segunda-feira, abril 09, 2007

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Ciclo Paul Bowles - NEXT TO NOTHING Exposição de Fotografia de Daniel Blaufuks
«Um Abrigo na Terra» é o título deste ciclo que se prolonga até ao fim do mês com diversos eventos evocadores da obra deste autor mais conhecido como escritor de romances e contos, mas com vasta obra de composição para piano, voz e orquestra. A obra multifacetada de um autor que ocupa lugar de destaque na literatura norte-americana do século passado, e a colecção de fotografias tiradas por Daniel Blaufuks na casa de Paul Bowles em Tânger, levaram o Centro Cultural de Belém a fazer a evocação com este ciclo.Em 1947, Paul Bowles esteve na Europa para estudar composição com Aaron Copland, com o qual, no mesmo ano, visitou Tânger. Copland regressou a Paris mas o escritor norte-americano acabou por ficar naquela cidade do Norte de África até à sua morte, em 1999. "The Sheltering Sky/O Céu que nos protege", adaptado ao cinema por Bernardo Bertolucci em "Um chá no deserto", e "Let it come down/Deixai a chuva cair", são alguns romances da sua autoria. Em Marrocos foi visitado por muitos dos escritores conotados com o movimento da "beat generation", foi responsável por ter inscrito o país no itinerário obrigatório dos intelectuais vanguardistas norte-americanos e revelou algumas das formas mais interessantes da música local. Entre esses grupos contam-se os The Master Musicians of Jajouka, que actuarão no CCB a encerrar o ciclo, a 31 de Março. A abertura do ciclo assinala a inauguração da Sala de Leitura Jorge de Sena com uma exposição de primeiras edições das suas obras, o lançamento da autobiografia, e a inauguração da exposição de fotografias «Next to Nothing» de Daniel Blaufuks, tiradas em Tânger em 1990 num encontro do fotógrafo português com o escritor.(...).
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Em 1990 fui a Tânger para me encontrar com Paul Bowles. Os seus livros tinham-me fascinado, mas mais do que isso a sua vida. Compositor e escritor, viajante no seu tempo, alguém que procura. Em sua casa encontrei, acima de tudo, serenidade. Tardes preguiçosas à volta da lareira, apenas interrompidas por algumas visitas diárias, e calmos passeios ao mercado. Mesmo assim, estes não eram tempos pacíficos. Agora, dezasseis anos mais tarde, regressei a essa casa e a essas fotografias. Daniel Blaufuks

quarta-feira, abril 04, 2007

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e mais logo, a animar o início de mini-férias... Cansei de Ser Sexy para me dar pica!!
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Honor de Cavalleria

De: Albert Serra
Com: Lluís Carbó, Lluís Serrat, Jaume Badia
Andergraun Films ESP, 2006, Cores, 95 min.

Lisboa - Cinema King - 218480808
SALA 3 14h30 / 17h00 / 19h30 / 21h30; 6ª-Sab, 2ª: 24h15


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quinta-feira, março 29, 2007


Fé

Um mundo com tempo para nos dar tempo
Um mundo com humanidade para nos tornar humanos
Um mundo com justiça para nos dar esperança
Um mundo com honestidade para nos respeitar
Um mundo com muitos mundos para nos ensinar
Um mundo sem filhos da puta porque não consigo aceitar.

Um mundo virado do avesso que somos a precisar.

quinta-feira, março 22, 2007

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Por onde começo?
Como te conheço?

Foi nossa a proximidade presente
Na naturalidade das coisas que são.

Aprendo e sorvo mais um pedaço.
O meu puzzle ainda não é, e quando será?, a soma de todos os pedaços que me revelam.

Apaixonei-me por quase tudo, hoje, de novo.
O livro pequeno demais, na forma insólita que o distingue no meio dos outros, adornado em tinta vermelha.

Chegaste e a dança começou. Falaste. Leste. Sorriste.
Como estavas diferente daquela vez. Rígido e tímido, como se não.
Hoje as palavras soltas, com a leveza dos sorrisos que denunciaram o teu humor, rimo-nos contigo.
Os teus olhos mal cruzavam os nossos, daquela vez.
Hoje eras simpático, feliz. Enleva-me o vosso amor, o teu, que perdura e nos deleita pelo olhar que é doce, também.
Está na passagem do tempo pelo corpo que escreve.

Reconheceste-me. É simples reconhecer rostos. Eu quase não te reconhecia. Até vislumbrar-te no olhar, na pose, um fantasma, uma sombra da primeira vez...dissipou-se na honestidade, na leveza tímida das palavras sinceras que nos deste.
Deliciei-me no sabor da leitura dos teus poemas [alguns, escritos para nós] espalhado no éter. Ainda bem que estás à procura. Ainda bem que continuas.

E depois tive de te perguntar. E tiveste de me responder.

[apreendo como se fosse lançada nas águas calmas de um lago pela primeira vez, onde não nos afogamos, onde nos mantemos à tona, sem drama. apreendo isso tudo porque esteve sempre em mim.]

"O peso de cada palavra, quando são tão poucas as palavras que se econtram num verso que é curto, no poema finito e breve - o peso que cada uma tem, como é importante a sua eleição..."

Assustei-me. Acobardei-me. Tive medo.
Depois o teu olhar semi-louco que encontrei no fim do riso, a melancolia das coisas sentidas e que não nos abandona mais, disse-me que não era preciso ter medo.
Depois do livro folheado, depois de mais um poeta descoberto, depois de nos sentarmos contigo, depois de te escutarmos, depois de nos dizeres tudo, depois da simplicidade que embelezou os teus segredos, depois de leres para nós, depois dos interregnos, do ruído, depois da atenção, depois de congelarmos os gestos e os sons, depois dos rebuçados de magia, depois da ingenuidade paradoxal, depois de olhar para o rapaz da camisola vermelha sentado em frente à rapariga-mistério-bela-silenciosa, depois dos embaraços, depois da Margarida nos embalar na gravidade serena da sua voz inteligente, depois da espera até chegar mais perto de ti e falarmos os dois.
Depois escreveste no papel, sorriste, o aviso. Depois o silêncio na cordialidade simpática, o dever a par da curiosidade simples na conversa leve. Depois era tempo que se fazia tarde.

Por onde começo?
Pela "casa de palavras que, um dia, acabarás de ler. Que as palavras te sejam brandas".
Por onde te deixei ficar, a meio do fim.

Como te conheço?
Nas "páginas de homens e mulheres da terra,
de anjos e demónios do céu".
Nas palavras que os meus olhos decidiram que serão poemas, as tuas.

