguiça era e sempre terá sido, o seu pecado.
Ela está sentada num espaço desconhecido onde ele se encontra também, aproxima-se dela lentamente, sério, fixando os olhos nela, no seu corpo, coloca-lhe a mão no peito, espalmada firme contra o tórax, ou mais abaixo, ela não sabe, ou não quer saber se é contra os seios, baixa o olhar e nota que a sua camisa tem um desenho ininteligível estampado ali, onde ele pousa a mão, talvez seja por isso, ele tira a mão quando ela se levanta timidamente dirigindo-se para junto de algumas crianças que brincam no chão, entretidas com os seus jogos, como se eles ali não estivessem por perto, e começa a falar com elas por meio de larachas, a tentar agradar-lhes, a tentar prender as suas atenções, quando se vira na direção dele e o vê a desenhá-la, a desenhá-los?, não sabe, apenas percebe que tem de continuar a brincar com os miúdos como se ele ali não estivesse, concentrado no desenho, olhando na sua direção mas como se ela fosse apenas uma paisagem que ele pinta concentradamente. E acorda.
São quase 2:30h da manhã, levanta-se a custo do sofá quente e dirige-se à cozinha onde bebe um copo de água, saboreia-o como se fosse chá, e quando passa pela casa de banho olha-se no espelho, mexe no cabelo, tenta perceber se ainda é bonita, está estremunhada, confusa com o sonho e ruma ao quarto despindo-se com uma ligeireza súbita para aquela hora da madrugada. Enfia-se entre os lençóis, almejando retomar o mesmo sonho, reproduzir a sensação de um quase desconhecido que a desenha, e que ele a ache cativante quando tudo o resto emergir, para além da superfície da folha do papel amarelado.
quarta-feira, agosto 07, 2013
domingo, novembro 11, 2012
nas horas das cigarras
as dores viram-se
nas costas
latentes, inertes
ao despertar de um velho dia
o som dos sons que a horas deita
dormem santas na alegoria
das janelas
dess'alma espreita
qual a cor que lhes poria?
ouço pássaros a debitar
os decibéis de um sol que luz
lhes deita
ouço
um piano perto no sofá
que traz
a tua boca doce e só
de um trago cai e alumia.
11.11.2012
as dores viram-se
nas costas
latentes, inertes
ao despertar de um velho dia
o som dos sons que a horas deita
dormem santas na alegoria
das janelas
dess'alma espreita
qual a cor que lhes poria?
ouço pássaros a debitar
os decibéis de um sol que luz
lhes deita
ouço
um piano perto no sofá
que traz
a tua boca doce e só
de um trago cai e alumia.
11.11.2012
segunda-feira, novembro 05, 2012
Esperançoso poema.
deixando inteira, por legado,
uma semente virgem que estremece
logo que o vento a tenha desnudado.
in As Mãos e os Frutos (XXXV)
Eugénio de Andrade
domingo, novembro 04, 2012
somewhere i have never traveled, gladly beyond
any experience, your eyes have their silence:
in your most frail gesture are things which enclose me,
or which i cannot touch because they are too near
your slightest look easily will unclose me
though i have closed myself as fingers,
you open always petal by petal myself as Spring opens
(touching skilfully, mysteriously) her first rose
or if your wish be to close me, i and
my life will shut very beautifully, suddenly,
as when the heart of this flower imagines
the snow carefully everywhere descending;
nothing which we are to perceive in this world equals
the power of your intense fragility: whose texture
compels me with the colour of its countries,
rendering death and forever with each breathing
(i do not know what it is about you that closes
and opens;only something in me understands
the voice of your eyes is deeper than all roses)
nobody, not even the rain, has such small hands
e.e.cummings
somewhere i have never traveled, gladly beyond
any experience, your eyes have their silence:
in your most frail gesture are things which enclose me,
or which i cannot touch because they are too near
any experience, your eyes have their silence:
in your most frail gesture are things which enclose me,
or which i cannot touch because they are too near
your slightest look easily will unclose me
though i have closed myself as fingers,
you open always petal by petal myself as Spring opens
(touching skilfully, mysteriously) her first rose
or if your wish be to close me, i and
my life will shut very beautifully, suddenly,
as when the heart of this flower imagines
the snow carefully everywhere descending;
nothing which we are to perceive in this world equals
the power of your intense fragility: whose texture
compels me with the colour of its countries,
rendering death and forever with each breathing
(i do not know what it is about you that closes
and opens;only something in me understands
the voice of your eyes is deeper than all roses)
nobody, not even the rain, has such small hands
e.e.cummings
though i have closed myself as fingers,
you open always petal by petal myself as Spring opens
(touching skilfully, mysteriously) her first rose
or if your wish be to close me, i and
my life will shut very beautifully, suddenly,
as when the heart of this flower imagines
the snow carefully everywhere descending;
nothing which we are to perceive in this world equals
the power of your intense fragility: whose texture
compels me with the colour of its countries,
rendering death and forever with each breathing
(i do not know what it is about you that closes
and opens;only something in me understands
the voice of your eyes is deeper than all roses)
nobody, not even the rain, has such small hands
e.e.cummings
quarta-feira, agosto 22, 2012
quinta-feira, junho 14, 2012
...para não ser olvido
NUVEM
Não haverá uma só coisa que não seja
uma nuvem. São-no as catedrais
de vasta pedra e bíblicos cristais
que o tempo alisará. É-o a Odisseia,
que muda como o mar. Há algo de distinto
de cada vez que a abrimos. O reflexo
da tua cara já é outro no espelho
e o dia é um duvidoso labirinto.
