quarta-feira, outubro 13, 2010

things change

já não me apetece saltos. não me apetecem blusas com aquele look indie-rock-indie-gente. já não me apetecem brilhos e brilhantes, fios prateados em lenços. não me apetecem calças demasiado justas e t-shirts demasiado justas a dizer "chocolate" em pedrinhas azuis a imitar diamantes. já não me apetecem a maioria dos colares pedra-dura e pechisbeque H&M anos 80. não me apetece - tanto - pintar os lábios. as unhas dos pés e das mãos, já não pinto. não me apetece a sombra negra, o vestido preto, quando acordo a sentir-me Joy Division e decido que nesse dia vou andar assim, toda de preto. mesmo que isso só me tenha dado duas vezes na vida. já não me apetece tanto. porque um dia destes ainda pode vir a apetecer. para variar. porque preciso e conheço-me desde sempre, a variar. agora já não me apetece comprar uma saia da zara igual a milhões de outras, se ao lado estiver alguém a vender uma feita com as suas mãos e ela não sendo perfeitinha, nem bem acabada como diria a minha avó, não se vê repetida ad nauseum em todo o lado. mas ainda vou à zara e levo comigo para o provador apenas aquilo que me parece simples, o mais simples possível. já não me apetecem apenas as blusas que me disfarçam as mamas, se for apenas esse o intuito da compra. quero as simples, fluidas, confortáveis, de bons tecidos. já não me apetece perder horas nas lojas, a experimentar mil coisas diferentes entre si. já não me apetecem as mil e uma peças diferentes e que vestem uma rapariga diferente a cada dia, se lhe apetecer (a)parecer diferente a cada dia, ainda que num modo próprio - o romântico, como o defini um dia. feminina, sim, ainda me apetece. mas sem merdas. sem produção. sem floreados e saltos altos para alongar as pernas. só me apetece brincos e colares e pulseiras e anéis feitos por alguém que eu veja e se eu não vir que importa?, com materiais trabalhados à mão, simples, simples, simples. a prata e as pedras semi-preciosas, as madeiras e as imitações de marfim, o metal ali do tunisino que nem sempre amarelece e se sim, azar. estou encantada com as minhas pulseiras de pedrinhas semi-precisosas, o anel largo de madeira desconhecida, os brincos de pau preto moçambicano, os outros de osso de vaca da senhora do Senegal...os pintados à mão pela rapariga que mos vendeu este verão. comecei a fazer um cachecol de lã. vou fazer cachecóis e golas e perneiras. escolho eu os tons e invento eu. porque não? fazer malha é um bom anti-stress, dizem. não ando stressada, mas preciso de não passar os serões de inverno na net, a escrever no blogue e a teclar com amigos. quero usar as minhas mãos para fazer coisas sem o uso do intelecto. gosto de cortar cabelos. não me apetece o que parece ser mas não é bem, ou não é nada. e sobretudo, já não me apetece ser vestida pelo mundo, mas vestir eu o mundo em mim.

2 comentários:

Anónimo disse...

Looks like you´re changing things. That must be a good thing. :)

silk disse...

;)