Como posso acabar?
Na sorte do papel esquecido, um poema para ser lido?
Guardei-o para me guardar.
Como posso senão acabar
Na ternura das coisas mais simples,
Que os meus olhos encontram rendidos.
E amar.

Évora, 21.03.2007
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segunda-feira, março 19, 2007

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Um dia

Um dia, gastos, voltaremos
A viver livres como os animais
E mesmo tão cansados floriremos
Irmãos vivos do mar e dos pinhais.

O vento levará os mil cansaços
Dos gestos agitados irreais
E há-de voltar aos nosso membros lassos
A leve rapidez dos animais.

Só então poderemos caminhar
Através do mistério que se embala
No verde dos pinhais na voz do mar
E em nós germinará a sua fala.

Sophia de Mello Breyner Andresen

(para LR)
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quinta-feira, março 15, 2007

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...and
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.........now
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................for
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......................something
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.....................................completely
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.....................................................different
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quarta-feira, março 14, 2007

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segunda-feira, março 12, 2007

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duas partes

E descobri-te, estavas por detrás de ti mesmo.
E floresceu a luz que transpôs a tua aparência.
Repulsa que afastei de vez.

Um eclipse, ao contrário.

Encontro inócuo, o primeiro.
Sem força de tracção até ao teu lugar, nada.

O reencontro, a surpresa, o brilho.
(na aparência está o engano do preconceito)

Ficámos os dois, conversámos os dois, vi o eclipse invertido, soube-me bem respirar este novo ar.
Estava na tua atenção generosa, quiseste mostrar-me alguma coisa, ali, qualquer coisa importante, aprendi.
Estranho como se aprende assim, em tão pouco tempo partilhado.
A tua voz era baixa, suave. O olhar o dos sábios sem ostentação. Raro.
Um encontro em duas partes, só a última me interessa.
Só esta conta.

E ao de leve sopraste-me as tuas palavras, o som embateu no que estava adormecido, inexpugnável.
E revelaste-me.
(inúteis, tanto, as suposições)

Vou guardar a segunda parte, saboreá-la um pouco mais.
Porque invulgares são os eclipses ao contrário no meu firmamento.
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sexta-feira, março 09, 2007

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(deste gostei. gostei bastante até. o filme é muito violento, as personagens são quase todas feias, porcas e más, sente-se o cheiro a sangue em algumas das cenas, uma das minhas actrizes favoritas entra nele, há um enredo de faca e alguidar entre irmãos, não há heróis, ou quase.. deste gostei. e a banda sonora, e as imagens daquela Austrália árida e bela ao mesmo tempo..um mimo.)
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quinta-feira, março 08, 2007

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terça-feira, março 06, 2007

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(Lampard Pop Art)
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segunda-feira, março 05, 2007


antecipação

as almas que abandono tristes
os beijos que não deixei roubar
as palavras que esqueci de dizer
os abraços que não consegui dar

os sonhos que nunca sonhei
as coisas que não quis partilhar
os encontros que não procurei
os amores que não soube amar

os dias que não vivi
as plantas que não cuidei
as horas que apenas fiquei
os sorrisos que não sorri

os amigos a quem desencantei
as paixões que não deixei crescer
os momentos de que me fartei
as viagens que não pude fazer

as canções que não quis escutar
os livros que ficaram por ler
os desejos que não deixei escapar
as mentiras que me ouvi dizer

os gestos que não suportei
a intenção que nunca deixou de o ser
o silêncio que não te dei
os olhares que não quis entender

E o desejo,
o desejo último

E o saber,
esse saber
(do fim)

Salvam-me as folhas dos plátanos,
descem na brisa que me procura.
E eu estarei onde me encontro
com a espuma das ondas,
Na cor do entardecer.

Évora, Março 2007
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sexta-feira, março 02, 2007

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Se a música nos salva da infelicidade, cantar em dueto com outras raças, com outras gentes, a nossa canção, pode salvar-nos das trevas.
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"The introduction into my life of another race, essentially different from mine, in Africa became to me a mysterious expansion of my world. My own voice and song in life there had a second set to it, and grew fuller and richer in the duet."
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in The Shadows on the Grass, Isak Dinesen (Karen Blixen), pp. 4-5, Penguin Books, 1984.

quinta-feira, março 01, 2007

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(e ficava sob as tuas folhas até que o vento me sussurrasse o sonho desse lugar...)
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terça-feira, fevereiro 27, 2007

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"Pertenço a uma linhagem de mulheres à janela, pertenço à terceira geração. A minha bisavó é um caso à parte: nunca estava sem fazer nada, cosia - junto de uma janela, é claro, para ter luz, mas sem quase erguer os olhos - (...) A minha avó sentava-se de tarde na sua poltrona preferida, onde podia estender as pernas, e olhava pela janela. Tinha sempre um tricô no colo, um livro no braço da poltrona, mas ficava ali durante muito tempo sem se mexer, sem pestanejar. Nos últimos anos, talvez esperasse com efeito pelo seu cavaleiro fiel, por aquele Princípe Pudico do Audiovisual que devia, daí a umas horas, entrar pela clarabóia como fazem sempre e por toda a parte os Romeus deste mundo. Mas também acredito que, à sua maneira, ela reflectia - na vida, no amor, em nós -, refazendo a história.

Depois vi a minha mãe esperar por André ou espiá-lo por detrás do reposteiro como princesa na sua torre, não ficava ali muito tempo, ele chegava (...) transpondo todos os obstáculos como o filho do rei abrindo caminho pelo meio dos silvados da floresta encantada, ela abandonava a janela para o acolher no alto das escadas, já não havia vidro, então, nem ecrã, mais nada. Ora, escreve Balzac para explicar o amor que o André inspirou à minha mãe, «na natureza como no mundo das fadas, a mulher deve sempre pertencer àquele que sabe chegar até ela e libertá-la da situação em que enlanguesce».