Somos os que vão. A numerosa
nuvem que se desfaz no poente
é a nossa imagem. Incessantemente
a rosa converte-se noutra rosa.
És nuvem, és mar, és olvido.
És também aquilo que por ti foi perdido.
- Jorge Luis Borges
in Os Conjurados
quarta-feira, abril 11, 2012
pecável, deixo-te este:
PESSOAL INTRANSFERÍVEL
Escute, meu chapa: um poeta não se faz com versos. É o risco, é
estar sempre a perigo sem medo, é inventar o perigo e estar sempre
recriando dificuldades pelo menos maiores, é destruir a linguagem e
explodir com ela. Nada no bolso e nas mãos. Sabendo: perigoso, divino,
maravilhoso.
Poetar é simples, como dois e dois são quatro sei que a vida vale a pena etc. Difícil
é não correr com os versos debaixo do braço. Difícil é não cortar o
cabelo quando a barra pesa. Difícil, pra quem não é poeta, é não trair a
sua poesia, que, pensando bem, não é nada, se você está sempre pronto a
temer tudo; menos o ridículo de declamar versinhos sorridentes. E sair
por aí, ainda por cima sorridente mestre de cerimónias, «herdeiro» da
poesia dos que levaram a coisa até o fim e continuam levando, graças a
Deus.
E fique sabendo: quem não se arrisca não pode berrar.
Citação: leve um homem e um boi ao matadouro. O que berrar mais na hora
do perigo é o homem, nem que seja o boi. Adeusão.
- Torquato Neto
in Antologia da Novíssima Poesia Brasileira, Livros Horizonte
Escute, meu chapa: um poeta não se faz com versos. É o risco, é estar sempre a perigo sem medo, é inventar o perigo e estar sempre recriando dificuldades pelo menos maiores, é destruir a linguagem e explodir com ela. Nada no bolso e nas mãos. Sabendo: perigoso, divino, maravilhoso.
Poetar é simples, como dois e dois são quatro sei que a vida vale a pena etc. Difícil é não correr com os versos debaixo do braço. Difícil é não cortar o cabelo quando a barra pesa. Difícil, pra quem não é poeta, é não trair a sua poesia, que, pensando bem, não é nada, se você está sempre pronto a temer tudo; menos o ridículo de declamar versinhos sorridentes. E sair por aí, ainda por cima sorridente mestre de cerimónias, «herdeiro» da poesia dos que levaram a coisa até o fim e continuam levando, graças a Deus.
E fique sabendo: quem não se arrisca não pode berrar. Citação: leve um homem e um boi ao matadouro. O que berrar mais na hora do perigo é o homem, nem que seja o boi. Adeusão.
- Torquato Neto
in Antologia da Novíssima Poesia Brasileira, Livros Horizonte
domingo, março 04, 2012
Duelo - I
evocação cruel nos neurónios nasce
incontrolada, das entranhas
o toque de um pulso ilusoriamente firme
imagem esbatida de um beijo longo e lento
apaga o irreal para irromper um ritmo maior
e do ensaio desponte uma cadência certa e forte
encanta o coração de quem se aproxime
genuíno, impetuoso e toque
o acorde sedutor desse momento sempar
e não esqueça, os dias prosaicos os teus
ou as esquinas onde se cruzam as hipóteses
terça-feira, fevereiro 28, 2012
quinta-feira, fevereiro 16, 2012
"A
poesia é feita e desfeita da volúvel matéria das palavras, dos seus
murmúrios, dos seus sentidos, dos seus tantas vezes misteriosos
propósitos. E das raízes das palavras no mundo onde desgarradamente se
prende a solidão no mundo, do formidável poder das palavras não apenas
de nomear mas de fazer o mundo.
Hoje sou menos ambicioso, já não
escrevo poesia para mudar o mundo mas tão-só para evitar que o mundo me
mude a mim. No entanto, como pode alguém proteger-se do mundo ( nem de
uma constipação, quanto mais do mundo! ) atrás de uns livros de versos?"
Manuel António Pina
segunda-feira, fevereiro 06, 2012
quinta-feira, janeiro 26, 2012
XXI
Se eu pudesse trincar a terra toda
E sentir-lhe um paladar,
Seria mais feliz um momento…
Mas eu nem sempre quero ser feliz.
É preciso ser de vez em quando infeliz
Para se poder ser natural…
Nem tudo é dias de sol,
E a chuva, quando falta muito, pede-se.
Por isso tomo a infelicidade com a felicidade
Naturalmente, como quem não estranha
Que haja montanhas e planícies
E que haja rochedos e erva…
O que é preciso é ser-se natural e calmo
Na felicidade ou na infelicidade,
Sentir como quem olha,
Pensar como quem anda,
E quando se vai morrer, lembrar-se de que o dia morre,
E que o poente é belo e é bela a noite que fica…
Assim é e assim seja…
Se eu pudesse trincar a terra toda
E sentir-lhe um paladar,
Seria mais feliz um momento…
Mas eu nem sempre quero ser feliz.
É preciso ser de vez em quando infeliz
Para se poder ser natural…
Nem tudo é dias de sol,
E a chuva, quando falta muito, pede-se.
Por isso tomo a infelicidade com a felicidade
Naturalmente, como quem não estranha
Que haja montanhas e planícies
E que haja rochedos e erva…
O que é preciso é ser-se natural e calmo
Na felicidade ou na infelicidade,
Sentir como quem olha,
Pensar como quem anda,
E quando se vai morrer, lembrar-se de que o dia morre,
E que o poente é belo e é bela a noite que fica…
Assim é e assim seja…
quinta-feira, dezembro 29, 2011
“It's
possible, in a poem or a short story, to write about commonplace things
and objects using commonplace but precise language, and to endow those
things-- a chair, a window curtain, a fork, a stone, a woman's earring--
with immense, even startling power. It is possible to write a line of
seemingly innocuous dialogue and have it send a chill along the reader's
spine-- the source of artistic delight, as Nabokov would have it.
That's the kind of writing that most interests me.”
― Raymond Carver
segunda-feira, dezembro 26, 2011
segunda-feira, dezembro 12, 2011
terça-feira, novembro 15, 2011
ficou o sabor de outra boca desconhecida
na almofada velha o cheiro do teu cabelo escuro
solto
no ar o silêncio incolor da tua face adormecida
nua
a minha voz
na tua nuca e saíste
como entraste só
à curta noite longos dias de desapego
no colchão a marca apagada à pressa como te apago da memória
se me empurra a razão a ser assim sem voz
e fingir que tudo é normal em mim assim como se assim voltasse tudo atrás
de mim,
no turbilhão da noite quieta e branca cal
da parede branca e lenta entre eles e eu
sempre
(se o amor me espreita do lado para onde o meu olhar não se fixa, diz-me, agarra-me e leva-me à força para junto de ti, arrasta-me deste não-lugar de mim, pega-me na mão é contigo que eu devo ir)
segunda-feira, outubro 31, 2011
terça-feira, outubro 25, 2011
quarta-feira, setembro 07, 2011
sábado, setembro 03, 2011
...e por acreditar que há coincidências
...elas acontecem. há dias, talvez 2 ou 3, uma amiga pediu-me conselho sobre determinada pessoa, enquanto profissional, ou seja, queria a minha opinião. eu, que não tenho razões de queixa dos serviços prestados porque a eles recorri no passado, respondi que seria melhor contactar outra pessoa, e enviei-lhe o contacto. por razões que se prendem com a minha intuição, achei melhor a minha amiga procurar os serviços de outrém. no dia seguinte, recebi uma sms, da pessoa que não aconselhei. há 3 anos que não me contactava, fê-lo por lapso, como vim a perceber imediatamente. e todos sabemos que a nossas vidas estão cheias destas pequenas coisas. uns gostam de pensar que tudo tem uma razão de ser, crêem no destino, e achariam que o sucedido não seria coincidência. outros, que existe o acaso e a aleatoriedade natural dos acontecimentos e ocorrências mundanas. e se calhar, poderá existir um terceiro grupo de pessoas, que, como eu, uns dias pensam que podem vir a acreditar nas duas anteriores. e nunca têm muitas certezas.
pese embora estas pessoas tendam para o racional e prefiram as ilações oriundas de uma certa lógica e do uso da racionalidade, da inteligência e da capacidade de pensar o Mundo, da observação empírica dos fenómenos e de tudo aquilo que existe, e que lhes conferem uma constante impossibilidade de acreditar, sem hesitações, nos mistérios que se encontram entre o Céu e a Terra e que não vêm escritos nas Estrelas. este cliché, era uma das minhas tiradas favoritas até há uns tempos atrás....era. porque comecei a perceber que me poderia ser mais útil fazer melhor uso da minha inteligência para tentar evitar os constantes clichés e verdades dos outros e do mundo. assim, continuo à procura. da minha verdade no mundo, pois.
e confesso: não sinto necessidade, soando contraditória, de repudiar os clichés e os pensamentos de alguns sobre o mundo, escarnecer ou ridicularizar como tantos que se arrepiam à mínima aproximação de provérbios, frases batidas, clichés, citações e afins, ainda que entenda essa alergia. a mim, por enquanto, só os gatos e o pó me fazem espirrar.
ah!... gosto muito, mesmo, de coincidências. :P
e confesso: não sinto necessidade, soando contraditória, de repudiar os clichés e os pensamentos de alguns sobre o mundo, escarnecer ou ridicularizar como tantos que se arrepiam à mínima aproximação de provérbios, frases batidas, clichés, citações e afins, ainda que entenda essa alergia. a mim, por enquanto, só os gatos e o pó me fazem espirrar.
ah!... gosto muito, mesmo, de coincidências. :P
sexta-feira, setembro 02, 2011
quinta-feira, setembro 01, 2011
Na luz indecisa que deixa adivinhar
a manhã, a névoa que impregna o ar
desfaz-se quando os dedos de fogo do sol
a limpam, restituindo ao dia
a sua transparência. Mas a mulher que
ocupa o centro da paisagem não
se apercebe da mudança. O seu corpo
pertence à terra, e entrega-se
ao ritmo subterrâneo das raízes, ouvindo
o canto que regula a passagem
das estações. Um desejo de sombra apodera-se
da sua alma; e conta o tempo que falta
para a noite, para se entregar ao silêncio
do mundo, no lento eclipse
dos sentimentos.