Quanto a mim...Eu, dava tudo por uma janelinha. Ah! dêem-me o canto de uma janela, ah!, deixem-me ficar de pé com o nariz de encontro ao vidro como uma criança à espera da mãe, dêem-me esse tempo! - Que estás tu a fazer? perguntava o meu pai quando dava comigo assim sem fazer nada (provavelmente a pensar no príncipe encantado, também ele, mas sem lhe ver encanto algum...). Que estás tu a fazer à janela? - nada, respondia eu afastando-me, nada.
O que estou a fazer? A fabricar sonhos, pai, a fabricar um sonho, sem parar. O que faço aqui? Amor, faço amor, não faço outra coisa!
«A natureza de uma mulher, escreve Edit Wharton, é semelhante a uma casa grande com muitas divisões [...], e no quarto mais recôndito, o santo dos santos, a alma está sozinha à espera de um ruído de passos que não chega nunca.»
O objecto da espera, podemos chamar-lhe o príncipe encantado, se quisermos, por piada, a fim de reduzir o sonho à lenda e remeter a mulher para a infância. Mas não é isso. Do que a alma está à espera nesse quarto, e o corpo colado à janela no canto mais recôndito, não é de um príncipe, mesmo encantado, não, é de passos, do ruído de passos - não de um homem que anda, mas do eco de um andar, não do homem a chegar, mas dos passos que não chegam, até ali, até ela, à escuta - não até mim, este não que tudo me opõe, não te amo, não posso, não sei, estes passos que não chegam nunca, nunca lá chegarei, estes passos que me abandonam, será isto razão para deixar de estar atenta? Procede-se da mesma forma com os poemas e os romances? Que se faz senão esperar o que nunca acontece - a forma pura, a inspiração divina, a palavra certa? uma coisa que se possa agarrar sem destruir o desejo que se tem dela? - Que estás a fazer? dizia o meu pai. Estás à espera de quê...ou de quem? - Não, pai, não estou à espera de ninguém, não pretendo nada, não estendo os braços a nada, debruço-me sobre o nada, espírito, corpo, nervos: nada de passivo na espera, é uma tensão, uma atenção - esperar, é procurar -, tendo para o terno e o atento, é uma coisa que não tem nome, diluo-me na paisagem, no vidro, na transparência, passo para trás do espelho, do reflexo, da vaga, está do outro lado o que eu quero, ainda mais longe, ainda...O que uma mulher quer, pela sua natureza, é isto: um além, um horizonte, um vazio ou um deus para além da linha onde se separam o céu e a água - em amor, as mulheres têm mais a ver com a religião judaica: o deus delas ainda não veio. Mas não são só as mulheres, vamos lá, também há homens (são da mesma natureza). (...)

Eis a razão porque não se devem afastar as meninas das janelas nos manuais escolares, mas pôr lá os meninos - porque o rosto à janela, é o sonho, é a arte e é o amor: nem a prisão, nem a ociosidade, não, pelo contrário, uma actividade rica de futuro - uma prática livre do impossível.
Contudo, é claro, o objecto real existe - objecto de amor, objecto de arte: há pessoas que amamos, tal como acabamos por escrever livros. Mas, dirão, que pode fazer o homem amado nesse quarto de mulher onde ela está sozinha, em busca de quê, de quem? Pois bem, pode estar com ela, sozinho com ela, a sós. Amar uma mulher, amar verdadeiramente uma mulher, talvez seja apenas acompanhá-la na sua espera - não acreditar que se é o objecto de todos os seus desejos, aquele cuja vinda pode satisfazê-la, 'não procures mais, sou eu', também não pensar, por oposição, que é estúpido esperar, que é vão, esse movimento em direcção a nada, um feminino irrisório, um sentimentalismo idiota, que não existe, esse deus escondido, esse príncipe. Não, ficar ali simplesmente, no respeito da espera e da vigilância, saber que se é para ela a árvore e não a floresta, a árvore em que ela pintou um ponto de referência tendo em vista um longo, longo caminho, o marco, a moita, um tronco - uma paragem, um arrimo, um repouso, um refúgio antes de prosseguir essa longuíssima espera, essa demanda sonhadora, esse descaminho; dançar com ela em volta desse ponto, a janela, a ponte para o horizonte, o outro, o além, abraçá-la sem a apertar, abraçá-la sem a asfixiar com ciúmes e censuras, junto dessa janela. O amor é então como o poema, um sopro em torno de nada, o beijo do vazio para o qual se estendem os lábios, essas letras que o dedo desenha no embaciado do vidro, esses sinais para escrever na janela o nome de quem não chega nunca."

in O Amor, romance, Camille Laurens, pp. 136-139, D. Quixote, 2004


http://www.evene.fr/celebre/biographie/camille-laurens-3664.php

http://fr.search.yahoo.com/search?ei=ISO-8859-1&fr=cb-eve&meta=vl%3D&p=Camille+Laurens

segunda-feira, fevereiro 26, 2007

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and the Oscar goes to..



Martin Scorsese!
Merecido, todos o sabem, já de há muito...( O Touro Enraivecido, pá, esse é que tinha sido justo!)
A surpresa: melhor filme, The Departed. Mas se calhar 'bate' mesmo Babel, o filme que dividiu público e crítica..

sexta-feira, fevereiro 23, 2007

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[passaram 20 anos. fazes-nos falta. ainda. sempre.]


Fui à beira do mar

Ver o que lá havia
Ouvi uma voz cantar
Que ao longe me dizia
Ó cantador alegre
Que é da tua alegria
Tens tanto para andar
E a noite está tão fria
Desde então a lavrar
No meu peito a Alegria
Ouço alguém a bradar
Aproveita que é dia
Sentei-me a descansar
Enquanto amanhecia
Entre o céu e o mar
Uma proa rompia
Desde então a bater
No meu peito em segredo
Sinto uma voz dizer
Teima, teima sem medo


Zeca Afonso

quarta-feira, fevereiro 21, 2007

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Às vezes, o bater
do meu coração é tão veloz
Que penso que tenho
de viver mais
depressa
para não o perder.


21.02.2007
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Neon Bible

As 5 músicas que já pude ouvir do álbum novo dos Arcade Fire, são muito boas. Sai a 6 de Março. Há um site onde eles colocaram as letras http://www.neonbible.com/readme.html. A No Cars Go já me deixou rendida. São uma das minhas favoritas, são muito bons, são criativos, são muitos e dão grandes concertos. Até em igrejas. Têm de voltar, alguém tem de os trazer de novo. Há coisas que não podem passar-nos ao lado. Não podem.
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sexta-feira, fevereiro 16, 2007

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timbres

E eu escuto-as. Estou sozinha, sentada em frente a elas. E consigo ouvir as conversas, saltitam céleres, alegremente por entre o grupo. O meu silêncio só é possível quando o procuro em lugares especiais, ali, sou forçada a ouvir as suas conversas. E subitamente, as palavras fralda e filhos soam num timbre vivo, despertam-me a atenção. Pergunto-me da razão de não falar de fraldas e filhos pelos cafés, porque não estou ali sentada, com elas?
É uma estranha em frente a elas, sentada, distante delas, do seu universo feminino, não sabe se sente orgulho ou tristeza. Ou sequer se terá de sentir alguma destas duas...não sente orgulho ou tristeza. Não sente. Apenas uma leve ponta de satisfação, passageira. Como se a caneta, e o papel gasto, o chá e o livro encostado na chávena, bastassem. E o seu timbre silencioso soasse vivo, também.