a manhã, a névoa que impregna o ar
desfaz-se quando os dedos de fogo do sol
a limpam, restituindo ao dia
a sua transparência. Mas a mulher que
ocupa o centro da paisagem não
se apercebe da mudança. O seu corpo
pertence à terra, e entrega-se
ao ritmo subterrâneo das raízes, ouvindo
o canto que regula a passagem
das estações. Um desejo de sombra apodera-se
da sua alma; e conta o tempo que falta
para a noite, para se entregar ao silêncio
do mundo, no lento eclipse
dos sentimentos.
terça-feira, agosto 30, 2011
contra a apatia das rotinas diárias e a morte lenta do espírito sonhador
tenho de o dizer aqui. este texto é para mim mesma. para me ler. Darwin não explicou a necessidade de afagarmos o nosso ego, e eu continuo a preferi-lo ao Freud, ainda assim. acredito na evolução natural das espécies, apesar de tudo o que já me aconteceu e acontece de invulgar ou inesperado, aquilo a que chamo o sal da vida, e de a meditação resultar comigo, permaneço céptica em relação às coincidências da vida e que tudo pode estar destinado a acontecer assim ou assado, e frases como "ia morrendo mas ainda não era a minha vez, não teve de ser.." não me tocam muito. however (eu sei, esta mania do inglês pelo meio irrita um bocadito, mas eu penso e falo comigo mesma em duas línguas all the time e isto o Darwin ou o Freud não explicam) ele há coisas muito (não vou usar qualquer adjectivo, fica a sugestão..) que nos acontecem de quando em vez e que no mínimo, fazem-nos sorrir em dias tristes. hoje falei com uma pessoa pela primeira vez e trocámos algumas impressões sobre um assunto semi-banal, e isto nada de especial teria se eu não houvera já observado e reparado nesta pessoa há algum tempo tendo ela hoje pedido para se sentar na mesa onde eu estava. assim se iniciou um diálogo que eu espero não termine já por aqui. há coisas que esta pessoa me pode ensinar e pelas quais me comecei a interessar timidamente, apalpando terreno muito pouco segura do que procuro. é uma espécie de inclinação mas nem sei bem como surgiu, e agora esta pessoa senta-se na mesma mesa e abordou uma parte desta temática que me desperta interesse. nada de mais aqui, mas acresce o facto de ser ela mesma uma pessoa misteriosa para mim. temos aqui um dois-em-um, e nada mais que isto mas achei piada a este detalhe do meu dia de merda (sim, odeio segundas-feiras depois de fins de semana saborosos..). um outro episódio foi já ao serão e deixou-me curiosa, porque envolve poesia, e de algum modo é um episódio misterioso também. e belo, como toda a poesia. o meu dia foi muito menos desinteressante, assim, e mais bonito também.
segunda-feira, agosto 29, 2011
e pronto...
...tenho por aí uma conta de facebook. com um nome inventado, uma foto de perfil de uma paisagem dos Açores, umas frases daquelas que pegam bem, 4 amigos e já uma desamigação, hehehe! deixei lá o video do Debtocracy porque me faz parecer preocupada socialmente e inteligente. deixei em vez de livros preferidos, os seus autores, porque me parece mais justo e se calhar assim ainda encontro a alma gémea - em que já não acredito - pois está lá o Bukowski no meio dos outros políticamente correctos. não tenho culpa de gostar de algumas passagens. o A Sul de Nenhum Norte anda cá por casa, tem uma capa lindíssima. sempre gostei de algumas coisas de gajo: futebol, tascas, picante, passarinhos fritos, ver os campeonatos de atletismo e até uma espreitadela ao boxe e à tourada na tv, mas só aprecio as pegas, bebo uma boa aguardente de medronho, gosto de falar e de ouvir falar os amigos gajos sobre bola e sobre rabos de senhoras (esta é para o meu amigo Jorge, que já não lê o meu blogue ainda que me diga que de vez em quando ainda cá vem mas eu sei que mente) embora goste mesmo é de homens e aprecie observar a sua beleza. mas seria mais fácil gostar de mulheres, entendemo-nos bem. ah, também gosto de falar de política e bater com o punho na mesa como os meus tios e o meu pai e o meu avô, que eu adorava escutar naqueles encontros familiares em Santiago, sem poder piar que era menina e ainda para mais criancinha...no opinion there! por graça, hoje de manhã uma amiga enviava-me uma sugestão via mail, se eu não queria pensar em ser sindicalista (riso) porque lá deve ter achado que eu tinha perfil e a sugestão nem era a gozar...bem, mas no facebook não se escreve poesia ou este tipo de textos e por isso, aos poucos que ainda aqui me vêm ler, um bem haja e apareçam sempre, que o facebook é para ....meninas!
(e se aqui dissesse as razões porque me registei rir-se-iam bastante mas como tenho uma reputação a defender, mal ou bem, há coisas que não podemos dizer como os malucos se bem que se calhar a maioria das pessoas anda no facebook pelos mesmos motivos e com isto já levantei a ponta da cortina e deixei de parecer tão misteriosa...raios..).