15.02.2007

quarta-feira, fevereiro 14, 2007

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Hurt

I hurt myself today
To see if I still feel
I focus on the pain
The only thing that's real
The needle tears a hole
The old familiar sting
Try to kill it all away
But I remember everything

What have I become?
My sweetest friend
Everyone I know
Goes away in the end
You could have it all
My empire of dirt
I will let you down
I will make you hurt

I wear this crown of shit
Upon my liar's chair
Full of broken thoughts
I cannot repair
Beneath the stains of time
The feelings disappear
You are someone else
I am still right here

What have I become?
My sweetest friend
Everyone I know
Goes away in the end

You could have it all
My empire of dirt
I will let you down
I will make you hurt
If I could start again
A million miles away
I would keep myself
I would find a way

[ a versão (de novo, ouvi há pouco) do Sr Cash - god rest his soul - é qualquer coisa....mas ao vivo, cantada pelo autor, foi qualquer coisa mágica ]
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terça-feira, fevereiro 13, 2007

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o meu amor é...





GRANDE.

segunda-feira, fevereiro 12, 2007

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NINE Inch NAILS
10.02.07 concerto n.º 1 em Portugal



Belo concerto! Vá, tenho de ser justa...um grande concerto!!
O som um pouco mais alto - e melhor - e algumas projecções (pensava que o fariam) e tinha sido perfeito!! Não houve encore, mas, acabar com Head like a hole foi fantástico! O público vibrou, foi um final em grande. A Hurt enfeitiçou-me, linda...
Estes senhores são bem bons ao vivo, sem paragens, e se tocam, caraças!!..
Detalhe: os candeeiros/lâmpadas por cima deles! Cenário minimal, senti ali o espírito Trent Reznor=NIN. Dói-me o pescoço de o abanar, cuspi a minha força:)
E soube a pouco, ao fim de tantos anos à espera..

quinta-feira, fevereiro 08, 2007

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the joke




["...o primeiro de uma série de desenhos de grandes dimensões desenvolvida a partir das fotografias oficiais de cimeiras do G8. a imagem corresponde a um pormenor ampliado."]
Nuno Ramalho


quarta-feira, fevereiro 07, 2007

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Sónia

Tenho saudades tuas. Há anos que tenho saudades tuas. Mas de vez em quando elas são mais fortes, mais sentidas. Hoje voltei a pensar em ti. Lembro-me sempre do teu sorriso, do teu último sorriso, naquele dia fatídico e triste e cinzento e chuvoso (ainda menos gosto da chuva que nos cai em cima desde então), aquele dia em que te perdi para sempre, depois de um último abraço, depois da nossa última conversa de que só eu guardo memória. Tenho saudades da tua ternura, da tua doçura, do teu olhar meigo. Tenho saudades de seres a minha grande amiga nestas paragens, de me abraçares, dos carinhos e das festas no cabelo, às vezes só de olhares para mim...tenho saudades de estares perto e de me apoiares com as tuas palavras sinceras. Hoje voltei a sonhar. E lembrei-me da tua família, da tua mana linda. De como me senti quando nos reencontrámos, como se tivesse abalado toda a gente só com a minha presença. Talvez isso me tenha feito recuar, parar...porque me tinha proposto a uma coisa e nunca o fiz. Hoje acordei e pensei nisso. Nas coisas que não fazemos e deviamos fazer. No amor que não partilhamos... E como tu sabias fazê-lo bem amiga, como sabias amar e mostrar-nos o teu amor, nesse jeito dengoso e especial, que tanta gente não tem mas tu tinhas. E quem te conheceu e foi teu amigo, sabe bem do que estou a falar, não há aqui exageros ou mitificações, eras assim. Como poderia não ter saudades? Como posso não sentir-me mal quando penso naquilo que devia fazer e não tenho feito?

O primeiro dia, o primeiro momento em que nos vimos, quando chegaste atrasada, com o cabelo molhado, e te sentaste paralelamente a mim, mas longe, que a sala era enorme. Entraste, cabisbaixa e embaraçada e tentaste não dar nas vistas....mas olhei para ti e sorri, achei um piadão ao cabelo molhado e ao ar meio aflito...de tal modo que foi a única vez que te vi um sorriso amarelo, quando olhaste na minha direcção. O primeiro, de dois únicos desentendimentos, mal nos conheciamos ainda, foste a correr em lágrimas para o quarto, quando te repreendi por não teres comprado os bilhetes que te pedi. Nunca mais te esqueceste disso, e quando alguém nos conhecia, contavas a história a sorrir para mim, fingindo um ar meio chateado, referindo o quanto eu fora bruta, e acabavas com a parte em que eu lá acabara por ir ter contigo ao quarto e te tinha pedido desculpas, admitindo a minha exagerada reacção. No fim rias, olhavas para mim com ar cúmplice e surgia logo ali um gesto meigo na minha direcção.
Sabias perdoar na medida da tua generosidade e amor, e isso era - a par da 'magia que encantava' a nossa amizade, reflectindo um entendimento quase perfeito - o que te tornava especial aos meus olhos.
Como poderia não sentir saudades?

sexta-feira, fevereiro 02, 2007

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mas que filme tão saboroso!..
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segunda-feira, janeiro 29, 2007

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Contrariedade

Sonho: a tua afirmação - não sei quem tu eras, não me lembro de ti - deixou-me asfixiada. Ouvi-te, calada, séria, demasiado séria...quando acabaste, e os outros ficaram calados enquanto observavam e os seus olhares confirmavam a tua opinião, eu aproximei-me de ti. Estava chateada, sentia que não era justo, que não era verdade. E eu sabia que não era justo, que não era verdade o que dizias. Era apenas a tua opinião. E quem eras tu - sim, quem julgavas tu que eras para afirmares com aquela convicção a tua verdade? - para rebateres um facto, quando esse facto escapava ao teu conhecimento? Era apenas a tua opinião.
Olhei-te. Foi o olhar mais frio e agressivo que posso ter, que podia ter tido, e disse-te que não concordava contigo. Aproximei-me demasiado da tua face. O meu olhar quase tocava o teu olhar, e cuspi-te a minha fúria. Apenas porque me contrariaste. Apenas porque eu sabia mais coisas do que tu mas não conseguia dizer-tas. Apenas porque me contrariavas, porque não sabias tudo, porque era a tua opinião. Ainda tentei. As palavras sairam-me duras e desastradas. Tinhas-me contrariado, o meu conhecimento de todos os factos. Era para eu te ter contado e explicado tudo, bem explicado, calmamente, observar-te mudar de expressão enquanto o fazia. Ver aparecer-te no rosto, a clarividência que te faltava. Não estavas a par de todos os factos. Mas isso não aconteceu. Não consegui.
"Ele era bom, ele sabia bem o que fazia, o que escrevia, como entendia tudo aquilo para além dos outros, para além do comum dos mortais. Ele interessava-se apaixonadamente". Era o que devia ter dito.
Ele sabia. E eu sabia o que ele sabia, o meu amigo. Mas tu não. [e eu não conseguia explicar-te isto. eu tentei, e fi-lo da forma mais irritante, mais despropositada, mais incoerente e irracional...vencida pela fúria de me teres contrariado]
E ele sabia explicar todas as suas escolhas, e tinha sido tudo bem feito, nada perfeito, nem precisava. Ele era bom naquilo, e tinha corrido bem. Bastava tentar explicar-te pausadamente e sem medo que não aceitasses ou compreendesses a minha explicação, os meus argumentos. Talvez fosse o suficiente.