(e se aqui dissesse as razões porque me registei rir-se-iam bastante mas como tenho uma reputação a defender, mal ou bem, há coisas que não podemos dizer como os malucos se bem que se calhar a maioria das pessoas anda no facebook pelos mesmos motivos e com isto já levantei a ponta da cortina e deixei de parecer tão misteriosa...raios..).
quinta-feira, agosto 25, 2011
terça-feira, agosto 23, 2011
e se fosse uma coisa tão improvável e inesperada que tudo deixasse de pernas para o ar?
reentrava no mundo como se a respirar um ar leve e puro.
escreveria uma carta. a segunda do género, até então, na sua já não tão curta vida. a surpresa dos burocratas.
arrumar as gavetas do quarto, a roupa interior desalinhada e misturada, colocar as coisas num lugar.
levar a pedra parideira encontrada onde mais nenhuma havia, pensar na sorte, limpar tudo sem grande precisão, aborrece.
voltar ao Norte para ver o céu, sem medo do escuro, de estar só no descampado, e encontrar as constelações. numa noite branca, nítida, quente deitando-se na terra de olhos bem abertos, observar longos minutos, horas se necessário. cassiopeia, ursa menor...todas as estrelas, sem medo.
fazer café fraco para beber. esperar. olhar de novo o céu sem de novo esperar entender. depois, levantar-se com determinação da cadeira velha, sacudir o pó e por-se a caminho. nada importa senão caminho.
(ele o ar ela o mar talvez se fundam no infinito..)
e se apenas coragem, essa palavra cara e preciosa, fosse o peso da sua bagagem?
há um mapa qualquer, mesmo que antigo. procura-o.
domingo, agosto 21, 2011
paredes de coura 2011
após 6 anos, o regresso a paredes de coura. estava diferente, o normal, também não sou a mesma, o normal, mas foi de facto bom voltar e apreciar as bandas que por lá passaram. isso e os banhos em rubiães, longe da confusão. somos burgueses e ficámos numa casa, dormi 8 horas seguidas todas as madrugadas, descansei. não se ouvia nada lá fora, nem um pio. isso ajudou. isso e o decorrer dos dias, que foram de música quase toda boa, quase toda nova para os meus ouvidos, e de boa companhia, muito boa disposição como se quer em altura de férias.
concerto do festival: sem ter dúvidas, kings of convenience. muito, muito bom. mas eu gostei de quase todas as bandas que consegui ver e ouvir. quase todas menos uma coisa horrorosa chamada marina and the diamonds. deuses!.. os dj's não (me) entusiasmaram, no after hours. fui salva pelos orelha negra, na última noite. muito boa onda. de jazz na relva nem cheirinho....mentira, ouvimos os ultimos acordes da ultima música. não andei a correr para ver tudo o que queria mas, vi o melhor, segura disso. e pronto. pontos negativos: os graves demasiado graves, os wc's, o preço da cerveja (2 euros é uma roubalheira) e.....a primeira noite que nos assustou um bocadinho, mas passou depressa:) reencontros inesperados com a sua graça; quase zero caras conhecidas; o estado do tempo. mais 3 pontos positivos. e a boa música, sempre a boa música, foi bom regressar...
terça-feira, agosto 09, 2011
londres
o que é que se passa em Londres? não sei. possivelmente há mais que uma causa, uma série de variáveis. eu ainda não li/vi o suficiente para entender se é sobretudo vandalismo, ou se é sobretudo outra coisa qualquer. certamente a maioria de nós, ao ver as imagens pensará imediatamente em vandalismo. eu penso que será demasiado simples pensar assim, apesar das imagens. vou esperar.
quinta-feira, agosto 04, 2011
festivaleirando
foi
o meu melhor FMM. já lá tinha ído, não muitas vezes, mas este ano senti uma
harmonia como não senti em outros anos. ok, não fui à avenida da praia no último
dia...cheguei-me à berma do muro e aquelas cabecinhas todas juntas lá em baixo
fizeram-me hesitar. convenhamos....ando nestas andanças há tantos anos que
vamos ficando calões, alguns de nós. a mim deu-me a moleza, mas sobretudo,
sentir que tinha a barriguinha cheia de festival e até ficava bem sem me deitar
quase de manhã. instalada em casa de amigos de amigos, vi concertos muito bons,
descobri música a descobrir melhor, tive a surpresa do festival que foi a banda dos
Açores (sim, foi a minha surpresa do festival, ainda que tenha havido ali
grandes concertos ou até melhores, mas isto sou eu a gostar dela própria, da
música que se faz por cá se for bem feita), fui à praia porque vá lá, o tempo melhorou, comprei umas
sandálias a um senegalês por 5 euros e não vi outras iguais, comi muitíssimo
bem graças aos cozinheiros de serviço lá da casa, conheci pessoas muito boa
onda com quem gostei de conversar, dancei contente e atenta e comprei 4 cd's
pelo preço de 2 e onde escuto novas sonoridades, e casei e tive dois filhos e fui feliz para sempre...só não consegui ir fazer xixi
na noite de sábado, mas deu para aguentar. este festival tem a melhor onda de
pessoal do país, quer-me parecer...mais que o Andanças, e esse é muito boa
onda. parece-me que quem vai a Sines quer mesmo ouvir boa música, embora
este ano tenha ficado com a sensação de que cada vez lá vai mais malta para
passear um bocado e ver gente gira. sim, tem gente bonita por todo o lado, e
simpática. deixa lá ver a simpatia das gentes em Paredes de Coura, sendo este o
festival indie cá do burgo e sendo os indies mais sérios porque ouvem coisas
mais angustiantes (coff!..)! pois, este ano não há Andanças, não houve Super
Rock, (ai Beirut , que pena!..) mas vou ouvir musiquinha que mal conheço pois
ando arredada das novidades indie, e como o Minho é bem bonito, também
aproveito para passear e ver muitas árvores com boa companhia e...farei a despedida do
meu mano (schuiff..). agora,
contam-se os dias até à segunda parte das féria, ao segundo festival de
verão, à boa vida.
quem ler isto, há-de
pensar que a minha vida é uma alegria (de festivais e passeata e quê). not.
segunda-feira, julho 25, 2011
quinta-feira, julho 21, 2011
quarta-feira, julho 20, 2011
couves roubadas e, o pior, foi as cebolas, disse o homem...
eu sei
que é feio, mas estou p'ráqui a rir-me bastante com uma notícia a passar
na sic: hortas assaltadas em Coimbra, levam os donos a lamentar o
sucedido. gostei, particularmente da senhora que diz ter desatado a
chorar com o desaparecimento de 17
couves!opá....!!hahahahahahahahahahahahahahahh!!!!!!!
terça-feira, julho 19, 2011
sábado, julho 16, 2011
quinta-feira, julho 14, 2011
qualquer coisa como "all that we see or seem is but a dream within a dream.."
qualquer coisa como sonhar com o irmão a dançar imenso
qualquer coisa como um amigo pensar em fazer um blog maldicente do que não gosta: de gordos, de pessoas que sabem os nomes de todos os bolos nos cafés, de pessoas que dizem a calça em vez de calças
qualquer coisa como ninguém no trabalho perceber se dissermos que o verbo "ter" não faz sentido quando se fala em termos todos de pagar a crise
qualquer coisa como ter um blogue onde, na verdade, não escrevemos sempre o que sentimos
qualquer coisa como obssessões
qualquer coisa como daydreaming most of the time
qualquer coisa como evasão
qualquer coisa como sorrir na rua a pessoas que não se conhecem quando se caminha para o trabalho
qualquer coisa como cair estrondosamente e raspar os cotovelos
qualquer coisa como aprender de uma vez, a evitar ressacas
qualquer coisa como nos pedirem para comentar filmes que nem recordamos bem
qualquer coisa como hesitar
qualquer coisa como contrariar as más caras
qualquer coisa como querer estar sozinho e não falar
qualquer coisa como pensar em força anímica
qualquer coisa como rir com vontade do bom humor
qualquer coisa como aceitar convites
qualquer coisa como não os aceitar
qualquer coisa como evitar os noticiários mas depois ler jornais on-line
qualquer coisa como fazer e encontrar sentidos
qualquer coisa como tocar o pêlo do nosso cão e querer abraçá-lo apertadinho
qualquer coisa como sonhos bizarros e filmes de ficção científica com a samanta morton
qualquer coisa como não despertar logo com o despertador
qualquer coisa como ser repetitivo
qualquer coisa como evitar a desorganização
qualquer coisa como o amor
qualquer coisa como a música, não há
qualquer coisa como viver enquanto vivo
qualquer coisa como sondar o insondável
qualquer coisa como absorver demasiado, tudo
qualquer coisa como a poesia, não há
qualquer coisa como a inércia
qualquer coisa como ter a casa para limpar e ficar no sofá
qualquer coisa como esquecer o telemóvel por um dia
qualquer coisa como as coincidências
qualquer coisa como as fotos antigas
qualquer coisa como os amigos que olham para nós
qualquer coisa como olhar pelos amigos
qualquer coisa como o cheiro da fruta na casa da minha avó
qualquer coisa como comer
qualquer coisa como deixar de ser parvo
qualquer coisa serve
qualquer coisa
qualquer
qualquer coisa como sonhar com o irmão a dançar imenso
qualquer coisa como um amigo pensar em fazer um blog maldicente do que não gosta: de gordos, de pessoas que sabem os nomes de todos os bolos nos cafés, de pessoas que dizem a calça em vez de calças
qualquer coisa como ninguém no trabalho perceber se dissermos que o verbo "ter" não faz sentido quando se fala em termos todos de pagar a crise
qualquer coisa como ter um blogue onde, na verdade, não escrevemos sempre o que sentimos
qualquer coisa como obssessões
qualquer coisa como daydreaming most of the time
qualquer coisa como evasão
qualquer coisa como sorrir na rua a pessoas que não se conhecem quando se caminha para o trabalho
qualquer coisa como cair estrondosamente e raspar os cotovelos
qualquer coisa como aprender de uma vez, a evitar ressacas
qualquer coisa como nos pedirem para comentar filmes que nem recordamos bem
qualquer coisa como hesitar
qualquer coisa como contrariar as más caras
qualquer coisa como querer estar sozinho e não falar
qualquer coisa como pensar em força anímica
qualquer coisa como rir com vontade do bom humor
qualquer coisa como aceitar convites
qualquer coisa como não os aceitar
qualquer coisa como evitar os noticiários mas depois ler jornais on-line
qualquer coisa como fazer e encontrar sentidos
qualquer coisa como tocar o pêlo do nosso cão e querer abraçá-lo apertadinho
qualquer coisa como sonhos bizarros e filmes de ficção científica com a samanta morton