E de repente, afastei-me de mim e olhei-me. Ali, encostada a ti, de frente para ti (mas quem eras tu? a tua cara não era importante, eras apenas alguém a contrariar-me), como se quisesse engolir-te inteiro com a minha fúria. E fiquei perplexa, chocada, quase. Percebi. Claramente, percebi.
E tu não tinhas culpa, e eu não tinha culpa. Era apenas assim, era claro agora. Entendi tudo.
Invadiu-me uma angústia maior do que eu, maior do que aquilo que eu era. E acordei.

Facto: seriam 6 ou 7? Não sei ao certo a idade. Também não importa. Era muito nova. Demasiado nova. Mas era concerteza cedo, demasiado para ser apenas fruto de qualquer condicionamento externo. Correria no sangue?
A discussão familiar foi grande, terrível, na medida dos anos que separavam a minha da tua idade. Não recordo o motivo, não me consigo lembrar. Só recordo a imagem, essa imagem gravada, lembrada sempre.
Fechei-me rapidamente na casa de banho. Furiosa. Orgulhosa e magoada. Fechei-me durante horas na casa de banho e não deixaste ninguém ir lá. Porque raio haveria alguém de ir lá, se eu não podia sobrepôr a minha à tua vontade? Só me restava encurralar-me no forte, trancar-me para que ninguém entrasse, para que não me seguisses. Só podia ficar ali horas e horas para fazer valer a minha posição. E a minha posição só podia ser a de mostrar que não gostava de ser contrariada. Quando me sentia com a razão. O estranho, e engraçado, é que a imagem que guardo na mente é a porta do lado de fora, eu fechada lá dentro. Como se afastada e a olhar para a porta comigo lá dentro, do outro lado. Como se sonhasse e me visse ali e aquilo, aquela imagem, esta imagem, fosse o facto. E o facto é que eu estava lá dentro, fechada, e a única coisa que devia ver era o espaço de dentro, os azulejos, o chão, as loiças, a janela..não sei porque a imagem que guardo é a da porta, do lado de fora.

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quinta-feira, janeiro 25, 2007

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saudade..



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quarta-feira, janeiro 24, 2007

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Transgénicos fora do prato?

O tema de discussão de hoje na RDP Antena 1, é sobre a questão dos produtos transgénicos.
Das participações em linha (biólogos, engenheiros agrícolas, produtores agricultura biológica, políticos, professores..), são praticamente todas unânimes em relação ao facto de esta ser uma matéria sobre a qual há ainda muito poucos estudos sobre os efeitos não só na Natureza, como no ser humano.
Mas levantam-se questões como a da produção de sementes transgénicas ter por trás grandes empresas e interesses económicos vastos; a sua produção levar ao surgimento de sementes resistentes à aplicação de herbicidas - permitem que mais produto seja aplicado, logo, levam a um impacto maior e mais negativo sobre os solos e sobre o ambiente; a questão de estas sementes não poderem voltar a ser 'usadas' (sementes terminator) ou seja, perdem o seu poder germinativo, o que em extremo poderia levar à extinção do processo natural de 'reutilização' das sementes (método milenar e natural, depurado pelo Homem) e consequentemente levar ao aumento da dependência dos agricultores em relação às empresas que colocam as sementes de transgénicos no mercado, ou seja, ao aumento das suas vendas e lucros; a questão da falta de rotulagem nas rações que são dadas aos animais, sabendo-se hoje que 95 % desta produção de transgénicos é canalizada para estas rações e outros produtos sem rotulagem (apesar da resistência dos consumidores nomeadamente na Europa, a estes produtos, a sua produção tem aumentado, para onde vão?) e nem sequer há legislação que obrigue à rotulagem destas rações, o próprio produtor não sabe o que vem dentro do saco...isto leva a que a carne nos supermercados, talhos, etc, também não contenha no seu rótulo, a origem das rações do animal, pelo que não sabemos se estamos a comer carne e até derivados do animal (leite, etc) que acabam por ser alimentados com/conter transgénicos; falou-se da questão da falta de estudos e informação sobre o que acontece a estes animais que são alimentados com transgénicos; há um testemunho que defende a sua utilização e cultura, nomeadamente porque aumenta a produção em 2 a 3 vezes mais que na cultura de sementes normal, precisamente por serem sementes mais resistentes a pragas (contraria de algum modo o testemunho do colega engenheiro agricola que diz que estas sementes são resistentes aos herbicidas, tendo de ser este utilizado em maior quantidade) e que os agricultores têm direito a lucrar com o que produzem, porque a agricultura é neste momento uma indústria; um professor universitário contraria a engenheira zootécnica que afirmava não existir na rotulagem a origem das rações, ao afirmar que estas são rotuladas, sim; enfim...há contrariedade e dúvidas, há falta de informação credível, há pelos visos falta de evidências sobre esta matéria. Mas em caso de dúvida, há a precaução. Se ainda não há certezas - de repente lembro-me (pelo que de humano se revela nesta tendência de nos dividirmos quase sempre em duas facções) da questão do aquecimento global, com os 'cépticos' que afirmam ser um fenómeno normal da Natureza, e os que afirmam ser contribuição da actividade humana, estes em maior número, ainda que em relação a esta matéria as evidências estejam à vista - e se ainda não existem estudos suficientes sobre os efeitos dos transgénicos na nossa cadeia alimentar, ficamos na incerteza. Mas o melhor é precaver-mo-nos. Vou ficar a ponderar como fazê-lo, dentro das minhas possibilidades... Entretanto, pode ser que daqui a 20 anos, descubram que o milho das pipocas e a soja transgénica das rações das vacas, sejam a causa do meu cancro no estômago. Ou não.
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terça-feira, janeiro 23, 2007

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frase

"É muito diferente passar a adolescência a fazer coisas de que se gosta do que andar perdido sem saber do que se gosta"

Paulo Pinto, actor, Artistas Unidos
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sexta-feira, janeiro 19, 2007

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[hoje, deixo espaço para a crónica do meu querido amigo Tomaz, longe de nós há três anos, e que versa sobre esse imenso Rio, do Brasil, na sua forma inspiradora de sentir a realidade. Obrigado Tomaz, por aceitares o meu convite]
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O murmúrio do Setentrião.....ou a estranha latitude do imenso verde dilacerado

Rio de Janeiro, 18 de Janeiro de 2007.

Este é o prenúncio de cada manhã, nesta terra estranha, tão longínqua e em simultâneo, tão próxima de mim.
Sou mais um desses "passarinhos urbanos" que como cantou Chico, "chacoalham no trem da Central". Este comboio, que me leva à viagem infinita das faces e da poesia nelas. Umas vezes poesia triste e outras poesia alegre da existência. A lei de um quotidiano.
Venho de um dos muitos subúrbios de um gigantesco subúrbio, de uma gigante metrópole onde cada vez mais, a alma é um bem tão mais precioso que o corpo e a vida em si. O único bem que nos resta para que o samba da violência não nos retalhe, como a mais um, que virá amanhã nas parangonas do jornal matinal "encontrado pela bala perdida".
Aqui no doce encaixe das verdes montanhas que encontram o mar, nesta terra a quem um dia chamaram "Cidade Maravilhosa", me encontro. Rio de Janeiro.
Todas as manhãs, cruzo-me com essas personagens que são os figurantes do filme que protagonizo. Aquele velho doido que vende os pães e o café numa garrafa "termo" e que com um relógio/termómetro na mão, diz no seu pregão: "Salvé guerreiros da luta, vocês são o coração deste povo...Têm ainda pão....Um real...têm ainda café... São oito da manhã, 27 graus tá marcando". E aquela figura é a imagem desta terra, da bondade e da irmandade entre pares, da loucura sã de procurar a alegria na sobrevivência. Porque aqui todos somos irmãos de miséria e virtude. E todos temos mais o sentido do que é realmente a igualdade.
No comboio, encontro os rostos da Baixada (Baixada Fluminense - área periférica a norte do Rio de Janeiro, um conjunto de cidades e bairros, marcados pela profunda pobreza e violência), encontro aqueles batalhadores de 300 reais/mês (aproximadamente 100 euros), que trabalham sem descanso semanal de Domingo a Domingo, para alimentar a prole numerosa. Aqueles rostos levam um sorriso triste de uma eterna esperança. De uma convicção que Deus é o único amparo.
A morte aqui não é pranteada como aí,...a morte é apenas o fim do inferno em que tantos vivem. E a morte, buscando o fundo antropológico africano, é um renovar de esperança para os que ficam, mais mesmo que a saudade que acaba permanecendo.
Na saída do comboio, na velha Central do Brasil (estação principal de comboios do Rio), fervilha em bulício o movimento da mole humana.
Cada um no seu caminho, cada um no meio dos restantes. Os "camelôs" (vendedores ambulantes) vendem tudo o que se deseje. Vendem carga roubada, contra-feita, sem factura, esperando que os Guardas Municipais ou os seguranças dos comboios, não "façam o rapa" (expressão que significa carga apreendida).
À distância da esquina próxima, aquele carro-patrulha com aqueles vultos cinzentos (a Polícia Militar do Rio usa fardas cinzentas escuras), perscrutando qualquer movimento anormal. Vigiam-nos na sombra, com aquelas armas de assalto temidas. A visão do 7,62 ou do M-16 é incomodativa, mas já habitual (7,62 e M-16 são as armas de assalto usadas pela Polícia Militar do Rio de Janeiro, de grande alcance e muito poder destrutivo). Os rostos dos polícias, sempre tensos. Aqui, morre-se por se estar vivo. Morre-se das balas dos polícias e das balas dos bandidos. As balas matam igualmente, sem distinção. As balas não matam sozinhas, são disparadas e tantas vezes com tão pouco critério.
A cada espaço intercalado, surgem montanhas, que perdem cada vez mais o verde que as cobria desde o início dos tempos. Hoje, cada vez mais crescem aquelas "colmeias" de tijolos e cimento forçado, a que chamaram um dia de "favelas". Ali, talvez seja onde resta a primária nobreza, o "sangue bom", a raiz e ritmo de um povo. Ali também, é onde a sociedade relegou os seus filhos mais desfavorecidos, para a pobreza, a marginalidade e a violência. São Carlos, Providência, Dendê, Pavão-Pavãozinho, Cantagalo, Rocinha, Vidigal, Juramento, Andarái, Macacos, Kerosene, Rebú, Salgueiro, Mangueira, Tatuí, Congonhas, Acarí, Manguinhos, Jacarézinho, Fubá, Chacrinha, Cidade de Deus....estes são alguns dos nomes da ignominia.
São os nomes onde a vergonha de cada um de nós marca, no passar dos dias, o destino de tantos inocentes.
As favelas, onde esses trabalhadores sobrevivem e lutam sem assistência dos mais elementares serviços básicos - sem saneamento, sem educação, sem justiça, sem pão, sem paz -, onde riem e cantam o seu samba choro do dia-a-dia.
Brutalizados por uma máquina policial, que entende que acantonar estas "pessoas de bem", e vivendo na encruzilhada da sua pobreza, reféns dos soldados do tráfico de droga (que acabam mortos e presos, com nunca mais de 20 anos) e que paradoxalmente acabam sendo os benfeitores da comunidade, pois eles são os únicos que suprem a necessidade de consultas médicas, de obras em casa e transportes das comunidades.
As favelas e seus filhos, no limbo do frágil equilíbrio entre bandos criminosos — um bando ao serviço de uma lei que nunca defendeu os seus cidadãos e outro bando que usa estes "filhos de um deus menor" como escudo, e onde poderosos e ricos acabam sendo os beneficiários de um esquema vil, onde mais pobreza e ignorância garantirão o eterno ciclo de uma sociedade que vive sob o signo da desigualdade "genética".
Os filhos nobres da "favela", estão vetados a ser invisíveis, até ao dia em que em qualquer assalto desesperado,"dura da polícia" (expressão que significa repressão policial arbitrária), ou bala perdida na troca de tiros da invasão à favela, os atire para as páginas dos jornais como corpos banhados em sangue jazendo no asfalto, ou irremediavelmente algemados, a caminho de Bangú (presídio estadual do Rio de Janeiro).
Nas nobres praias da cidade, passeiam-se os que estão na outra amplitude desta insanidade, a obscenidade da riqueza, que os mantém reféns do medo em seus condomínios de altíssimo luxo e carros importados blindados.
A solução segundo alguns, seria aplicar a pena de morte. Eu acho que a única pena de morte que devemos aplicar, é a morte de um sistema que cliva uma sociedade, onde os ricos justificam a sua riqueza desde os tempos coloniais portugueses, com um trabalho escravo desses que vivem nas favelas e em subúrbios podres da Baixada.
Aqui há também o samba, fervilhante, e a sensação de que a "vida é só um dia, mas o Carnaval são três...".
O Rio é a terra fértil de onde esses escravos bantos, trouxeram os batuques e repiques, e onde a harmonia dos nossos cavaquinhos gerou o samba. O samba que se universalizou, mas que se fez e faz de lágrimas e sacrifício, para que aquela alegria "que acaba Quarta-Feira" seja a catarse de tanto sofrimento que se acumula.
O meu subúrbio, Campinho - Madureira, com as suas escolas de samba, a Portela, o Império Serrano e a Tradição, é o berço do samba e da "malandragem" carioca.
É arrepiante sentir como se constrói aquele espectáculo, desde o início...e aqui o samba é coisa muito séria.
"Negra é a tristeza da despedida na avenida" cantava o imortal Cartola, espelhando que é triste o fim do Carnaval, quando a Avenida Sapucaí, onde fica o Sambódromo, se fecha e diz um "até breve" com um ano de interregno. E o ciclo repete-se e repetir-se-á.
O Rio é também, a cidade onde aquele esplendor colonial se reflecte de maneira soberba. A obra portuguesa nesta cidade, é maravilhosa. E as igrejas e monumentos emprestam a solenidade que só as grandes cidades podem ter.
Ali, onde descobrimos as razões de uma cidade maravilhosa, quando o sol nasce na baía da Guanabara juntinho ao Pão de Açucar, ou quando o Cristo Redentor, abraça toda a gigante cidade lá desde o alto do Corcovado. Sou particularmente apaixonado, por essa parte da cidade, o Cosme Velho, as Laranjeiras e o muito romântico Largo do Machado, memória espacial viva do lugar de predilecção do grande Machado de Assis.
O Rio é o futebol e aquele imortal Maraca (estádio Maracanã), onde os deuses do futebol marcaram tantos momentos para a posteridade.
Onde o "anjo das pernas tortas", o grande Mané Garrincha, driblou a própria vida, acabando andrajoso e alcoólico, como alguém que desafiou os deuses com o seu talento. Onde milhões de brasileiros, choraram em 1950, a amarga derrota para o Uruguai. Onde Zico, no seu jeito "galinho", encantou. Onde Pelé, fez um golo que tem uma placa que assinala o momento único desse mesmo golo.
O Rio é a terra, onde em qualquer rua, crianças jogam descalças e soltam papagaios de papel, que aqui se chamam "pipas".
O Rio é seguramente, o melhor e o pior lugar de viver, porque a nostalgia e o presente, são dois tempos diferentes e inconciliáveis e quando se perderem os últimos motivos para que o "canto carioca" se solte, aqui o inferno estará à mesma distância do paraíso. Este lindo paraíso......