qualquer coisa como não despertar logo com o despertador
qualquer coisa como ser repetitivo
qualquer coisa como evitar a desorganização
qualquer coisa como o amor
qualquer coisa como a música, não há
qualquer coisa como viver enquanto vivo
qualquer coisa como sondar o insondável
qualquer coisa como absorver demasiado, tudo
qualquer coisa como a poesia, não há
qualquer coisa como a inércia
qualquer coisa como ter a casa para limpar e ficar no sofá
qualquer coisa como esquecer o telemóvel por um dia
qualquer coisa como as coincidências
qualquer coisa como as fotos antigas
qualquer coisa como os amigos que olham para nós
qualquer coisa como olhar pelos amigos
qualquer coisa como o cheiro da fruta na casa da minha avó
qualquer coisa como comer
qualquer coisa como deixar de ser parvo
qualquer coisa serve
qualquer coisa
qualquer
terça-feira, julho 12, 2011
inside job
só o vi hoje, ao ar livre, com a lua por trás da tela, embrulhada numa manta. descrito o cenário, avanço para os efeitos secundários: a dada altura só me ria, perto da gargalhada, com as respostas ridículas dos CEO's dos grandes bancos e seguradoras americanos, sim os tais responsáveis pela bolha e crise actuais. a dada altura penso: "esta merda é tão má, tão óbvia e tão evidente...mas certo é que continuamos a legitimar estes gajos e os seus jactos privados, mansões por tudo quanto é pedaço de terra, rendimentos anuais insultuosos, consumo de drogas e putas de luxo do pequeno almoço ao jantar, e mais... aos senhores doutores de harvard e columbia, sentados nas suas cátedras durante o dia e durante o dia restante a dar conselhos a estes CEO's e ao Sr. Bush, Sr. Clinton, Sr. Obama, a desenhar os modelos económicos ultra-liberais e sem regulação que tanto lhes enchem as contas bancárias, continuamos a dar ouvidos como se fossem donos de uma só verdade. a promiscuidade da tríade indústria financeira-governos-universidades é obscena e insultuosa à inteligência humana. e pior: continuam a ser estes seres abjectos a "sustentar" uma economia que mexe, todos os dias, nas vidas de todos nós. todos. agora, vou só ali vomitar um bocado, antes de me deitar. e tentar não sonhar com este pesadelo que é viver à mercê de tipos assim.
(não seria tão mais simples, tão mais fácil se fosse apenas.. ignorante? diz-se por aí que são os mais felizes)
(não seria tão mais simples, tão mais fácil se fosse apenas.. ignorante? diz-se por aí que são os mais felizes)
sábado, julho 09, 2011
quarta-feira, julho 06, 2011
férias - parte I
curtas, calmas (!), saborosas. começaram muiiiito a abrir, numa louca noite de copos, dança, música, amigos e depois desconhecidos que se conhecem (gajos) e beijos sem significado que se trocam (gajos) como se tivesse de novo 16 anos e de vez em quando sabe bem ter de novo 16 anos e assim esquecer a letargia do campo, por algumas horas. cá a mim soube-me bem pela maluqueira, por me desprender, por ninguém me conhecer e observar, fui decadente mas muito senhora! beijos sim, mas com decoro. já não tens idade para andar aos beijos em discotecas com tipos que nunca viste antes... só me apetecia rir e dançar e ouvir elogios bêbados que se baralham no dia seguinte (é, fazia-me bem namorar, prontos, mas isto não é quando faz bem é quando calha). sempre me atraiu o bas fond, e o cais do sodré foi o meu bas fond de início da parte I das minhas férias deste ano. depois, bem....depois a calmaria. mas antes, o resto do fim de semana em casa de desconhecidos (meus) simpáticos, e um passeio pela bela Óbidos.
depois a praia, vento, carro atolado na areia (que grande, grande, grande cromice oh mas lindo lindo! foi estúpido, idiota, caricato, dei cabo das mãozinhas a tirar a areia debaixo dos pneus, oh, lindo, eram quê? 2 da manhã? que tontice, enfiar o raio do carro na areia, hahahaha, o que vale é que também deu grande risota (a melhor parte foi aquela em que a nave espacial e os marcianos apareceram para comunicar connosco enquanto esperávamos dentro do carro com as luzes dos barcos de pesca em pano de fundo..) e lá demos asas à nossa faceta MacGyver - juro que não entendo porque não funcionou, fizemos tudo científicamente, estratégia e inteligência, rapidez e.....e pronto, tinha de haver uma aventurazinha de tótós a meio que custou bem caro (enorme chulice esta dos reboques e das seguradoras: vómito, vómito, vómito, blarghhhh!...) e quem se mete em atalhos não sóbria, mete-se em trabalhos, pois concerteza!