Um abraço e saudades enormes do meu país, da minha gente, de todos os meus lusitanos amores.

João Tomaz Rodrigues

quinta-feira, janeiro 18, 2007

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O que é a vida?

O poeta grego que comparou o homem às folhas que não duram,
quando o inverno lhes roubou a esperança de viver de acordo com
os seus desejos, não saiu esta tarde para o campo, nem viu o
corpo que se interpôs entre o sol e os arbustos, ofuscando
o céu com a sua brancura de nuvem primaveril. Perguntou,
no entanto, de que serve a vida, e para que serve a alegria,
se não existe, para além delas, o horizonte dourado do amor;
e afastou da sua frente o crepúsculo, dizendo que preferia
a madrugada, logo que o galo canta, para despertar com
o próprio dia. Esse poeta, que o pó dos séculos sepultou,
e não chegou a encontrar qualquer resposta para as suas
dúvidas, aconselhou os que o liam a que se divertissem,
antes que a morte os surpreendesse. E lembro-me, por
vezes, deste pedido, ao pensar que a memória de alguém
se pode limitar a uma pequena frase, nem que seja a mais
banal das sentenças, que nos vem à cabeça numa ou noutra
circunstância. Então, o poeta grego continua vivo; e esta
tarde, por trás dos arbustos, ouvi a sua voz no vento que
por instantes soprou, trazendo com a sua frescura o sentimento
que sobrevive a todas as estações de uma vida humana.
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in As Coisas Mais Simples, Núno Júdice, D. Quixote, p. 67
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quarta-feira, janeiro 17, 2007

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WTF??! (II)

estão a gozar com quem?

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terça-feira, janeiro 16, 2007

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quinta-feira, janeiro 11, 2007