depois a praia, vento, carro atolado na areia (que grande, grande, grande cromice oh mas lindo lindo! foi estúpido, idiota, caricato, dei cabo das mãozinhas a tirar a areia debaixo dos pneus, oh, lindo, eram quê? 2 da manhã? que tontice, enfiar o raio do carro na areia, hahahaha, o que vale é que também deu grande risota (a melhor parte foi aquela em que a nave espacial e os marcianos apareceram para comunicar connosco enquanto esperávamos dentro do carro com as luzes dos barcos de pesca em pano de fundo..) e lá demos asas à nossa faceta MacGyver - juro que não entendo porque não funcionou, fizemos tudo científicamente, estratégia e inteligência, rapidez e.....e pronto, tinha de haver uma aventurazinha de tótós a meio que custou bem caro (enorme chulice esta dos reboques e das seguradoras: vómito, vómito, vómito, blarghhhh!...) e quem se mete em atalhos não sóbria, mete-se em trabalhos, pois concerteza!
viva as praias dos surfistas, a Supertubos em Peniche tem um nome feio como tudo mas bem me soube estar ali naquela imensidão, e o mar estava tão calminho que tubos nem vê-los, aliás, havia um gajo, um único gajo a surfar (eu fazia aquilo, eu fazia sim senhora! coff!!...) e foram os melhores - eu diria os únicos? - mergulhos de mar destes dias. a Ericeira tem aquela praia belíssima de Ribeira d'Ilhas, sim tem, bonito pôr do sol que apanhámos, mas a noite era uma merda, ou tivemos azar...come-se bem no Gafanhoto, benditas velhotas (locals, usando a terminologia dos surfs) que nos deram a dica, e penso mesmo que foi o melhor da estadia, isso e acordar de manhã e ter o mar à frente dos meus olhinhos e comer ao pequeno almoço com eles postos no azul! já a zona, está cheia de velhas dondocas a tomar pequenos-almoços nas esplanadas e com sotaque lisboeta daquele que irrita um bocadinho, e não achei - com excepção do Gafanhoto onde prolongámos a janta para lá do fecho da casa, com os empregados a deixarem-nos à vontade para acabar o (excelente!) tinto da casa enquanto se entretinham numa cartada entre eles - particularmente as gentes com quem falei (entenda-se, cafés e lojas) particularmente simpáticas. adeus Ericeira, até um dia destes. interior, praias fluviais, quais?, onde? hmmm, demorou mas lá fomos. passámos na Lourinhã na ída. dinossauros. museu. depois, alcanena. praia fluvial. belos caracóis e pica-pau à beira rio, fim de tarde e vamos embora, alcanena é um deserto e o parque de campismo: encerrado. Constância, próximo destino. o parque de campismo não aceitava cães. fiquei pior que estragada. o Dentuça pernoitou a poucos metros de nós, mas do lado de lá da rede, isto para não o deixar no carro. não gostei, não vou voltar. de Constância, aproveita-se a zona ribeirinha. e a feira medieval que há uns anos me levou até lá. bem, depois, continuando para o interior, epá Abrantes - quem se lembra de ir a Abrantes nas férias?.. - e foi a surpresa. Pensão Estrelinha com uma espécie de Família Adams a gerir a coisa (estou a exagerar, o velhote meio mouco e de estranhas feições sentado à entrada e o cão que não mexia um músculo prostado na porta, não chegam né?) e lá ficámos num quarto gigante, roupinha bem limpa e cheirosa e...surpresa! aceitavam cães, yupi!, é que, em Abrantes o parque de campismo também estava encerrado. a noite abrantina é...como direi?....castiça não é o melhor termo, mas enfim, fica castiça, valeu a casa de pasto com os abafados que lá provámos. de resto....forget it. o concerto na praça principal foi confrangedor, salvo pela esplanada do café central muito animada mas...enfim, que esperávamos de Abrantes? eu, honestamente, nada pelo que tudo o que veio foi um acréscimo. a cidade tem partes bonitas. sunday back to Évora para curtir a penúltima noite da feira de s. joão mas aqui a menina sentiu-se mal, do físico e da psique e não tirou o pézinho de casa nem com sms dos amigos a puxar. TPM? talvez. ah mas antes de chegarmos a Évora, paragem na barragem de Belver, praia fluvial de Ortiga. um dos spots (sim, andar nas praias do surf alterou o meu vocabulário) eleitos destes dias.
ainda assim, com mais dois dias de férias no prelo meti-me a caminho da casa da mamã e por Lx passeei (yes, my name is silk and i'm enjoying the city), comprei, vi uma exposição, comi pastéis de belém, fui à matiné ver o essential killing, ufa, CINEMA CA#&%#"!. gostei. mesmo muito. filho da mãe do Vincent Gallo que é racista e republicano mas é um raio dum grande actor. e créditos, muitos, ao realizador.
ainda assim, com mais dois dias de férias no prelo meti-me a caminho da casa da mamã e por Lx passeei (yes, my name is silk and i'm enjoying the city), comprei, vi uma exposição, comi pastéis de belém, fui à matiné ver o essential killing, ufa, CINEMA CA#&%#"!. gostei. mesmo muito. filho da mãe do Vincent Gallo que é racista e republicano mas é um raio dum grande actor. e créditos, muitos, ao realizador.
prontos. em agosto há mais. e só mais tarde, a terceira parte meus amigos. the special one. stay tunned. or not.
nota: para as famílias que já mo apontaram, o "prontos" foi intencional, ok?;)
sábado, julho 02, 2011
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