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o meu ensaio sobre a intransigência ou como um blog pode substituir o divã
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Há intransigências no ar. Nem sei muito bem identificar alguns dos motivos...ainda. Mas sinto-as como farpas, de vez em quando. E lanço-as, de vez quando, também eu. O que me perturba é a possibilidade de as mesmas terem uma origem simples e até básica, de explicação fácil: somos com os outros aquilo que somos connosco, não gostamos nem permitimos nos outros aquilo que em nós não está bem? Fico com a dúvida, que isto até a mim me soa a 'receita' de livro de bolso de psicologia para iniciantes, mas não tenho pretensões a aprofundar científicamente certas questões. Fico-me pela intuição, pela observação, pelo sentido crítico baseado nas minhas experiências e constatações, goste-se ou não, quer eu as assuma plenamente ou não - raramente o faço sem receios.
Com isto, corro o risco de soar a certas pessoas que eu mesma por vezes julgo: as que falam de tudo e de nada sem muitas das vezes saberem bem do que falam, e julgadas por aqueles que agem como se para se abrir a boca neste mundo fosse absolutamente necessário decorar uma cartilha de regras-a-cumprir-quando-se-quer-abrir-a-boca-para-se-falar-sobre-determinado-assunto. Ora aqui entra o paradoxo - está-me no sangue, o paradoxo - sobre o qual discorro: quantas vezes não fui julgada por determinada abordagem minha sobre certa matéria, em que me afiguro como uma tonta desmiolada e precipitada, supérfluamente munida de argumentos, e ainda para mais com ar de quem sabe bem o que está a dizer? Imagino que foram algumas...ainda que não por qualquer um. Outras tantas sucederam comigo no papel da julgadora-mor, da que lança a farpa e a piadola escarnecedora, da intolerante. Podia ao menos não o fazer. Pois se me perturba que mo façam, que me julguem facilmente quando digo uma tolice, um despropósito, uma 'verdade' suspeita sobre determinada matéria, quando tiro uma ilação que só podia surgir desta cabeça, quando me aventuro a discorrer sobre as paixões irracionais que me assolam a alma...Mas também eu o faço. Também eu julgo muitos por isto, e também eu não os conheço na sua essência, e não estou munida de todos os apetrechos para entrar dentro de cada uma das minhas 'vítimas' e poder descobrir-lhes um brilho, os desejos, a sabedoria, sim, tudo isto... porque não? Alguns poderão ser mais do que mostram desastradamente, transportar um enorme coração, uma vontade louca de saberem mais e melhor, um raciocínio que afinal pode ter origem insuspeita, está apenas desalinhado e confuso, uma alegria escondida, um amor latente, uma lucidez e uma angústia de quem é permeável ao Tudo e ao Nada, uma intuição que lhes pode dizer que a felicidade se conquista, em cada dia que passa. Porque não?
Coisa de evitar, o julgamento, que também isso se exercita pela vida fora: a tolerância. Mas que é difícil, é. Que é 'escorregadio', é. Estou em crer que absolutamente necessário, no entanto, para se encontrar uma certa paz.
E uma intransigência, com risco de se transformar em julgamento precipitado sobre outrém ou seu comportamento, pode ser uma coisita simples como uma palavra que se ouve e não se gosta, ou porque [achamos] não se adequa ao discurso, ou porque [achamos] não está ali bem colocada, ou [achamos] porque não fazia lá falta...o certo é que não nos agrada, pode gerar repúdio, primeiro, e até chegar ao escárnio, variando consoante a personalidade de cada um. Com este último vejo, inevitavelmente, surgir a arrogância. Mais um risco. Mais uma desnecessidade. E para quê, afinal? E porquê, afinal?
Uma coisa tenho como certa: não há inocentes na matéria, todos, em alguma altura fomos e somos intransigentes e intolerantes, mas não me permito pensar que não vem nenhum 'mal ao Mundo' se afinal de contas, e ainda que no exercício da sua 'humanidade' como ser imperfeito que é, o Homem não reflectir de vez em quando sobre as suas falhas e as suas limitações.
Simplificando: se tu me conhecesses melhor, se calhar em vez de ironia, oferecias-me flores:) E eu a ti dava-te um beijo e um chocolate:)
Chuac!


terça-feira, janeiro 09, 2007

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The good old 80's



não resisti...vi isto e, no contexto em que o vi então...escangalhei-me!! ainda me estou a rir...
rir faz bem
:)

sexta-feira, janeiro 05, 2007

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Energia Positiva e Revolução
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Pois é, de regresso ao trabalho, de regresso ao alentejo.
Uns dias de férias passadas entre Trás-Os-Montes e Lisboa, a comer - muito bem, muito bem, que em Trás-Os-Montes também se come muito bem, e não apenas em quantidade que isso para mim nem é comer 'bem' - e a dormir, a passear, a sornar (sou a pessoa mais preguiçosa que conheço), a ver as vistas, a visitar os nuestros hermanos, depois o regresso a casa da mamã, mais papinha boa, mais sorna, não li muito, só jornais e revistas, fiz comprinhas das boas (cd's e filmes) e menos dinheirinho na conta bancária...viva o consumo, dirão os banqueiros do mundo!Viva.
Entretanto, cá estou de novo a escrever no meu blog, e cheia de inspiração para começar o ano em grande, melhor do que comecei o ano anterior (que foi a trabalhar, muito sisuda e tola como todos os sisudos que stressam com o trabalho, ainda que feito por gosto...) é o que eu quero. Não é o que eu espero, é o que eu desejo. Há uma diferençazita..
Assim que cheguei: inscrição para fazer ginástica! Desta vez foi a sério, já chega de aulas 'experimentais'. E não é que até me cantaram os parabéns?!....Foi estimulante. Sem exercício, também a alma mirra.
Mais decisões? Médicos. Visitar alguns. Há uns aninhos que não o faço, ganhei saudades. À força.
Depois, ler mais. Foi a melhor prenda de Natal, inesperadamente vinda de quem não esperava e de uma forma simpática: A Criação do Mundo, do Miguel Torga, meu conterrâneo. Até fiquei emocionada, aquilo de me terem dado o livro já lido e usado, e daquela forma....foi a melhor prenda. Em troca vou-lhe enviar, ao meu presenteador (se não existe eu depois corrijo), uns cd's.......passámos um serão enfiados numa casa de pedra numa aldeia da qual já nem recordo o nome, no meio dos montes, o que é o mesmo que dizer no 'fim do mundo', esse mágico lugar, a ouvir músicas (Canções!!!) do Adriano Correia de Oliveira, do Zeca, do Sérgio Godinho, do José Mário Branco, uns cantares e músicas tradicionais de recolhas do Giacometti (presumi eu), e ainda me vieram as lágrimas aos olhos ao ler o folheto da caixinha da compilação de 6 cd's do Adriano, e de ler aquele texto magnífico do Manel Alegre, que tempos aqueles caramba!!!
O Verão Quente de 75 recordado pelo meu tio, quando o meu pai teve de me levar em 'férias forçadas', para longe da minha terra natal sob a ameaça de rapto!Hoje rio-me....Os comícios, o dom da palavra do 'Poeta' e pelos vistos cantava também (o que eu me ri, não imagino o meu pai a cantar!), as gentes iradas, os carros em fuga, as peripécias nas aldeias, a tristemente famosa morte do padre Max, as manifestações nas ruas e os defensores do antigo regime atiçados, bem, sempre fui uma atenta ouvinte de boas histórias, e ainda para mais destas, daqueles tempos, em que 'eles' acreditavam que podiam mudar o mundo, e ainda bem...porque mudaram.
Bem, e depois também quero mais paz e boas energias, procurá-las e emaná-las, para aqueles que amo, que gostam de mim, as pessoas mais importantes do meu microcosmos. Aos meus amigos (os de sempre e os novos), que estão sempre comigo ainda que longe, alguns, deixo um enorme abraço, um abraço cá de dentro e sentido, porque sem amigos também não somos grande coisa. Um inesquecívelmente doce e produtivo 2007 para todos!
Para o Mundo, e em particular para os que vivem sem dignidade porque não a podem ter, desejo a utopia de uma Revolução que comece a crescer dentro de cada um de nós, os vivos e pensantes seres deste planeta em perigo. Porque sem sonhar, também não me imagino viver.
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